Pra lá e pra cá

Nosso primeiro fim de semana aqui. Decidimos planejar bem os passeios, pra não correr o risco de sair por aí, na ansiedade de ver tudo e não conhecer de fato nada.

Então escolhi começar pelo começo, na Ile de la Cité, onde está o ponto zero – marca bem em frente à igreja de Notre Dame a partir de onde se medem todas as distâncias de Paris e da França. Combinei assim com o Arthur: se der tempo pra ver tudo lá, conhecemos também a Ile St-Louis. Pra quem não conhece, a região é o coração de Paris, são duas ilhas fluviais, no Sena, que acessamos por pontes, tanto a pé como de carro.

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Depois de ver o famoso ponto zero (e de eu ter feito o Arthur passar vergonha dando voltinhas no círculo desenhado no chão, porque vi duas turistas americanas fazendo isso, para, segundo elas, poder voltar sempre para Paris), visitamos a cripta arqueológica, que fica debaixo da praça em frente à Notre Damme.

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No local foram encontrados vestígios da tribo celta dos parisii – que habitou o local antes da chegada dos romanos – além de ruínas de casas e prédios públicos de Luthécia, nome que a cidade tinha no início do período romano.

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Achei bem interessante ver a evolução da cidade em todos os períodos – pré-romano, romano, da Idade Média – até os dias de hoje. Como todo museu bem pensado da Europa e dos EUA, eles conseguiram chamar o interesse do público geral para o que seria um monte de pedras amontoadas, não fossem as explicações em maquetes, vídeos e projeções – que dão vida àquelas ruínas. Fiquei sabendo que Paris tem vários locais com ruínas romanas. Descobriram um sítio arqueológico grande recentemente, em 2004, ruínas de um antigo balneário romano. São tantas as pessoas que viveram e construíram prédios monumentais nesse lugar, que tenho a impressão de que, na Europa, basta você demolir uma casa para construir outra coisa que, no processo, você vai encontrar vestígios romanos, medievais ou anteriores.

Depois de explorar Lutécia, decidimos dar uma volta inteira na ilha. O tempo estava feio, frio e nublado. Mas estávamos felizes, tão empolgados que nem saímos com cara de broa nas fotos (viu Kél?) Fato raro, saímos sorrindo em quase todas.

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O único problema é que não conseguimos nos ater a nosso plano inicial. Demos uma volta na Ile de la Cité, entramos na Notre Dame, passeamos pela Ile de St-Louis (uma graça, por sinal). E não conseguimos parar por aí. Foi um tal de: Olha, se andarmos um pouco mais, chegamos ao Louvre! Vamos andar pelo Jardin de Tulleries? daqui da praça da Concórdia, vamos até a Torre Eiffel num instante, vamos? Fomos, e assim passamos por vários lugares e, quando nos demos conta já era bem tarde. Saímos de manhã e voltamos para casa só à noite, exaustos, tendo passado por lugares que já nem nos lembrávamos mais, porque eles se embaralharam na nossa cabeça. Acho que a ansiedade foi grande, não deu pra controlar. Domingo a gente ainda visitou Montmartre, haja fôlego. Agora estamos domando a ansiedade e colocando na cabeça que não somos turistas, que tem pouco tempo para ver uma cidade que é um mundo, mas moradores de Paris (que chique isso, não?)

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27 Comentários

Arquivado em fim de semana, Paris, passeio

27 Respostas para “Pra lá e pra cá

  1. jarbas

    Filha,

    Cidadinha até bonita. Fica mais bonita com seu entusiasmo. Vá conhecendo tudo para preparar um roteiro do que há de melhor para quando aparecermos por aí. Num fim de semana qualquer tetarei ver São Paulo com olhos entusiasmados. Tem até uns prédios meio parisienses… Beijos, Jarbas.

    • Pai,
      A gente fica mesmo entusiasmado quando esta num lugar diferente. E mais dificil encontrar beleza no lugar onde a gente mora, não importa onde. Aqui os parisienses passam reto onde os turistas torcem o pescoço. E até engraçado, no Quartier Latin, por exemplo, qdo tem um monte de gente andando na rua e de repente um turista para, pra tirar foto dos predios das Ecoles. Os parisienses desviam do turista, bufando, com aquele ar blasé de quem tem mais o que fazer do que ficar admirando o entorno, mesmo que se trate de verdadeiros monumentos dos séculos 18 e 19.
      Beijos

