Arquivo do mês: junho 2009

A Parada Gay de Paris

Na noite do dia 27 para a madrugada de 28 de junho de 1969 um grupo de frequentadores do bar Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village, em Nova York, decide revidar contra as ações violentas e homofóbicas da policia, que frequentemente fazia batidas nos bares gays. Um travesti conhecido como Sylvia Rivera joga a primeira garrafa  sobre um policial, ato que seria seguido por outras pessoas, causando uma pequena rebelião, fortemente reprimida, com o espancamento e a prisão de homens julgados “muito afeminados”. Durante as 3 noite seguintes ocorrem manifestações e enfrentamentos no bairro. No ano seguinte, grupos de gays e lésbicas voltam ao mesmo estabelecimento para lembrar os atos condenáveis que aconteceram no local. Esse ato, inicialmente espontâneo, foi a primeira manifestação de gay pride (orgulho gay) e deu inicio ao movimento gay em todo o mundo.

A partir de então, outros países começam a organizar, no mês de junho, paradas, desfiles e manifestações que lembram o episódio de Stonewall e colocam em evidência as lutas atuais do movimento. Lutas por direitos ainda básicos, contra a violência e a discriminação num mundo que só recentemente e a duras penas aprende a conviver com as diferentes orientações sexuais. A violência de Stonewall não foi um caso isolado nos EUA, que na época penalizava a homossexualidade em quase todos os Estados. Mesmo na França, país de grandes pensadores humanistas, das manifestações libertarias de 1968, a homossexualidade era considerada um delito até 1982. Depois da despenalização da homossexualidade, foram varias as vitórias do movimento, que ainda hoje tem que lutar contra o preconceito da sociedade, do conservadorismo e das religiões. Em 1999, o país deu um grande passo em direção à igualdade, com o reconhecimento legal das uniões de casais do mesmo sexo, através do PACS (Pacte Civil de Solidarieté). Similar à União Estável brasileira, o PACS da a casais homossexuais ou a casais heterossexuais que preferem não passar pelo tradicional casamento, os mesmos direitos civis dos casais formalmente casados.

Agora em 2009, quarenta anos depois dos episódios de Stonewall, 10 anos depois da aprovação do PACS, a Marche des Fiertés LGBT (Marcha do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgênero) aparece com o tema Fier-e-s de nos luttes, a quand l’egalité reele? (Orgulhoso(a)s de nossas lutas; e quando vira a igualdade real?). A França pode ser menos homofóbica que o Brasil, mas por aqui também acontecem espancamentos e assassinatos por discriminação sexual a ainda ouvimos declarações absurdas de políticos e autoridades.

Altamente politizada, como quase todas as manifestações aqui na França, a Marcha de 2009 foi também um momento alegre, descontraído, uma verdadeira festa que abriu em grande estilo, com a presença da cantora americana e ídolo da comunidade gay, Liza Minnelli.

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A Liza ficou só um pouquinho e logo desceu do primeiro carro, mas a gente continuou seguindo a marcha, que tava animada e ao mesmo tempo tranquila, sem muvuca, briga ou comportamentos agressivos. Tudo na maior paz, com homossexuais, heterossexuais, bi, trans, adultos, adolescentes, crianças, famílias, com discursos diferentes, mas levantando a bandeira comum da tolerância, da liberdade e, claro, da festa. Não fomos até o fim da Marcha, porque ontem era nosso primeiro dia de Fête du Cinema, mas conseguimos acompanhar boa parte do começo e ainda demos um pulinho na Bastilha na hora do desfecho. O clima era de carnaval, com musica alta e aquele solzão batendo na cara.

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Entre os destaques, como sempre, as roupas das pessoas fantasiadas e o brilho das drags, que não conseguiam dar dois passos sem posar para fotos, de tanto sucesso que fizeram:

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Essa família assistia à Marcha com uma placa que dizia: Nosso filho é gay e nós somos felizes!

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Teve um carro só de pais de homossexuais e outro de casais homossexuais que têm filhos:

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Parada Gay Paris 056E carros das comunidades árabe, judaica, asiática, africana…Teve até carro de gays católicos no mesmo ambiente em que muita gente critica ou tirra sarro de algumas atitudes da Igreja:

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Todas as cores, culturas, credos e orientações sociais. Foi um dia colorido, como sempre tem que ser uma parada gay, com franceses em ritmo de carnaval, mais calorosos que o comum. Homens e mulheres andavam com a plaquinha Free hugs e saim distribuindo abraços gratuitos, para todos, para quem quisesse fazer parte da festa. Até o Arthur, que não quis tirar fotos com as drags, se empolgou quando passaram os grupos de meninas sem camisetas, só de soutien. (por que sera, né? rsrsrs) Ta vendo? Tem lugar pra todo mundo na Marcha.

