Os amigos do Arthur

Ontem saimos, eu e o Thur, com os colegas dele do CEA – cinco franceses e uma alemã que ja vive aqui ha mais de um ano. Curioso é que antes de chegarmos aqui na França todo mundo comentava que os franceses eram frios, chatos, que não gostavam de socializar com os estrangeiros. Ouvimos isso de gente que morou um tempo em Paris e em outras cidades francesas. Nao sei se foi sorte ou foi o charme irresistivel do Thur mesmo (hehehe), mas desde o primeiro dia de trabalho dele, ele recebe convites para sair com o pessoal, quase todos os dias da semana! A gente so não vai sempre porque não da, falta tempo e grana pra tanto programa.

Achei o grupo simpatico, uns mais que outros, mas realmente eles têm um jeito um poquinho mais formal, mais fechado que os brasileiros. Por isso, acho que o jeitinho do Arthur contou sim. Explico (se bem que quem conhece bem o menino ja deve ter entendido…rsrsrs). O Arthur é assim: nao tem muita facilidade com idiomas, mas sabe se comunicar muitissimo bem; fez até o basico 3 de francês, mas conversa com os gringos todo dia na lingua deles mesmo, apelando para o inglês so quando a expressão e a mimica parecem não dizer nada.

Eu, que ja falo um pouco melhor, fico com medo de errar e penso varias vezes antes de falar. O Arthur não quer saber, sai falando. E o pior é que da certo. Quando a gente ta com alguma duvida na rua, enquanto eu tô la quebrando a cabeça, analisando mapas e caminhos, ele ja perguntou para um desconhecido e ja descobriu tudo, o malandro. E claro que quem fala com todo mundo de vez em quando recebe uma resposta mal educada, ou resposta nenhuma. Mas ele tem por lema o inspirador “won’t take a no for an answer”. E ai ja viu, ele acaba sabendo um monte de coisas, conhecendo gente e fazendo amizade. Tenho muito o que aprender com ele.

Mas, voltando ao nosso programa de ontem. Fomos a uma brasserie simpatica, bem tipica daqui, essa ai da foto.

brasserie

Como o nome sugere, ela fica na Rua Daguerre, perto da Praça Denfert Rocherou, onde estivemos no sabado. A rua é uma graça durante o dia, com suas lojinhas de comida, uma atras da outra. Além das brasseries, cafés, bistrots e restaurantes, até a tarde ficam abertas lojinhas de queijo, de vinho, bancas de frutas, de peixes e frutos do mar, de ostras, chocolates e outras especialidades francesas.

ruedaguerre1

Demoramos um poquinho para encontrar a brasserie ideal, porque os amigos do Thur queriam jogar Settlers of Catan, um jogo de tabuleiro que precisa de um certo espaço e de um lugar que permita o jogo (desde que as pessoas consumam, é claro). Achamos a brasserie que acolheu o grupo e jogamos uma partida, conversamos, bebemos e comemos.

Eu ja tinha jogado Catan no Brasil, numa luderia, então ja estava familiarizada com o jogo, muito apreciado pelos franceses. So tive que começar a pensar nos elementos do jogo em francês: blé, bois, argile, pierre… Entender regras de jogo de tabuleiro em francês é facil. Dificil é entender a conversa informal do grupo, as piadas, as referências. Exige um francês hiper mega plus avançado. So não fiquei frustrada porque o Arthur ja tinha me alertado, que ele fica boiando nas conversas deles na hora do almoço. Isso sim é um curso intensivo de francês.

catan

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11 Comentários

Arquivado em cotidiano, franceses, Paris, passeio

11 Respostas para “Os amigos do Arthur

  1. querida taís,

    eu sempre disse que os franceses são fofos! aliás, acho q sou a única pessoa do mundo que AMA esses caras!

    continue aproveitando a minha Paris.