  2. Ana Maria

    Minha filhinha,
    sei muito bem como é difícil seguir o tal plano inicial. A gente se entusiasma, vai achando tudo perto e só percebe que exagerou quando para.
    Adorei as fotos.
    Beijo. Ana Maria

    • Mãe,
      Vc vai ver como e dificil seguir o plano inicial qdo estiver aqui, ainda mais se a Nara estiver junto, parando em todas as padarias atras da torta de pera…rsrsrs
      Beijos

  3. guilherme

    Como? Não conheceram tudo ainda? Esqueçam essas superficialidades de dormir, jantar, estudar… Sempre haverá tempo para isso na vida. Paris pede dedicação integral. Pede o tempo que não “temos”, o sono que não merecemos e a alegria que sequer conhecemos… (it’s only a serious-joke!)

    • Guilherme,
      Calma, calma, calma… Dormir e comer pra mim é essencial. Se fico com fome, consigo reclamar até de Paris, fico insuportavel. Mas eu to gostando tanto daqui que consegui andar bastante, ignorando o frio, que tb me incomoda. Pode estar super frio, que sempre que saio para andar meu desejo é chegar nas margens do Sena (justamente onde faz mais frio). E como se o rio me puxasse. Sempre que o Arthur me pergunta onde quero ir, repondo: até o Sena. Ele ate ja se cansou e me disse que no proximo fim de semana quer ir para algum lugar mais longe do Sena para a gente nao acabar o passeio no rio, como sempre.
      Agora, sobre o seu amor por Paris, a semana passada eu estava lendo um livro do Alexandre Dumas e vi uma frase dele que me lembrou de vc. Acho que vc vai concordar:
      Il n’y a pas de femme, si jolie qu’elle soit, qui puisse te faire oublier Paris.

      Acertei?
      Beijos

      • guilherme

        Oui, touché.
        Je suis d’accord avec l’importance de son sommeil, et également avec la pensée d’Dumas, mais Alexandre savait que la Seine et beauté féminine aller de pair, toujours … sont prédestinés.
        Au revoir.

      • Ah sim, esqueci de dizer que tirei a frase do livro La femme au collier de velours.

        à bientôt

  4. Arthur

    mas Guilherme, Paris não deveria ser degustada com uma vinho? Tomando o seu devido tempo para apreciar os sabores ao em vez de entonar o cálice e mal sentir o gosto?

    Já que por enquanto somos parisienses e não precisamos correr para visitar todos arrondissements podemos a apreciar com calma e descansados após boas noites de sono.

  5. guilherme

    Você tem toda razão, só fiz provocação. Aproveitem tudo com calma e paz… e vinho.

  6. cris

    tão lindinhos os dois. eu continuo correndo. [se eu continuar trabalhando desse jeito até vai dar pra ter dinheiro sobrando e ir pra paris também. nhé!]

    😛

    beijos. saudades.

  7. Tati

    Que coincidência! Eu fiz a mesma coisa nos meus primeiro e segundo dias! Quer dizer, não dei a voltinha no marco zero… rs Tinha missa na Notre Dame. Perto, tem o Instituto do Mundo Árabe e o Museu da Idade Média, também legais. E ainda fiquei pensando se estava sendo coerente em ir para lá antes de ver a Torre, mas fato é que se vê a Torre de todos os lugares.
    Já foram para meu bairro – Place de Clichy e redondezas (Pigalle, Barbès etc)? É divertido e pertinho de Montmartre!
    Ah, por aqui estamos combinando um almoço no “Ça va” em sua homenagem…
    Beijocas
    Tati

    • Tati,
      Da proxima vez precisa dar as voltinhas no ponto zero, menina. Não sei pq o Arthur tb não quis fazer isso…rsrsrs Mas eu conheço vc e sei aue vc daria as voltinhas numa boa, sabendo que assim vc sempre vai voltar pra Paris, né?
      Ja fomos para o seu bairro, sim. Gostei mto de Montmartre. Pigalle é realmente bem interessante. Tem aquela avenida principal cheia de sexshops, tem um museu da sexualidade, um supermercado do sexo (nesse nos entramos, e um sexshop imenso onde as pessoas e os turistas andam como se estivessem no mercado mesmo, colocando os produtos que vão levar na cestinha. Passamos pelo Moulin Rouge, é claro, mas não assistimos ao espetaculo pq e mto caro. Eu nao vi a plaquinha “Show de sexo para a familia” que vc fqlou, mas tem um monte de coisa bizarra mesmo…rsrsrs
      Beijosssss

  8. Maria Luzia

    Taís
    Seu pai me passou o seu blog e nós achamos muito interessante.
    Nós não podemos ir até Paris mas Paris virá até nós através de você.
    Um abraço do pessoal de Franca.
    PS:Você escreve muitíssimooooo bem!Parabéns!