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Pra matar a saudade

Quem ta muito tempo vivendo aqui em Paris, aproveitando tudo o que a cidade tem, mas com aquela saudaaaade do Brasil não pode perder a Festa Junina daqui da Maison du Brésil, na Cité Universitaire (Boulevard Jourdan, 14º arrondissement). Vai ser no domingo, dia 28 de junho, das 15h às 22h. Comida tipica, quadrilha e animação brasileira. A gente so não garante o frio que costuma acompanhar a festa no Brasil.

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Como a maioria das pessoas que lê esse blog esta no Brasil, pensei na situação inversa: e quem ta no Brasil com saudades de Paris faz o que? Olha, tem um monte de atividades culturais francesas nesse Ano da França no Brasil. A Keux, leitora do blog, deu otimas sugestões nos comments do post anterior. Tem a exposição do Serge Gainsbourg no Sesc Paulista até o dia 7 de setembro e um ciclo com escritores franceses no Sesc Vila Mariana, com destaque para a Catherine Millet (to lendo agora, em francês, La vie sexuelle de Catherine M.), no dia 7 de julho. Esses eu não perderia!

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Vive la Fête de la Musique!

21 de junho é dia de festa, dia da música aqui na França. Criada em 1982 pelo governo francês, a festa nacional já cresceu tanto que, além de envolver todo mundo por aqui chegou a outros países, principalmente os europeus. No começo da década de 80, o Ministério da Cultura manda fazer um estudo sobre o comportamento cultural dos franceses e descobre que pelo menos 5 milhões de franceses tocavam algum instrumento, pratica de 1 em cada 2 jovens. Apesar do número alto, que destacava a França dos outros países europeus, era ínfima a quantidade de shows e concertos de músicos franceses em território nacional. Então foi criado um dia inteiro dedicado à música, com o lema: Faites de la musique, Fête de la Musique, incitando todos os músicos amadores ou profissionais a se apresentarem nesse dia. Escolheu-se o 21 de junho, dia de solstício de verão, dia de festa segundo a antiga tradição pagã.

Nesse ano a Fête de la Musique caiu num domingo. Apresentações por toda Paris. Dos grandes, como o concorrido concerto do Louvre para 2 mil pessoas a pequenas apresentações que alguns músicos fazem em suas próprias casas, para 20 ou 30 pessoas.

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Gente saindo com violão, violino, teclado para tocar nas ruas, musica popular, clássica, rock, pop, reggae, musica africana, étnica, infantil, para todos os gostos. Tudo de graça, em espaços abertos ou fechados, por toda a cidade. Dia de festejar, de beber (alguns exageram, é verdade), de confraternizar, de cantar, ouvir, tocar um instrumento, dia de sair às ruas, de lotar as calçadas e transportes coletivos.

Nos vimos a programação geral e decidimos ir ao show do castelo de Vincennes (o lugar é um espetáculo à parte), promovido pela Fnac, principalmente pela apresentação da Anaïs, uma das nossas cantoras preferidas aqui na França. O show prometia também a presença de Peter Doherty, o grupo Anis e outros.

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Depois da atração infantil, começaram a se apresentar as bandas de rock, jazz e blues. O apresentador anuncia que uma das apresentações esperadas da noite, o Peter Doherty, não ia aparecer. Os shows continuaram e, cada vez mais, o publico ia chegando, para ver o momento mais esperado, o show da Anaïs, que aconteceu la pelas 19h30. A gente esperou sentado, com a nossa cervejinha, tentando aproveitar o sol, quando ele aparecia.

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Um pouco antes de a Anaïs entrar no palco a gente se juntou à multidão para ver melhor o show. Platéia francesa é calma, nem se compara com os brasileiros. O que é bom por um lado, porque a gente chegou tranquilo a um bom ponto em meio ao publico. Mas, por outro lado, da uma aflição de ver aquele povo que não grita, não pula. Verdade que quando a Anaïs entrou, fazendo graça, animou um pouco mais o pessoal, mas é uma animação que não chega à metade da energia de uma platéia brasileira. Mas, pouco importa, os artistas aqui estão acostumados e o show, embora curto, foi ótimo.

