Fête de la Cité

Esse fim de semana foi de festa aqui na Cité, como acontece todos os anos. Eu acho que só contei por cima o que é a Cité, onde a gente mora. Então vamos la: a Cité Universitaire Internationale de Paris é um lugar interessantíssimo localizado no 14° arrondissement, uma das regiões bonitas da cidade, não muito perto do centro, na rive gauche.

A Cité surgiu na década de 1920, como alojamento para estudantes da Université de Paris. Com o tempo, decidiu-se pela construção de casas representativas de vários países para acolher os estudantes estrangeiros. A idéia é (e continua sendo) a mistura de povos e culturas num ambiente estudantil, propicio para essas trocas. Hoje, ela tem cerca de 5600 residentes em suas 40 casas que recebem estudantes, pesquisadores e professores de todo o mundo.

Não tem nada a ver com a idéia que a gente tem de cidade universitária e não é só um conjunto de alojamentos. São prédios organizados de cada pais, cada um com uma arquitetura diferente e com uma programação cultural própria. Temos também a Maison Internationale, a casa central da Cité, onde ficam o restaurante central, a biblioteca, a piscina e mais muitas outras coisas (até hoje eu não conheci tudo la dentro).

maison internationale

Aqui, a Bélgica tem o tamanho dos Estados Unidos, a Argentina é vizinha do Canada e o Brasil fica do lado da Noruega, pertinho da India e da Suíça. A maioria dos residentes de cada casa nacional é do pais, mas existe um intercâmbio de moradores. Aqui na Maison du Brésil, por exemplo, 30% dos meus vizinhos são não brasileiros. Tem francês, sueco, paquistanês. ouve-se mais o português, claro, mais a língua oficial na Cité, quando as nacionalidades se misturam, é o francês.

Como a Cité é essa Babel que deu certo – porque todo mundo se entende no francês ou, em ultimo caso no inglês – a festa é também multicultural. No fim de semana, tivemos vários eventos simultâneos em casas diferentes e shows variados na pelouse (gramado) em frente à Maison Internationale. O tempo foi cruel com a festa a céu aberto, ficou frio e chuvoso a maior parte do tempo, mas deu pra aproveitar muito.

Sabado de manhã, fomos aproveitar o café da manhã a 1 euro e 50centavos da Maison des Industries Agricoles et Alimentaires. Nos e mais outros bolsistas brasileiros, que foram tirar a barriga da miséria enquanto a bolsa da CNPq não vem, já que ela sempre atrasa 3 meses.

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A gente comeu tanto, que não sobrou lugar para as especialidades vendidas na casa da Argentina e na casa do Líbano, destinos que eu já tinha marcado na agenda. Mas pra mim, o ponto alto da festa foi a Bourse aux Livres, feita pela biblioteca central. Tinham me falado que a biblioteca ia dar 10 mil livros, mas eu não acreditei que a gente podia chegar la e pegar quantos quisesse. Eu fiquei na fila para esperar as portas abrirem, fui uma das primeiras e chegar e logo depois vi um monte de gente chegando com caixas, sacos e até carrinhos. Realmente você podia pegar quantos livros quisessem, entre exemplares diversos de literatura francesa e mundial. Eu e o Arthur não levamos caixas e selecionamos bem o que queríamos levar.

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No fim, levamos 20 livros, os dois juntos. Victor Hugo, La Fontaine, Balzac, um pouco de historia da arte, dois da Amélie Nothomb (minha autora contemporânea preferida, li dois livros dela aqui na França e me apaixonei), entre outros. Vi la um livro da Amélie que eu tinha comprado dois dias antes.

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Realmente não sabia que essa doação da biblioteca era tão boa. Tudo bem que aqui em Paris você consegue edições ótimas de literatura francesa a preços baixíssimos nas livrarias, porque aqui existe essa forte tradição de venda de livros usados. Ainda tenho que escrever um post sobre o assunto, Paris é realmente o paraíso de quem gosta de literatura. Semana passada eu encontrei numa livraria do Quartier Latin um livro capa dura super bonito de Os Miseráveis por 50 centavos de euro (mas não comprei porque o Arthur já tava perguntando como é que eu ia levar para o Brasil os livros que eu já comprei).

A festa continuou noite adentro, mas a gente saiu antes, porque não queríamos perder a Noite dos Museus, que acontece em varias cidades européias. Aqui em Paris, todos os museus abriram as portas gratuitamente para o publico à noite e de madrugada e muitos ofereceram ainda uma programação especial. Fomos ao Louvre, mas isso também é assunto para outro post.

Hoje, domingo à noite, a festa ja acabou. Na hora do almoço, fomos primeiro à Casa da Índia, porque o Arthur adora a comida indiana.

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Depois voltamos, porque era dia de festa na casa brasileira. Dia de comer feijoada, pão de queijo, docinhos de festa e tomar guarana. Dia de ver capoeira, roda de samba e ouvir musica boa e ruim, mas tudo do Brasil. Do melhor samba de raiz ao funk carioca mais irritante. Mas não importa, o legal foi a animação. Realmente, a alegria brasileira é especial. Fazemos sempre a festa mais animada, os estrangeiros sempre se impressionam.

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Não deu tempo de ir nas outras casas, mas não deu pra deixar de reparar nesse povo ai da imagem abaixo. Não sei de que pais eram, mas achei a dança, a musica e a maquiagem tão curiosas que tirei algumas fotos. Eles passaram bem do lado da casa brasileira na hora da capoeira, cujo batuque ja começava a se misturar à musica indiana, da casa vizinha. Uma salada que é a cara da Cité.

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5 Comentários

Arquivado em festa, fim de semana, Paris

5 Respostas para “Fête de la Cité

  1. jarbas

    Filha,

    Mais uma matéria porreta. Quero mais. Beijão, Jarbas.

  2. HEHEHE, DEVIA TER FEITO ENCOMENDAS DE LIVROS PRA VCS, HEHEHEH!
    SAUDADINHAS!

  3. em londres eu também achei os livros muito baratos. por uma libra dava pra comprar coisas boas, livros de capa dura, novinhos até. mas também não trouxe muitos por esbarrar na questão do excesso de bagagem. [agora, vem cá, o arthur tem que fazer essas perguntas sem graça, humpf. deixa a tatinha comprar os livros, minino! hehehehe.] bjs

  4. Ana Mesquita

    Que vida boa hein Taís?
    Aproveite tudo!
    bjs

  5. Tati

    E eu esta noite sonhei que estava em Paris com o Momo e chegava a um lugar lindo, incrível que não conhecia – a cara dos quadros do Monet! E o diretor de uma livraria me explicava que era o Crusp parisiense. Transmimento de pensação? rs…

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