Arquivo do mês: julho 2009

As livrarias do Quartier Latin

Sempre que passo pelo Boulevard St-Michel, no Quartier Latin, dou uma olhada nas livrarias de la, principalmente nos livros d’occasion (livros usados, muito baratos). Essa semana, por exemplo, vim toda feliz pra casa porque comprei a biografia da Camille Claudel por 20 centavos de euro na Boulinier. Minha livraria preferida é a Gilbert Jeune, quase onipresente, com 8 unidades, na Praça St-Michel.  O interessante da Gilbert Jeune é a cara de livraria antiga, tradicional, sem o ar de modernidade,  mas também sem a beleza e o conforto de uma Fnac, por exemplo.

gilbert jeune

No Brasil, eu sempre preferi o conforto da livraria Cultura e os livros novos aos sebos, porque infelizmente minha rinite nunca me deixou passar muito tempo num lugar pequeno forrado de livros velhos. Em Paris, a coisa mudou. Como eu já falei aqui, talvez por causa do ar mais limpo, não tenho mais as crises de rinite. Então estou conseguindo ler livros velhos, cheios de ácaros, sem problemas. Ai já viu, eu, uma apaixonada por literatura, livre da alergia e sem muito dinheiro no bolso, elegi o Boulevard St-Michel como meu paraíso.

E dentro do Boul Mich – apelido que os estudantes frequentadores deram para o boulevard – a Gilbert Jeune se destaca porque tem os livros d’occasion organizados, junto com os livros novos. Não se trata de uma livraria que vende livros novos e que também tem um espaço para o sebo. Ela mistura livros novos e velhos. Então, por exemplo, você esta interessado num livro do Victor Hugo, em formato de bolso e usado, pra ficar bem baratinho. Você vai até o andar de livros de bolso, procura a seção de literatura francesa e acha o que quer, organizadinho, separado por nome de autor. Você pode até comparar o preço e o estado de conservação da obra, porque eles vão ter a opção do livro novo e do usado,  juntos. Pela organização e conservação dos livros, a gente acaba pagando mais caro que nos sebos que vendem livro de baciada. Então, em vez de pagar 50 centavos por um classico, você pode pagar 2 euros, mas na nessa livraria você tem mais variedade e sempre acha o que quer.

Ja a Boulinier é pra quem gosta de garimpar. Ha outros sebos similares na região, mas essa livraria de usados é maior e tem preços realmente muito baixos. Ficam varias caixas na rua de livros a 20 e 50 centavos. Foi numa dessas caixas que encontrei esse ultimo livro que comprei. Mas dessa vez dei sorte; geralmente, tem que procurar o que você quer no meio de muita coisa ruim, uma mistura impressionante de autores que não tem nada a ver um com outro.

boulinier

Toda essa região do Quartier Latin, proxima ao Sena, é cheia de livrarias, atendendo tradicionalmente aos estudantes da Sorbonne e de outras instituições de ensino proximas. Os turistas, principalmente os de lingua inglesa, gostam de conhecer a historica Shakespeare and Company, um ambiente curioso com seus livros desorganizados, animais adotados (cachorros e gatos) que rondam por la e as reuniões de escritores de lingua inglesa, que acontecem no segundo andar, onde qualquer um pode subir e onde ficam os livros que – pasmem – não estão à venda. Isso mesmo, é so para olhar. Resumindo, a Shakespeare and Company é um lugar interessantissimmo para visitar. Pra compras, é melhor ir na rede Gilbert Jeune la perto ou numa Fnac da vida.

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Curioso isso! Quando comecei a escrever esse post, eu ia falar do livro Une Femme, a biografia da Camille Claudel que estou lendo atualmente. Mas ai comecei a falar dos sebos, ai lembrei das livrarias e fiquei pensando no Quartier Latin, no boulevard e especialmente na praça St-Michel. Até hoje eu tento, sem sucesso (porque nunca fui boa nessas classificações),  encontrar meu cantinho preferido em Paris. Eu acho que é la, na praça. Claro, não é o lugar mais bonito, nem é agradável para muita gente, porque as vezes fica lotado, mas é o lugar em que me sinto em casa. Pra completar, fica do ladinho do Sena. Isso! Acho que encontrei meu lugar preferido por aqui. Pra quem quiser conhecer, é só sair na estação St-Michel de metrô ou do RER e dar de cara com a linda fonte com a estatua de Saint Michel (conhecido no Brasil como o arcanjo São Miguel), garimpar um bom livro e aproveitar para ler às margens do rio.

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PS: esqueci de falar dos tradicionais bouquinistes, que ficam naquelas barraquinhas verdes nas margens do Sena. Tem muita coisa interessante entre os livros usados, mas é tudo mais caro. A biografia que comprei por 20 centavos, por exemplo, vi la por 7 euros.