    bjocas

  2. Nara

    Oi Tais, os amigos do Arthur tinham que ser do tipo que gostam de jogos de tabuleiro mesmo. Dai a facilidade de comunicacao! Mostra as fotos do grupinho de jogadores! Beijo Nara

  3. Adriana

    Oi Taís!
    Olha só, assim como você, também tive boas experiências com os franceses, tanto em Paris quanto no leste da França. São formais, como você disse, mas gostam de uma boa conversa e são curiosos: perguntavam muito sobre a vida no Brasil e tal. Com exceção de um ou outro, voltei com boa impressão dos franceses!
    Estou adorando seu blog! Visito sempre!! Assim, mato a saudade de vocês um bocadinho!
    Ah, novidade: já estou em casa, dispensada do trabalho, esperando apenas a chegada do bebê. Falta pouco!!! Beijão, amiga!

  4. Guilherme

    Mais do que falar francês, o convívio permitirá que vocês pensem em francês. Cada sociedade pensa o mundo de uma forma própria. Um francês pode saber o que é o Sol, mas não o pensa (ou sente) como alguém dos trópicos. Um latino-americano, por outro lado, pode entender de História, mas não pode pensá-la como um francês, que almoça ao pé de Victor Hugo e janta nas calçadas iluministas do século XVIII. Vocês terão a rara oportunidade de entender o que eles falam, como pensam e o que afinal eles sentem. Mágico!

  5. ah, eu gosto de carcassone. custei pra aprender e depois nunca mais joguei… isso, aproveita bastante aí e não esquece dos amiguinhos daqui, ok. bjs

  6. Ana Mesquita

    Olá Taís
    Fiquei muito feliz em saber do seu blog, estou adorando seus comentários sobre a cidade das luzes. Muita saudade e aproveite muito esse momento!
    bjs

  7. Caramela,
    Que gostoso ler as histórias de vocês!!! É como se viajássemos junto…
    Esse Arthur tá saindo um brasileiro bem malandro, hein!! rsrsrs
    Beijos lindona.. saudades!!!!

  8. Oioioi!!!
    Minha primeira visitinha aqui!
    Queria dar um parabéns pelas fotos, que tão lindas! E parabéns tb pela notícia que recebi sobre vcs!
    Tou muito feliz e com muita saudade, doida pra dar o maior abraço do mundo em vc!
    Mil bjinhos, linda!!!

  9. Oi Tais

    Vim aqui por conta do teu pai, mas vou voltar seguido 🙂 Conheci Paris no ano passado visitando minha filha, que ficou um ano morando por aí e estagiando no Pitie Salpitriere (?).

    Eu também preferia Londres 🙂 mas me apaixonei por Paris. Fiquei aí um mês sem nenhuma obrigação a não ser andar.

    E era verão, só choveu duas vezes, paraiso, enfim.
    Um passeio legal de fim de semana é ir até Vincennes (dá para ir de metro) e visitar o Chateau, o Parc Floral e o Bois.
    Alugar bicicleta e pedalar muito. Levem água.

    Levem ou comprem em Vincennes aquele piquenique antes de entrar no Parc.

    E aproveitem muito tudo. Se forem novamente a Montmartre usem o trenzinho que para na frente do Moulin Rouge para subir e descer. É hilário!

    No meu blog tem alguns dos passeios que fiz, se servir de inspiração 🙂
    http://www.gutierrez.pro.br/labels/paris.htm

    abraços

    Suzana

  10. Olá Taís e Arthur,
    ficamos extremamente felizes com essa notícia maravilhosa.
    Um bebê é sempre uma renovação de vida , mas é tambem uma mudança radical em como encaramos a mesma.
    Eu sempre digo que o filho nos divide em antes e depois , sendo que esse depois nos torna mais humanos, tolerantes e tambem aciona e faz jorrar a bombinha do amor que temos dentro de nós.
    Titilinha vai amar ganhar um priminho(a).
    Saudades.
    Agenor, Nelma e ana Cecília

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