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A Anaïs, essa mocinha acima, é uma cantora e compositora engraçadissima, super talentosa, que lançou seu primeiro álbum em 2005, uma produção de baixo orçamento chamada The Cheap Show. Ela ficou muito famosa aqui na França com esse disco, com hits que quase todo francês conhece como Mon Coeur, Mon Amour, em que ela tira sarro dos casais apaixonados que se chamam por apelidinhos amorosos e se telefonam a cada 5 minutos. Achei esse show no YouTube, de quando ela começou a fazer sucesso.

Ela lançou o segundo disco – The Love Album – no ano passado, com canções mais divertidas como os hits Le premier amour e Peut-être une angine, e musicas mais sérias, como a inusitada e muito bonita Elle me plaît, uma delicada declaração de amor a outra mulher, o que surpreendeu um pouco seu publico. Deixo aqui outro vídeo do Youtube de uma de suas musicas mais conhecida e tocadas nas rádios atualmente – Le premier amour – e a letra, pra quem quiser cantar junto e treinar o francês.

Le premier amour

On s’est rencontré un beau soir d’été
On a fait l’amour, un beau jour aussi
On n’ s’est plus quitté, on n’ sait plus pourquoi
Mais ça a duré des mois et des mois
Voire des années

J’aimais les cinés, les douches et les sorties
T’étais casanier et tu prenais des bains
Tu voulais toujours avoir le mot de la fin
Et moi, je ne disais jamais rien

Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours
Et ça marche pas !
C’est n’importe quoi !

Je n’ me souviens pas de quoi on parlait
Tu étais maladroit et tellement coincé
Comme ça n’allait pas, on ne parlait que d’ ça
Et tes mots d’amour me faisaient pleurer
Des jours entiers

J’écoutais en silence les blagues de tes amis
Et toi, de ton côté, tu supportais les miens
J’étais plutôt du soir, toi plutôt du matin
Comment veux-tu qu’ ça finisse bien ?

Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours
Et ça marche pas !
Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours

Pour toi, j’ai regardé des matchs de basket
Pour moi, tu regardais un peu moins le basket
Pour toi, j’ai cru que j’aimais ce que je n’aimais pas
Pour toi, je serais allée au bout du monde
Sans moi, tu es parti au bout du monde
Sans toi, j’ai cru que la fin du monde était là

Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours
Et ça marche pas !
Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours

C’est n’importe quoi !

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O castelo das mulheres

Junto com Chambord, Chenonceau é um dos castelos mais bonitos do Vale do Loire. Impressionante não só pela arquitetura, por seus jardins e bosques, mas por sua localização, atravessando o rio Cher, de margem a margem, e deixando um reflexo lindo na água.

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Uma fortaleza medieval da casa nobre de Marques ocupava o local onde fica o castelo, de 1243 a 1512. Em 1513, as terras foram vendidas para o nobre Thomas Bohier que, por influência de sua mulher Catherine Bohier, decidiu derrubar a construção medieval e construir um castelo renascentista no lugar. A única parte da antiga fortaleza conservada foi uma torre, mantida para servir de moradia para o guardião do castelo.

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Thomas e Catherine morreram alguns anos depois do término da imensa obra. O filho do casal teve o castelo e as terras confiscadas pelo rei Francisco I, pela falta de pagamento de dívidas com a coroa. Dizem que, na verdade, a propriedade foi confiscada em 1533 porque o rei estava de olho naquela maravilha tão bem localizada no Vale do Loire.

O poderoso Francisco I passou alguns dias no castelo, acompanhado da família, sua mulher, sua amante oficial e seu filho Henrique II e de amigos, como Catherine de Médice e Diana de Poitiers. Essa ultima tornou-se a famosa amante de Henrique II, desde os 12 anos de idade do príncipe. Alguns anos mais tarde, com 15 anos, ele se casa com Catherine de Médice, que tinha a mesma idade do príncipe, mas continuaria ligado a Diana até a morte, apesar da diferença de 19 anos entre os dois.

O romance de Henrique II e Diana de Poitiers é cheio de lendas, historias e boatos. Dizem que a aproximação de Diana do príncipe ainda adolescente foi idéia do rei, que queria que ela colocasse juízo na cabeça de seu filho. Fato é que, desde que se tornou rei, centralizando o poder, Henrique II sempre deixou muito claro o lugar especial de sua amada. Nunca nenhuma amante tinha tido tamanho poder sobre a monarquia francesa. Henrique II vestia-se sempre de preto e branco, as cores preferidas de sua amada, e escolheu para si o emblema da lua crescente, símbolo da deusa Diana. Existem varias obras de arte que representam a nobre vestida como sua homônima, a deusa da caça, como a tela abaixo, presente em um dos cômodos de Chenonceau:

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Em outras obras, Diana de Poitiers aparece nua, para ressaltar sua lendária beleza, como nessa tela da escola de Fontainebleau:

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O rei não mostrava sua adoração por Diana apenas nesses gestos simbólicos. Ele deu a ela jóias, recursos reais e, mais importante, o castelo de Chenonceau. Sob o comando de Diana, o castelo floresceu. Ela mandou construir o corredor do castelo que atravessa o rio e um jardim esplêndido.