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A bela Nice

Voltamos nessa terça à noite de uma viagem de 4 dias em Nice, na Côte d’Azur, ou Riviera Francesa. O interessante da França é que o cenário muda muito de uma região para outra, reflexo de povos e costumes bem diferentes. Nice é uma maravilha, mas muito diferente das regiões que conhecemos até agora. Parece a Itália, foi o que sentimos ao chegar no hotel, no centro velho da cidade. São casarões em varias cores de tom pastel, varais, roupas e outros objetos nas janelas, além das ruas estreitas para pedestres.

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De fato, a cidade foi italiana até 1860. Nice, em italiano Nizza, tem os nomes das ruas grafados nos dois idiomas. Tem um passado longo. Foi fundada pelos gregos como Nikaea, que significa “vitoriosa”. Posteriormente, foi colonizada pelos romanos e manteve-se por muito tempo nas mãos de reinos italianos. Ouve-se muito o italiano pelas ruas, seja dos numerosos turistas que vêm do pais vizinho ou dos franceses da Córsega, onde até hoje fala-se também um dialeto italiano. Uma balsa leva os carros de Nice até a Córsega, nesse porto, que ficava próximo do nosso hotel:

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A cidade se espreme entre colinas e o MarMediterrâneo. Uma das colinas mais conhecidas é a colina do Castelo, que separa a cidade velha do porto. La em cima ha vestígios da presença grega no local e ruínas de um antigo castelo. De la temos uma linda vista da cidade e do mar:

Nice 029A praia é de pedra, então precisa pelo menos de uma toalhinha para tomar sol em cima. Quem ja esta acostumada com o lugar, leva uma boia para colocar a toalha em cima e não deitar sobre as pedras. Entrar no mar pode ser um pouco chato no começo porque as pedrinhas incomodam, mas a gente da dois passos e daqui a pouco ja esta no fundo, ai sim é uma delicia. a água não é muito fria e é azul, azul! Olha la o Arthur sofrendo para andar nas pedrinhas…hihihi

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Os restaurantes do cidade velha ficam sempre cheios, principalmente à noite. Como era de se esperar, são muitas as opções de restaurantes italianos.

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Falando em restaurante, recomendo para todos o Bistrot d’Antoine, o melhor lugar em que a gente comeu aqui na França, realmente a melhor relação custo-beneficio, sem falar na simpatia.

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Ele fecha la pelas duas horas da tarde para almoço. Chegamos mais ou menos nessa hora para comer e um senhor muito gentil começou a conversar conosco sobre o lugar. Ele avisou que eles não deveriam aceitar mais clientes, mas foi la conversar com o dono, que conhecia bem, e disse que eramos seus amigos. O dono desconfiou quando viu que eramos estrangeiros e disse: “Vc tem amigos brasileiros agora é?” O velhinho retrucou, rindo: “Pode servir, são meus amigos de infância!” E a gente acabou comendo por la, eu um risoto de manteiga de truffa e o Arthur, um de presunto cru e rúcula. Fomos, realmente os últimos clientes aceitos no dia.

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Nice e as cidades próximas também são interessantes para quem gosta de arte. Tem o Museu Matisse, o Museu Chagall, a pequena cidade de Saint Paul de Vence, que conhecemos num dia de excursão (mas isso é assunto para outro post). Em todo o calçadão do lado da praia vemos reproduções de obras de arte que foram feitas naquela região. A gente pode comparar as paisagens pintadas pelo artista com a paisagem de hoje a nossa frente. Algumas não mudaram quase nada. Outras, mostram uma cidade muita mais calma, uma cena bucólica ao lado do mar. De qualquer maneira, ainda hoje você pode parar em qualquer lugar na orla e fazer uma foto, que a imagem fica ótima, com aquele mar azul, que vai mudando de cor ao longo do dia – do turquesa para um azul mais escuro – e os casarões na frente das colinas.

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Meus pais em Paris!

Semana passada, durante quatro dias, meus pais ficaram aqui em Paris comigo. Estão ainda passeando pela Zoropa, agora em Barcelona, que nessa época do ano deve estar ótima. Os dois chegaram da Alemanha, onde começaram a viagem em visita ao meu irmão, no dia 14 de julho, feriado nacional aqui na França. No primeiro dia, fomos jantar numa creperia em Montparnasse e depois resolvemos ir andando até a Torre Eiffel, para ver os fogos de artificio da noite. Quanto mais perto chegávamos da torre, mais tumultuado ficava o ambiente. Eles estavam cansados e decidiram voltar para o hotel, enquanto ainda havia taxi na região. Sábia decisão! Eu e o Arthur, que ficamos até o fim dos fogos, pagamos pelo programa de índio. Mais de duas horas para conseguir voltar para casa, boa parte do percurso a pé, porque as ruas e metrôs foram bloqueados, uma loucura!

