Arquivo do mês: abril 2009

Um post triste

A gente perdeu o bebê. Passamos um fim de semana muito triste. Na madrugada de sabado para domingo tive um sangramento pequeno. Fomos para o hospital no domingo de manhã. O médico me examinou e, a principio, achou que estava tudo bem. Uma outra médica fez a ultrassonografia e me deu a ma noticia: minha gravidez não foi pra frente, o embrião não se desenvolveu bem, o coração dele não bate. Ela me mostrou o que estava falando na tela, me explicou mais de uma vez, pra ter certeza de que eu estava entendendo seu francês. Eu entendi desde a primeira vez, mas não queria acreditar.

Ela me disse que nos próximos dias eu devo ter um sangramento mais forte e um aborto espontâneo. Tendo ou não, devo retornar ao hospital nessa quinta, para eles se certificarem se eu consegui expelir tudo.

Fiquei muito revoltada ontem, pensando em por que isso teve que acontecer comigo. Como eu fiquei gravida sem querer e fiquei sabendo aqui em Paris, acabei acreditando que era o destino, que era pra ser assim. E o que todo mundo acha, o que todo mundo fala, né? Mas essas coisas simplesmente não tem sentido, não tem proposito. Acontecem, e pronto. Sem motivo cósmico. Pode haver males que vem pra bem, mas ha males que vem pra mal também.

Não quero usar esse tom amargo, não estou mais me sentindo assim. Fico triste por causa da frustração, porque de repente viro e vejo o frasco de vitaminas que estava tomando, o óleo de amêndoas que eu comprei para passar na barriga e essas coisas me lembram da gravidez.

Mas ja estou raciocinando direito, sei que vamos conseguir ter um bebê no futuro proximo (programamos para o ano que vem ou o proximo, quando a gente pretende ter uma vida mais estavel). Pelo menos, as circustâncias devem estar melhores nos proximos anos, eu devo conseguir parar de tomar uns remédios que podem fazer mal para o bebê, vou conseguir me cuidar melhor e vou estar no Brasil. Enfim, agora é bola pra frente. Pode deixar que ja estou me recuperando. Daqui a pouco volto a escrever aqui com mais frequencia. Da proxima vez, posts mais felizes. Prometo.

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Saint-Malo

Hoje uma das cidades turísticas da Bretanha, já foi terra de piratas. Ok, parece que os habitantes da região não gostam de ouvir que seus antepassados eram piratas. Dizem que eram corsários. A diferença? Piratas saqueiam navios e são considerados foras da lei. Corsários também pilham navios, mas com a permissão de alguma autoridade. E os homens de Saint-Malo tinham a autorização do rei francês para saquear qualquer navio estrangeiro inimigo.

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Tiveram permissão também, desde o século 12, para se desenvolver de forma independente da monarquia francesa. Assim, a cidade enriqueceu, com a pilhagem dos navios estrangeiros, o comercio e os grandes feitos dos navegadores. Essa estatua no fundo da foto, de frente para a muralha da cidadela, é de Jacques Cartier, habitante da região que descobriu o Canada em 1534 e ocupou o território em nome da França.

pascoa-st-malo-052Tivemos a sorte de ficar em Saint-Malo intra muros, a parte histórica. A cidade hoje já é maior e abrange áreas de antigas cidadelas em volta. Ficamos num apartamento dos pais do orientador do Arthur, que, alias, é o orientador mais gente boa que eu já conheci. Ele foi um verdadeiro guia turístico da região e foi muito hospitaleiro. Todos os dias, quando acordávamos, ele já tinha preparado um café da manhã com baguete, croissants, manteiga, geléias, pain au chocolat, cereais, yogurt, café e ainda fazia o suco, espremendo as laranjas na hora. Tudo arrumado com uma louça super bonita, guardanapos de pano e tudo o mais. Não é que ele seja rico não, ele fazia tudo sozinho mesmo, para agradar, foi muito muito muito gentil.

Eu e o Arthur ficamos num quarto que tinha essa vista ai:

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Da pra ver que é dentro da cidade e próximo da muralha. Habitantes comuns da área são as goélands, uma gaivota (mouette) maior e mais gorda que a normal, como vocês podem ver.

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O bichinho é bonitinho, mas apronta. O Jean-Yves, orientador do Arthur, disse que costumava dar pedaços de pão para uma gaivota que sempre aparecia na janela dele. Quando ele não aparecia para dar a comida, ela ficava batendo com o bico na janela, para chama-lo. Um dia acordei e vi essa ai em baixo mexendo nas roupas do vizinho. Fiz um barulho com um saco plastico e ela saiu voando, sem levar nada.