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Ampliou a parte construída da propriedade, que administrava muito bem. Apesar da passagem dos anos, parece que Diana conseguia, milagrosamente, conservar sua beleza. Dizem que seu segredo era acordar cedo todos os dias e mergulhar na água fria que banhava o castelo. Dentro do castelo, podemos ver em praticamente todos os cômodos um simbolo real concebido por Henrique II que consistia no entrelaçamento das letras H, de sua inicial, e C, de sua mulher Catherine. As duas letras entrelaçadas acabam formando um D, de Diana.

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Em 1559, Henrique II é ferido seriamente no olho durante um torneio, o que leva a sua morte. A rainha viúva – dizem que por ciume ou talvez tentando mostrar quem realmente manda – retoma Chenonceau e algumas jóias que foram dadas a Diana. A famosa amante é expulsa do castelo encantado e transferida para um palacete menor e menos importante da região. Catherine – essa mulher brava que aparece no retrato abaixo – não mudou as construções de Diana, mas construiria outro jardim no já impressionante domínio de Chenonceau, para rivalizar com o lindo jardim da amante. Hoje, a propriedade tem dois jardins em estilos diferentes: o de Diana e o de Catherine.

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O castelo ficou nas mãos da família real e foi passado como herança para famílias nobres, parentes da realeza, até 1733, quando o duque de Bourbon vendeu Chenonceau para um burguês, o banqueiro Claude Dupin. A esposa de Claude, uma amante das artes, da ciência e da literatura, resolveu transformar o palácio renascentista em ponto de encontro de artistas e intelectuais. No local, ela adaptou laboratórios, salões e teatros por onde passaram intelectuais como Voltaire, Montesquieu, Rousseau e o biólogo Buffon.

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Durante a revolução, a ação de Madame Dupin foi essencial para salvar o castelo de revolucionários precipitados que queriam destruir tudo. Ela teve a simpatia dos líderes da revolução por ter abrigado filósofos de ideais revolucionários e conseguiu convencer os combatentes mais raivosos a manter o castelo, dizendo que ele era a única ponte entre os dois lados do rio. Ela teve que fazer alguns sacrifício pelo castelo. Assim, a propriedade abrigou revolucionários e suas armas e a capela foi transformada em deposito de madeira.

Seus esforços valeram a pena. O castelo foi poupado e, depois do curto período de lutas revolucionarias, o lugar voltou a ter a paz e a graça de antigamente. Foi nesse paraíso que Madame Dupin viveu até sua morte, aos 93 anos. A benfeitora do castelo esta la até hoje, seu tumulo fica no bosque do Chenonceau, hoje visitado por milhares de turistas.

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Chenonceau é conhecido como Château des Dames pela importância que as mulheres tiveram em sua construção e manutenção. Desde 1513, com o planejamento e primeiras construções de Katherine Briçonnet, passando pelo embelezamento da propriedade promovido pelas rivais Diane de Poitiers e Catherine de Médice, até a ação determinante de Madame Dupin, graças a quem o castelo passou incólume à sangrenta Revolução Francesa.

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Dia de folga pra ver Rodin

Hoje foi dia de excursão da escola…hehehe. Parece que voltei para o primário, né? Saímos os alunos e nossa professora querida para o Museu Rodin, uma das maravilhas de Paris pra onde eu pretendo voltar uma segunda vez, com o Arthur.

Não deu tempo para ver tudo, porque ficamos la só uma manhã e, no fim, fomos todos para um café. Foi ótimo, porque deu tempo para conhecer melhor as pessoas e para conversar um pouquinho. E, claro, dar uma olhadinha na obra do Rodin. Um momento fez o meu dia: a vendedora de ingressos me deixou entrar de graça no museu! Explico: aqui em Paris, menores de 26 anos entram de graça em muitos eventos culturais. Maiores de 26 têm que pagar. Como tenho carteira de estudante, às vezes consigo um desconto, mas alguns lugares só dão desconto para estudantes com menos de 26. Mais que isso, paga tarifa completa, o que me faz me sentir velha, é um saco.