O dia seguinte foi mais tranquilo, quer dizer, não exatamente tranquilo, mas o tumulto mais normal de Paris do mês de julho, apinhada de turistas. Começamos o passeio pela Notre Dame e fomos andando até o Marais, vendo o Sena, o Hotel de Ville. Almoçamos no Léon de Bruxelles um prato de mariscos e outros frutos do mar que eu tava com vontade de comer faz tempo.

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Depois fomos a pé até o Louvre, com parada pare descansar no jardim de Tuileries.

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De Tuileries até a Champs Elysées – lotada, é claro – até o ponto final, o Arco do Triunfo. De pés cansados no fim do dia, jantamos perto do hotel deles, que era pertinho aqui de casa. No dia seguinte, outro caminho turístico indispensável: Montmartre. La, fomos à igreja de Sacre Coeur, praça do Tertre e visitamo a única vinícola de Paris. A plantação é pequena, mas a colheita das uvas – que acontece em outubro – é festejada todo ano.

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No ultimo dia, a gente foi até à Torre Eiffel e até o Trocadero, de onde temos uma vista mais bonita da torre.

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Para almoçar escolhi o café-restaurante do Museu Rodin, que tem umas saladinhas e uns quiches muito bons.

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Aconselho o passeio pra todo mundo. Quem estiver com pressa, nem precisa ver todo o museu. Para entrar nos jardins, que são lindos e cheios de esculturas do Rodin, paga-se apenas 1 euro por pessoa.

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Espero que eles tenham gostado. Porque, claro, como aqui é Paris e nos fizemos roteiros turísticos, não faltou o garçom chato, o serviço demorado e confuso do hotel, as filas de turistas. Mas acho que eles tiveram uma boa impressão da cidade!

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14 de julho!

Feriado nacional, festa mais importante aqui da França, pra celebrar a queda da Bastilha, marco da Revolução Francesa de 1789. O nascimento da Republica Francesa da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Dia de cantar a Marselhesa, ou assobiar, pra quem não conhece a letra. Deixo aqui a letra em francês, a tradução (tiradas daqui) e um link com um trecho do filme Piaf.

La Marseillaise

1
Allons enfants de la Patrie
Le jour de gloire est arrivé
Contre nous de la tyrannie
L’étendard sanglant est levé (bis)
Entendez vous dans les campagnes mugir ces féroces soldats
Ils viennent jusque dans vos bras, égorger vos fils, vos compagnes
Aux armes citoyens! Formez vos bataillons!
Marchons, marchons, qu’un sang impur abreuve nos sillons.

2
Que veut cette horde d’esclaves
De traîtres, de Rois conjurés?
Pour qui ces ignobles entraves,
Ces fers dès longtemps préparés? (bis)
Français! Pour nous, ah! Quel outrage!
Quels transports il doit exciter!
C’est nous qu’on ose méditer
De rendre à I ‘antique esclavage!

3
Quoi! des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers (bis)
Grand Dieu! Par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient I
De viIs despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées!

4
Tremblez, tyrans! Et vous, perfides,
L’opprobe de tous les partis,
Tremblez! Vos projets parricides
Vont enfin recevoir leur prix (bis).
Tout est soldat pour vous combattre,
S’ils tombent, nos jeunes héros,
La terre en produit de nouveaux
Contre vous tout prêts à se battre

5
Français! En guerriers magnanimes
Portez ou retenez vos coups.
Epargnez ces tristes victimes
A regret s’armant contre nous (bis).
Mais le despote sanguinaire,
Mais les complices de Bouillé,
Tous ces tigres qui sans pitié
Déchirent le sein de leur mère

6
Nous entrerons dans la carrière,
Quand nos aînés n’y seront plus
Nous y trouverons leur poussière
Et les traces de leurs vertus. (bis)
Bien moins jaloux de leur survivre
Que de partager leur cercueil,
Nous aurons le sublime orgueil
De les venger ou de les suivre.

7
Amour sacré de la Patrie
Conduis, soutiens nos bras vengeurs!
Liberté, Liberté chérie!
Combats avec tes défenseurs (bis).
Sous nos drapeaux, que la victoire
Accoure à tes mâles accents,
Que tes ennemis expirant
Voient ton triomphe et notre gloire!

A Marselhesa

1
Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
O estandarte ensangüentado da tirania
Contra nós se levanta.
Ouvis nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós
Degolar nossos filhos, nossas mulheres.
Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Nossa terra do sangue impuro se saciará!

2
O que deseja essa horda de escravos
de traidores, de reis conjurados?
Para quem (são) esses ignóbeis entraves
Esses grilhões há muito tempo preparados? (bis)
Franceses! Para vocês, ah! Que ultraje!
Que élan deve ele suscitar!
Somos nós que se ousa criticar
Sobre voltar à antiga escravidão!