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Voltando à historia da cidade…Saint-Malo foi pesadamente bombardeada durante a Segunda Guerra. Eram bombardeios ingleses, na maioria, pois a região havia sido ocupada pelos alemães. Mais de 80% da cidade medieval foi destruída. Chocante, porque quando a gente chega la, não é o que parece, não da pra acreditar que a maior parte da cidade foi reconstruída. Alguns prédios respeitaram a arquitetura antiga, outros nem tanto. Mas fato é que colocaram a cidade de pé com as pedras amontoadas e despedaçadas pelas bombas. Com a muralha foi igual, parte foi reconstruída e parte resistiu.

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Remparts.Eu já tinha ouvido essa palavra numa musica francesa e acabei aprendendo o significado nessa viagem. São as muralhas, ou muros. Palavra bastante usada na França, onde ainda ha varias cidadelas muradas. Estranho conceito para nos, brasileiros. Eu passeava por dentro da cidade, rodeando o muro e as vezes me perguntava por um instante: Mas não tem segurança? Todo mundo pode entrar? Claro, é uma cidade, na verdade, parte de uma cidade. Eu olhava para aquelas muralhas imensas e ultra resistentes e pensava automaticamente num condomínio fechado. Pra você ver o que são as diferenças culturais. Fazem a gente olhar para o mundo de um jeito estranho. Mais curiosa é a visão do Emil, o colega do Arthur, que aparece na foto abaixo. Ele tem origens turcas, mas cresceu na Suécia. O sueco vê “desorganização”, “caos” e “informalidade” na capital francesa. Porém, não tanto quanto ele via na sua terra natal. Ele, que vive em Paris ha dois anos, esta convencido de que a cidade luz é uma mistura ou, para ser mais clara, esta no meio do caminho entre Istambul e Estocolmo.

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Passear por Saint-Malo é agradável, não só para respirar a historia, mas para ir aos pequenos cafés, creperias e restaurantes que pipocam na região intra muros. Comi um prato de frutos do mar muito bom e crepes bretões, que não poderiam faltar. Faça frio ou calor, é legal passear pela praia e conhecer o forte em frente à cidade.

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So uma dica pra quem vai visitar o forte: olhar antes os horários das marés, porque, como acontece em Saint-Michel, a água sobe e chega aos muros da cidade, como da pra ver nessa foto que o Jean-Yves tirou, num desses momentos. Como vocês podem ver, tem quem se divirta com a situação.

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Atendendo a pedidos

Coloquei um link la do lado direito com as fotos que nos tiramos aqui. Não consigo postar sempre porque ando tendo mais sono que o normal, asia e um pouco de dor de cabeça, enfim, coisas de gravida. Mas pretendemos atualizar sempre as fotos, porque quando eu estiver indisposta ou com preguiça mesmo, o Arthur vai fazer isso pra mim…rsrsrs

Ai que soninho!

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Que trazes pra mim?

So hoje consegui comprar o ovo de Pascoa do Arthur, esse ovo ai e o coelho de chocolate da foto.

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Deixei em cima da mesa com o recadinho:

O coelho da Pascoa passou aqui apressado, confuso e esbaforido para deixar o seu ovo de Pascoa. Ai eu tive uma conversinha com ele:

– Perai, coelhinho, você não acha que esta meio atrasado não?

– Desolé, madame, c’est la grève…

O coelhinho pensou bem e viu que nem a greve francesa serviu como desculpa para atrasar o ovo de uma pessoa tão linda e importante. Dai, ele deixou junto com o ovo uma estatua dele em miniatura, feita de chocolate.

Ele pediu desculpas.

é isso, recado dado.

Beijos,

Tais

Eu sei, ando meio melosa. Dois dias antes do aniversario dele deixei os presentes em cima da cama (gibis e bonequinhos do Asterix e uma caixa de bombons), com um recadinho romântico. Mas depois, no dia do aniversario dele (10 de abril), eu esqueci de falar parabéns logo que acordei porque estava preocupada com a viagem. So fui me tocar algumas horas mais tarde, quando ele recebeu uma mensagem no telefone de feliz aniversario. Ai fiquei meio culpada, mas acho que o coelhinho compensou o esquecimento.

