Arquivo do dia: 03/06/2009

O “interessante” hospital St-Louis

Domingo, depois de passar uma tarde na Torre Eiffel (foi a primeira vez que subimos la), decidimos fazer um passeio a pé indicado pelo nosso guia de viagem. Queria conhecer o Canal St-Martin, então fizemos exatamente o caminho indicado pelo guia.

Paramos na estação Stalingrad do metrô e vimos a primeira atração indicada, a Barrière de la Villette, um guichê de pedágio da Paris do século 18, muito bem conservado.

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Logo em frente, tem uma praça, “bela” segundo o guia, com fontes e terraços da década de 1980. Diferente da foto do guia, a fonte estava seca, e o ambiente não era dos mais charmosos. A gente ja tinha visto que estávamos no 19º arrondissement, uma das áreas ditas perigosas de Paris, mas como era mais uma das noites ensolaradas parisienses, continuamos e decidimos voltar assim que começasse a escurecer.

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Primeira imagem estranha do dia. Ta vendo na foto acima, as colunas nas laterais? Na direita, era um barzinho animado cheio de gente. Mas à esquerda era um cantinho escondido com sofás, colchões velhos e papelões, que à primeira vista parecia um alojamento provisório de mendigos. Reparando bem – e qualquer um da margem direita conseguia reparar – acontecia algo muito estranho la dentro. Eram uns cinco caras mal-encarados e uma ou outra mocinha que entrava e saia do pequeno “esconderijo”. A gente percebeu que la dentro tinham algumas bolsas, sacolas; os homens experimentavam calças, camisas. Uma hora um deles olhou o conteúdo de uma bolsa feminina e jogou a bolsa de lado. Pareciam coisas roubadas. Estranhei, é uma cena que eu nunca tinha visto na Paris que conhecia até agora.

Apesar do grupinho suspeito, isolado nesse cantinho, as pessoas passeavam e faziam pique-nique tranquilamente às margens do canal. Logo em frente tem uma rede de cinemas, que também estava cheia. As salas ficam dos dois lados do canal e, pra fazer charminho, tem um barco que leva os clientes de um lado para o outro.

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Depois de errar um pouquinho a direção, voltamos para o caminho indicado pelo guia…”Volte para o Quai de Jemmapes, onde, no nº 134, situa-se um dos poucos prédios industriais de tijolo e ferro que ocupavam toda a margem do canal do século 19…

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…Mais à frente, esta um prédio de apartamentos  em Art Déco, com azulejos e balcões de ferro batido. No térreo, encontra-se um tipico café proletario dos anos 1930…

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…nesse ponto o canal faz uma curva graciosa…

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…para seu terceiro dique…” Ops, nesse ponto tivemos que interromper o passeio. Para meu susto, eu tive, de repente, uma bela hemorragia, que, em poucos minutos, ja manchava minha calça e qualquer coisa em que eu encostasse, o sangue ja chegava a ensopar minhas meias e, mesmo que eu não tenha desmaiado nem passado mal, comecei a me sentir fraca, talvez pelo susto. A sorte é que, perguntando na rua, descobrimos que estávamos pertinho de um hospital, o St-Louis. Fomos correndo para la e, de la me mandaram de ambulância para o hospital onde eu fui tratada pela primeira vez. Felizmente, a ultrassonografia não apontou nenhum problema. A médica disse que isso pode acontecer um mês depois do aborto natural, que chega a ser “quase normal”. Bem que podiam ter me avisado antes, né? Eu não teria passado esse sufoco no meio da rua.

No fim, sangrei bastante até terça-feira. Hoje, os remédios para parar a hemorragia começaram a funcionar. Ja estou bem de novo, so preciso tomar ferro por um mês e fazer exame para ver se não estou com anemia (mas acho que não). Ela falou que eu não devo ter mais nada na próxima menstruação. De qualquer jeito, vou ficar mais atenta. Quem me conhece sabe como eu sou zicada e como acabo “frequentando” os hospitais.

Quando eu tava mais calma, deitada numa cama do hospital, esperando uma ambulância, o Arthur abre o guia, para ver qual era  a próxima atração, que a gente teria perdido. Para a nossa surpresa: “Vire à esquerda na rua Bichat, que vai até o interessante Hôpital St-Louis, do século 17. Entre pelo velho portão principal, com pórtico alto e arco de pedra,e chegue ao patio e jardim O hospital foi fundado em 1607 por Henrique IV, primeiro rei da dinastia dos Bourbons, para cuidar das vitimas da peste.” Dai, o Arthur não aguentou a piada pronta: “Oh Tatinha, você tinha que entrar no hospital né? Não era pra entrar, era so pra passar por perto, você não entendeu. Eu não passo com você perto daquele hospital do Hôtel Dieu de jeito nenhum, viu? Se nesse hospital do século 17 você ja fez isso, imagina se a gente passa na frente desse outro, do século 12”

Quando sai do St-Louis de ambulância, da janela de trás do carro, olhei a placa que confirmava: “1607 -2007: 400 anos de medicina”. E segui olhando Paris à noite da perspectiva do doente levado na ambulância. Interessante, detalhes de monumentos e edifícios que a gente vê em ângulos inusitados, de baixo pra cima, so o que esta no alto. Da outra vez que usei os préstimos (caros, por sinal) de uma ambulância parisiense era um dia ensolarado. Ai meu Deus, to me acostumando com as ambulâncias daqui. Mas acho que ja deu, né? Chega de hospital, espero.

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