Minhas cozinhas

Assim que chegamos, vimos um aviso bilíngue nos corredores do nosso andar: “Reunião dos residentes do quarto andar para decidir regras de uso da cozinha comunitária”. Eu e o Arthur moramos num quarto com cozinha. Então, teoricamente, não precisaríamos usar a cozinha comunitária, mais frequentada por quem mora sozinho. Digo teoricamente porque já usamos muito o lugar antes de comprar nossos utensílios básicos. E percebemos que volta e meia vamos frequentar a cozinha comum, pra usar o forno e o microondas.

Explico: as suítes com “cozinha” têm, na verdade, uma mesinha de dois lugares e um cantinho com pia, armários, frigobar e uma chapa elétrica de duas bocas. A minha é essa aí:

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Mas voltando à reunião, o que eu achei curioso foi o tamanho da pauta para discutir uma coisa que parece tão simples: limpeza da cozinha, limpeza dos panos de prato, compra de novos eletrodomésticos, compra de material, definição de uma contribuição mensal, regras de uso…Achei legal ir para a reunião para conhecer melhor as pessoas do meu andar. A maioria do pessoal é do Brasil. São doutorandos, grande parte da Sorbonne, dos cursos de Ciência Política, Sociologia, História, Filosofia e outros. Viu que chique? A gente pensa assim: doutorando da Sorbonne? Nossa, deve ser um crânio, mas meio metido a besta, né? Que nada, as pessoas me pareceram bem ” normais”, bem simples. Ninguém fala difícil, muito pelo contrário.

Apesar de a maioria ser brasileira, tínhamos entre nós um paquistanês e uma dinamarquesa, então toda a discussão teve que ser em francês. Eu achei ótimo, deu pra treinar o idioma e perceber (para meu alívio) que muita gente consegue se comunicar razoavelmente com um nível de francês parecido com o meu, principalmente quando os interlocutores também são estrangeiros. Pra mim, o ponto alto da reunião (que durou 1 hora e meia!) foi a fala de um doutorando de Ciência Política baiano engraçadíssimo que não sabe falar francês, mas que tenta mesmo assim, na coragem: “Je pense que quem va peguer les choses dos outros va peguer de quelquer jeitô. Nous não pouvon pas fazer rien” Agora, imagine essa frase com aquele sotaque leve e despreocupado dos baianos. Genial!

A cozinha comunitária tem pratos sujos guardados no armário, panos de prato que não são lavados há séculos e poucos eletrodomésticos, mas tem também um povo legal e divertido, como esse vizinho do francês abrasileirado (ou seria português afrancesado?)

Mesmo assim, a gente tava com muita vontade de poder comer alguma coisa em casa, sossegado. Então, na quinta-feira, eu e o Thur saímos para comprar alguns itens necessários: pratos, copos, talheres, panelas. Ainda falta muita coisa, mas tá dando para o gasto. Hoje, fiz um jantar bem levinho na nossa pequena cozinha. Quando o Thur chegou, cansado, o jantar já tava na mesa.

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O prato do dia foi: salada de folhas com tomate cereja, temperada com azeite extra-virgem de Creta (engraçado, né? é que era o mais barato do supermercado), molho de vinagre e mostrada dijon e queijo ralado; baguete com manteiga na chapa (tinha que ter um toque brasileiro!). Para acompanhar: queijo da Normandia e vinho Bordeaux. Ah, a sobremesa: chocolate suisso. Caprichei, né?

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19 Comentários

Arquivado em comida, Paris

19 Respostas para “Minhas cozinhas

  1. cris

    aaaaaahhhhhh, deu fominha! olha, que injustiça, minha janta hoje foi: meio abacate com açúcar, um copo de suco de manga e uma banana. tudo isso pra não atacar o concremix que a Lia tanto fala, hehehehe. mas o de vocês está, de longe, um milhão de vezes melhor. beijinhos, mestre-cuca!

  2. que cozinha liiiinda!!! Já descobriram o Franprix? é muito mais barato que tudo!!!! beijim!

  3. Cris: mas uma hora isso vai mudar, se a gente continuar a comer chocolate e a tomar vinho desse jeito vamos ficar gorrrrrrrrdinhos….hehehe
    Rita: já descobrimos o FranPrix sim, tem 3 aqui perto de casa. foi lá que eu comprei tudo. Só não achamos um lugar barato para comprar coisas de casa, tipo pano de prato, panela, essas coisas. Vc tem alguma indicação?

  4. Nara

    Eita baiano arretado! So faltou a torta de pera ao vinho!

  5. Andre

    Minha mandou eu entrar no blog.

  6. jarbas

    Oi filha,

    Viu o comentário do André? Econômico. Ele denunciou sua mãe. A dele também… Deve ser efeito da dieta alemã. Convida o menino para um queijo-e-vinho aí em Paris. Beijo grande, Jarbas.

  7. Pai: Eu vi o comentário do menino, bem típico dele…hehehe
    Nara: A torta de pera tem em todo o lugar, mas eu ainda não comi. Ontem fui numa padaria mto boa e ía pedir a torta de pera, mas preferi pegar uma de damasco com pistache, que tava ótima. Acho que vc ia gostar tb.