    • Oi Luzia,
      Obrigada pelo elogio. Espero poder passar um pouquinho do que estou vivendo aqui para vcs.
      Beijos e abraços para todo o pessoal de Franca

  9. Roselaine

    Taís:

    Estou morrendo de inveja!!!
    Gostaria de estar no seu lugar!!!
    Aproveite este momento que é MA-RA-VI-LHO-SO!!!!!!! E…uma oportunidade única.
    Sou aluna de seu pai
    Um abraço

    • Oi Roselaine,
      Estou vendo que varias alunas do meu pai comentaram…rsrsrs Ele ja pediu pra vcs fazerem o blog de vcs? Se ele não pediu, fica a sugestão.
      Beijos,
      Tais

  10. Elsie

    Ola Taís como vai??

    Não nos conhecemos, sou aluna do seu pai.
    Aproveite mta essa oportunidade, conheça mtos lugares, absorva tudo de bom desse lugar Maravilhoso, q. essa experiência seja única na sua vida!!

    Abraço!

    • Oi Elsie,
      Esta sendo sim uma experiencia unica, acho aue e sempre assim quando a gente mora uma temporada no exterior. E uma experiencia aue eu recomendo.
      Beijos

  11. Laís Cavichioli Cezário

    Oi Taís

    Sou aluna do seu pai, ele tem muito orgulho de você. Ele nos fez um pedido e aqui estou eu lhe deixando um recadinho.
    Tenho muita vontade de conhecer Paris, e pelas as suas fotos e pelo o que você comentou pude conhecer um pouquinho, parabéns pela sua descrição e bom passeio para você!
    Até mais

    • Oi Lais,
      Ué, vem pra ca e faz um laisemparis…rsrsrs. Mas é sério, qdo vc puder, passe umas ferias aqui. Acho que vale a pena juntar um dinheiro e conseguir separar um tempo para uma viagem dessas.
      Beijos

  12. Nádia

    Taís,

    Parabéns pelo blog!

    Estou adorando acompanhar as aventuras de vocês!

    Sobre andar “pra lá e pra cá”, não tem como evitar! É uma vontade difícil de segurar! Fique tranqüila porque morando aí não lhes faltarão oportunidades de conhecer bem a cidade, mesmo que de vez em quando vocês se permitam somente caminhar sem compromisso.

    Beijos.

    • Nadia!!!
      Vc deve ter passado pela mesma coisa, morando tao perto de San Francisco. Alias, tenho uma colega de classe de frances que é dai, ela decidiu dar um tempo da California e vir para Paris, aprender sobre uma nova cultura. Ela tem estranhado algumas coisas, mas ta gostando. Ela acha estranhissimo, por exemplo, a presença do Estado frances em todos os aspectos da vida das pessoas. E engraçado ver esse choque de cultura; vc, que conhece os americanos, e sabe como eles valorizam o individualismo, deve imaginar como uma americana se sente por aqui.
      Beijos, para o casal e para a Julia

  13. Nelma

    Olá Taís e Arthur,
    Estamos muito felizes em saber que voces estão gostando.Com relação ao friozinho, acho que nada na vida é perfeito por isso temos que viver intensamente cada oportunidade que nos é dada.
    Tio Agenor, eu e Titila estamos torcendo por voces.
    Beijos.

    • Nelma,
      Vc, que tb é friorenta, ia andar encapotada como eu…rsrsrs. Mas dentro de todos os lugares tem aquecimento, entao a gente acaba passando mais frio em SP do que aqui.
      Beijos, pra vc, Agenor e Titila.

  14. Depois de uma semana de caos e correria, cá estou. Ok, Ok… fui malvada com o Arthur sobre a “cara de broa”..rs.. As fotos estão ótimas!!! 🙂
    bonitinhos e sorridentes..rs..

    tem uma igrejinha antiquissima, no Quartier Latin (acho), onde tem apresentações de música clássica. Eu e Guilherme ouvimos Vivaldi. Só a igreja vale a visita.

    Vou perguntar pra ele (que tem uma memória muitooooooooooooo melhor que a minha) e depois passo aqui. Ou, se ele me ler agora, pode fazer isso! 🙂

    beijossss

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