Ah, essa loja de chocolates em que eu comprei o ovo é uma gracinha. O Arthur ainda não quis abrir o ovo, para eu tirar foto, mas os bombons são fofos assim:

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Mont Saint-Michel

Decidimos viajar nesse feriado de Pascoa. Nossos destinos eram Mont Saint-Michel, na Normandia, e Saint-Malo, na Bretanha. No começo fiquei um pouco apreensiva porque achei que podia passar mal em quase cinco horas de viagem de carro, mas foi tudo bem, e foi a melhor coisa que fizemos. Realmente, foram as paisagens mais bonitas que vimos até agora, de tirar o fôlego.

Como são muitas as fotos e cada lugar tem suas peculiaridades, nesse primeiro post falo do nosso primeiro destino. Os outros lugares, não menos interessantes, ficam para os proximos posts. Saimos de Paris na sexta-feira de manhã, eu, o Arthur, o orientador francês do Arthur e um colega deles. Alugamos um carro grande – para o conforto da gravida aqui – deixando a ensolarada Paris e passando pelas cidades frias e nubladas da Normandia. O Arthur foi dirigindo a viagem inteira.

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Eu fui do lado dormindo de vez em quando e, quando acordava, tentando tirar fotos do que achava interessante, mas não deu. Queria fotografar as placas de velocidade 130 km/h, mas elas eram mais rapidas que eu, também gostei das vaquinhas malhadas, das ovelhas e dos campos de flores amarelas, mas elas não esperavam até eu ligar e posicionar a maquina, então vocês vão ter que usar a imaginação porque a fotografa aqui não tem nada de profissional.

O que eu realmente achei curioso na paisagem foi a mistura dessas imagens rurais, bucolicas, com o mar. Ovelhas pastando e gaivotas marinhas sobrevoando o campo. As minhas referências de praias brasileiras são completamente diferentes. Litoral é uma coisa e interior rural, outra. Chegando perto do Mont Saint-Michel, a paisagem é ainda rural, casas de pedra, campos cultivados e muitas ovelhas. São as chamadas ovelhas de “pré-salé”, região de pasto onde a maré chega em alguns periodos. São as ovelhinhas que aparecem abaixo nessa foto linda que, claro, não é minha.

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E estranho imaginar que o monte que a gente vê ao fundo, em terra firme, vai ficar cercado pela agua do mar ao anoitecer. Mas é exatamente isso que acontece. Tanto que o estacionamento onde deixamos o carro avisava: esse estacionamento vai ficar submerso; retirar os carros até as 18h30.

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Descemos do carro e estava frio, ventando e chovendo um pouco. Mas com uma paisagem dessas, nada incomoda. Olha la as nossas caras felizes.

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Chegamos a entrada da ilha murada, que ja foi uma cidadela fortificada (protegida do inimigo e das marés altas) em volta da construção principal, um mosteiro.

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Contam que em 708 o bispo de Avranches mandou edificar no local, chamado de Mont-Tombe, um santuario para São Miguel Arcanjo. No século 10, monges beneditinos se instalaram na construção aos pés da qual foi sendo construida uma aldeia. A aldeia cresceu e chegou até o limite dos rochedos do monte no século 14. Então, construiu-se a muralha de defesa. Foram varias as tentativas de ataque e tomada de Saint-Michel, principalmente as investidas inglesas da Guerra dos Cem Anos. Mas todas fracassaram, graças a arquitetura do lugar e a sua posição estratégica, num terreno em constante mudança – pelo movimento das marés – e exatamente na foz do rio Couesnon, divisa entre a Normandia e a Bretanha.

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Entrando na cidadela, passeamos pelas ruas estreitas, com suas casas de pedra, todas hoje transformadas em estabelecimentos comerciais – lojas de souvenirs, padarias, creperias…Curioso é que algumas pessoas – os comerciantes e suas familias – também moram no local. Ai fiquei imaginando alguém explicando o proprio endereço para um amigo: é no Mont Saint-Michel, na terceira ruela a esquerda, em cima da loja de espadas. Mas olha, se você for de carro é melhor chegar cedo, ou de repente pode pegar um barco mesmo…hehehe

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Visitamos a abadia e descobrimos que ela é local de peregrinação desde o século 12. Grupos de nobres e pessoas do povo, devotos de São Miguel, chegavam quase todos os dias ao local, depois de longuissimas caminhadas (ou seja, o lugar tem vocação turistica desde a Idade Média!) e eram recebidos pelos monges em salas separadas; as pessoas mais simples no térreo e os mais ricos, no andar superior, esse ai da foto.