  8. Díficil enjoar dessa receita..rs.. pão, queijo, vinho e chocolate! Sei bem o que é isso! 🙂

    agora, duvido que você fique gordinha porque as longas caminhadas pelas ruas de Paris e pelas margens do Sena queimam tudo isso rapidinho!

    ahhhhhhhhhhh, e fala pro Thur que ele tá com cara de broa nessa foto! hahaha… em Paris, com um super jantar, e nem um sorriso?
    pelo amor né???? rs rs rs

    beijosssssssssssssss

  9. Tati

    De fato, é surpreendente chegar nos mercadinhos e encontrar todos os itens que deviam ser mais caros mais baratos! Aproveita um dia desses e sai com o Thur para um bistrozinho, que tem uns em conta e vale muito a pena. O único problema é que você corre o risco de se acostumar demais com a boa vida gastronômica local e talvez gostar bem menos dos restaurantes franceses daqui depois disso. O segundo risco é, sim, de virar uma batata noisette ambulante. Engordei nas minhas três semanas, apesar das caminhadas intensivas com roupas pesadas. Aliás, não deixe de comer batatas, são incríveis.
    E seu curso, começa quando?
    Beijocas

  10. dá pra mandar um pouquinho por sedex? ou quem sabe ensinar pras nutricionistas da firma? rsrs bjocas e saudades

  11. Aroldo

    Olá, Tais. Vc. escreve lindamente e com muita competência. Fico feliz de vcs estarem feilzes. Continuarei lendo e curtindo com vcs esta experiência. Conte sobre costumes, preços, manias e tudo o mais…
    beijos

  12. guilherme

    … bom que você gostou de Paris, melhor ainda quando amar, lindo então, quando andar pelo Sena nas tardes de domingo, com a baguete e o vinho às mãos e descobrir que o mundo não precisava ser a mesmice que até então foi. Au revoir…

  13. Aninha Bergamo

    Oi Tais, hoje eu ganhei um wii do meu pai.

    beijos aninha

  14. Nara

    Oi Tais, a Aninha passou aqui e eu mostrei seu blog pra ela. Ela fez um montao de perguntas e eu expliquei que o blog era uma especie de diario. Ela tava toda contente pq ganhou o Wii de presente do pai dela e quis deixar o recado. Eu a ajudei. Bjo Nara

  15. Marina

    Oi, Taís! É incrível como em Paris um jantarzinho simples se torna tão charmoso. E aposto que esse vinho deve ter custado baratinho (para os nossos padrões, claro…). Beijo!

  16. Kélzinha: pior é que ultimamente tem feito um tempo feio, daí eu não tenho coragem de andar por aí. O Thur tava com aquela cara (de broa…rsrsrs) pq tava muito cansado. Mas eu tirei várias fotos dele com um sorriso no rosto na beira do Sena, quando a gente passeou no fim de semana.
    Tati: a gente chegou a ir num bistrô no sábado à noite, lá no Quartier Latin, mas eu achei normal. inclusive gosto mais do crème brulée do La Tartine, aí de SP. Quanto ao risco de virar uma batata, estou de olho, ainda mais que nesse frio eu como mais ainda…
    Renata: depois ensino para as nutricionistas da sede…rsrsrs…sabe que eu to até aprendendo a cozinhar. Ontem fiz uma carne moída que ficou ótima, porque coloquei herbes de provence. Hoje fiz um macarrão com alguns ingredientes diferentes tb. Tem tanto temperio diferente e gostoso aqui que realmente dá vontade de cozinhar.
    Sogrão: obrigada pelo elogio. Pretende escrever mais quando vier o laptop. Amanhã vamos comprar um pra mim, mas temos que esperar a loja mandar trocar o teclado, pq o teclado francês é totalmente diferente.
    Guilherme: começo a entender sua paixão por Paris. É realmente um lugar único.
    Aninha: que legal que vc ganhou o Wii do seu pai. Um beijo pra vc!!!
    Nara: imagino, do jeito que a Aninha é curiosa, deve ter feito um montão de perguntas. O dia que eu for à EuroDisney ou ao Parque Asterix e colocar as fotos no blog, ela vai se interessar mais…rsrsrs
    Marina: Foi barato sim, pouco mais de 4 euros. Tem uns de 2, de 3 euros tb. Na verdade, a prateleira do supermercado está cheia de vinhos de todos os tipos por menos de 5 euros. Verdade que eu não entendo muito de vinhos, mas eu gostei:)

  17. Ai como é chique essa minha amiga!!!!
    Já vi japonês enrolando o inglês, mas um “francesano” deve ser mais engraçado.. rsrsrs
    Beijoooooooos,

  18. Taís,
    Imagino que não esteja mais entrando aqui no blog pra ver os comentários, mas mesmo assim vou “essayer de faire” um contato. Estou lendo post por post do seu blog, apesar de estarmos ‘separadas’ mais de um ano no tempo. Não sei se já fez outro blog no Brasil, mas faça. Você escreve de um jeito muito fluido, leve.
    Também sou jornalista, recém-formada na verdade, lá da UFBA. Por isso que vim comentar neste post: imaginei tão bem imaginado o baiano afrancesado que não conseguia nem parar de rir pra ler pra minha amiga.
    Baiano é assim, uma lição de como não ser envergonhado! Hehe.
    Beijos e boa sorte na vida!

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