Na bilheteria do Rodin, ficamos sabendo que menores de 26 não pagavam nada e que maiores com carteirinha pagavam tarifa reduzida. Uma parte da turma, que é mais nova, entrou de graça, a outra parte teve que pagar. Pensei: bom, pelo menos temos um descontinho. Chegando na minha hora de pagar, ia abrindo a carteira, mas a vendedora olhou para a minha cara e, automaticamente, imprimiu um bilhete gratuito, sem perguntar nada. Amei! Porque não tive que pagar e porque fiquei me achando “a novinha”…rsrsrs

O que o Museu Rodin tem de mais especial é o jardim. Grande, cheio de esculturas, roseiras e bosques. No destaque, a famosa escultura do pensador, que também esta presente do lado de dentro, em modelo reduzido.

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Na parte interna, outras obras conhecidas, como O beijo e A defesa:

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Outras obras que eu não conhecia, mas muito curiosas, como esse Balzac nu, com a pança de fora:

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No fim, passeamos um pouquinho pelo jardim, mas, como disse, não o suficiente para conhecer tudo. Fico devendo a Rodin e ao museu uma visita mais atenta e, a vocês, um post mais detalhado. Mas hoje foi mesmo um dia de confraternização, que acabou num café ao lado do museu, em meio a uma boa conversa e muitas risadas.

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A (quase) invencível torta de limão

A gente viu a dica do restaurante Le Loir dans la Théière no Conexão Paris e resolvemos testar, na semana passada. Fica no Marais, o bairro onde faço curso de francês. Então, numa tarde em que o Arthur não teve que trabalhar, saímos la do curso e fomos conferir o restaurante que já parecia bem simpático pelas fotos.

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O ambiente é descontraído, o atendimento é bom e, aparentemente, feito pelos próprios donos, e as tortas são o destaque da casa. Principalmente as doces, que ficam expostas no balcão. O cardápio é simples, tem os sempre presentes quiches e tortas, mas a gente já comeu tanto quiche e torta salgada aqui em Paris, que ficamos meio enjoados. Então, eu pedi a massa do dia e o Thur, um omelete recheado.

Foi difícil escolher a sobremesa, todas as tortas são lindas, principalmente a de damasco. Mas meu olho maior que a barriga não saia de cima da torta de limão, que era muuuuuuito grande! O Arthur pediu a torta de chocolate, comme d’habitude.

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Olha la! Viu o tamanho do meu pedaço? Agora imagina que essa parte ai de cima da torta é puro marshmallow! Pois é, tava uma delicia, mas não consegui vencê-la. O Arthur, formiga bem criada, comeu a dele, de chocolate, e o que sobrou da minha.

Recomendo o restaurante a quem vier a Paris, principalmente por causa das tortas. O preço é bom, se não me engano cada torta ficou em 6,50 euros. Agora, pense em experimentar os outros sabores. Lembre-se: a torta de limão é para profissionais!


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O ar de Paris

Ontem umas meninas da aula de francês comentavam que o dia estava lindo, mas reclamavam do ar de Paris. Ao que parece, todas elas têm mais rinites, alergias e doenças respiratórias aqui. Diziam que nas cidades onde moravam, no Canada, na Alemanha, na Espanha e em outros países, não tinha “toda essa poluição”. Eu comentei que comigo aconteceu justamente o contrario. Desde que cheguei aqui não tive alergia e rinite e, em São Paulo, vivo espirrando.

São Paulo é mais poluída que Paris?, pergunta a canadense, ingênua.

Digamos que…assim…um pouquinho mais. O ar é menos respirável, os rios um tantinho mais sujos, o trânsito, levemente mais irritante…Sinceramente, pra mim, quem vive em Paris tem uma super qualidade de vida e não sabe o que são os problemas de uma cidade como São Paulo, gigantesca e desigual. Enfim, não quero ficar aqui falando mal de São Paulo, porque apesar de todos os seus dramas, continua sendo a minha cidade.

So queria dizer que aproveitei o sol do dia de ontem pra dar uma passeada por ai e respirar fundo (pra pulmões paulistanos o ar daqui t mais do que bom), e ver uns lugares que ficam mais bonitos nos dias ensolarados. Decidi andar na margem esquerda do Sena, de Notre Dame até a ponte Charles de Gaulle. Aproveitei pra tirar umas fotos, que coloco aqui pra vocês verem que não minto sobre esse dia estava especialmente bonito.

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