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O jardim interno superior da abadia é lindo, cercado por colunas feitas por quatro escultores medievais que fizeram detalhes diferentes – relevos florais e representação de animais fantasticos – em cada uma das colunas.

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Numa delas, eles deixaram uma espécie de assinatura artistica – o relevo do rosto de cada um.

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Antes das 18h30 retiramos o carro do estacionamento baixo e estacionamos mais longe, num local superior onde a maré não chegaria. Voltamos para o monte, paramos num café para comer um crepe e esperamos para ver a maré subir e começar a alagar o local. Olha la o estacionamento onde o carro estava no inicio.

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Nos não ficamos até a maré encher completamente, porque tinhamos que partir para Saint-Malo, onde ficamos hospedados. Foi preciso puxar o Arthur do lugar, que so olhava pra tras querendo voltar e ficar até a noite. Mas que da vontade de voltar, isso da.

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Pensamento insistente

Sera que é desejo de gravida? Ou saudades do Brasil? Deve ser as duas coisas. Desde ontem que eu so penso numa coisa: arroz, feijão, frango e polenta. Durante a aula, enquanto a professora falava, eu pensava…hum, arroz, feijão, frango e polenta…Chega a hora do almoço, aquela fome e eu penso: seria tão bom se eu pudesse comer arroz, feijão, frango e polenta…mas tem que ser igual ao que tem na casa da minha mãe.

No caminho da escola de francês até o metro tem restaurante atras de restaurante, cafes, padarias com vitrines recheadas de doces. Mas não adianta…arroz, feijão, frango e polenta. Vai um crepe de nutella? Não, arroz, feijão, frango e polenta. Mariscos e batata frita? Nããão! Panini, crepe três queijos? Non. Então entra num bistrozinho e pede um cardapio completo: de entrada uma salada verde com queijo quente de cabra, como prato principal um ensopado de vitela, de sobremesa, creme brulée, tarte tatin ou profiteroles de chocolate? Hum, deixa eu pensar…arroz, feijão, frango e polenta!!!

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To pensando em ir um dia desses num restaurante brasileiro pra pelo menos comer arroz e feijão, mas frango com polenta do jeito que eu quero acho que não vai ter não. Afinal, os brasileiros que estão aqui costumam ter saudade da feijoada, da picanha na brasa, não desse prato caipira tão simples. Ai, ai ai…

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Na creperia

Na semana passada saimos para jantar eu, o Thur, o Joao Vito e a Marcela, casal de amigos de passagem por Paris para fazer uma conexão para a Italia. Eles ficaram so uma semana aqui, tempo pra ficar angustiado pensando: Nossa, não deu pra ver um monte de coisas.

Nos estavamos comentando justamente isso: como é que as pessoas fazem uns pacotes do estilo: três dias em Paris, três em Londres, dois em Barcelona…e assim por toda a Europa? Eu não ia aguentar, ia dar vontade de parar um pouco em algum lugar. Afinal, a gente demora muito pra descobrir e conhecer as coisas boas de cada cidade. O pior é quando o turista vem pra Paris e faz o roteiro: Louvre, Champs Elysées, Torre Eiffel… Ta certo que é legal conhecer esses lugares, mas é estressante demais, é aquele bando de turista se atropelando, fazendo compras e falando todas as linguas menos francês. Nos estivemos nesses lugares, claro, mas realmente, apesar de serem cartões postais, de perto eles não são a cara de Paris.

Escolhi a creperia Ty Breiz para jantar com meus amigos. Não conhecia o lugar, encontrei nesse blog aqui, que é muito bom, por sinal. E em Montparnasse, um pouco fora da rota dos turistas.

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O blog dizia que a comida era otima, mas o lugar não era tão bonito. Achei a comida muito boa e o lugar bem bonitinho, bem simpatico, cheio de simbolos da Bretanha, região onde fazem o tipo de crepe que comemos.

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Ja tinha dadao uma olhada nesse blog sobre os restaurantes parisienses para ver informações sobre o La Reine de Saba , um restaurante etiope escolhido pelos amigos do Arthur. Gostei do ambiente mas a comida não é pra mim, é mais para quem gosta de sabores exoticos. Além do mais, eu sempre preferi os restaurantes franceses. Por isso tento aproveitar que estou aqui, porque em São Paulo o preço costuma ser mais salgado.

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