3
Que! Essas multidões estrangeiras
Fariam a lei em nossos lares!
Que! As falanges mercenárias
Arrasariam nossos fiéis guerreiros (bis)
Grande Deus! Por mãos acorrentadas
Nossas frontes sob o jugo se curvariam
E déspotas vis tornar-se-iam
Mestres de nossos destinos!

4
Estremeçam, tiranos! E vocês pérfidos,
Injúria de todos os partidos,
Tremei! Seus projetos parricidas
Vão enfim receber seu preço! (bis)
Somos todos soldados para combatê-los,
Se nossos jovens heróis caem,
A França outros produz
Contra vocês, totalmente prontos para combatê-los!

5
Franceses, em guerreiros magnânimos,
Levem/ carreguem ou suspendam seus tiros!
Poupem essas tristes vítimas,
que contra vocês se armam a contragosto. (bis)
Mas esses déspotas sanguinários
Mas esses cúmplices de Bouillé,
Todos esses tigres que, sem piedade,
Rasgam o seio de suas mães!…

6
Entraremos na batalha
Quando nossos antecessores não mais lá estarão.
Lá encontraremos suas marcas
E o traço de suas virtudes. (bis)
Bem menos ciumentos de suas sepulturas
Teremos o sublime orgulho
De vingá-los ou de segui-los.

7
Amor Sagrado pela Pátria
Conduza, sustente nossos braços vingativos.
Liberdade, querida liberdade
Combata com teus defensores!
Sob nossas bandeiras, que a vitória
Chegue logo às tuas vozes viris!
Que teus inimigos agonizantes
Vejam teu triunfo e nossa glória.

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Sala Camille Claudel

Camille Claudel foi um capítulo importante da biografia de Rodin. O capítulo 6, pra ser mais exata, se usarmos a numeração das 16 salas que compõem o museu dedicado ao artista. Se representássemos a vida e obra de Camille, no entanto, o famoso escultor ocuparia um pedaço muito maior.

O talento de Camille aparece cedo, independente e original. Mas é preciso admitir que existe uma Camille antes de Rodin e depois de Rodin, ou antes e depois de a jovem ter aceitado o convite do escultor para ser sua aprendiz e assistente. Sua relação com o mestre é múltipla e renderia vários capítulos ou salas num possível museu de Claudel: Camille como modelo vivo; como a aprendiz que se espelha no mestre; a assistente do gênio em suas obras primas; a amante, fonte de inspiração do artista; e, finalmente, o tema do amor conturbado e negado, fonte de inspiração da obra de Camille e talvez também de sua loucura.

Camille_Claudel

Camille nasceu em 8 de dezembro de 1864 numa família tradicional francesa. Descobriu seu talento muito cedo e dizem que também declarou antes de todos o futuro artístico de seus irmãos mais novos, entre eles o escritor Paul Claudel. Desde o começo da carreira teve apoio de seu pai. Sua mãe, pelo contrário, desaprovava completamente o ofício da filha. Corajosa e decidida numa época cheia de interdições às mulheres, Camille decide se mudar para Paris em 1881, antes de completar 17 anos. Ela mudaria-se para o atelier de Rodin quatro anos mais tarde. A parceria foi produtiva. A assistente participou da produção de obras-primas como Portas do Inferno e Os Burgueses de Calais. Manteve também um ardente, conhecido e escandaloso caso de amor com o mestre. Eram correntes os boatos de envolvimento de Rodin com suas modelos, muito mais jovens que ele. Mas a relação com Camille foi mais forte e duradoura, para preocupação da mulher do escultor. O momento da ruptura com o artista, que não deixa sua esposa, é doloroso para Camille. Retratando esse período, temos uma das obras mais dramáticas da escultora: A Idade Madura, exposta no Museu de Orsay.

Na sala 6 do Museu Rodin, vi a cópia da obra que já tinha chamado minha atenção no Orsay.

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Seguindo a explicação da curadoria do próprio museu: Nessa segunda versão da obra A Idade Madura, a ruptura é consumada. As mãos da juventude suplicante, imagem de Camille Claudel deixam escapar a do homem, conduzido pela velhice.

Nessa minha segunda visita ao Museu Rodin, prestei mais atenção à obra de Camille, por indicação da Ana, no comentario do meu primeiro post sobre o lugar. Ela citou o filme Camille Claudel, que conta a história dramática da francesa. Ainda não vi o filme, mas depois de conhecer a biografia de Camille, fiquei morrendo de vontade de assistir. A história da artista começa com a descoberta precoce de seu talento, passa pela relação de parceria, amor e ódio com Rodin e termina com a loucura e internação num manicômio, que duraria 3 décadas até sua morte, aos 78 anos. Deixo aqui essa cena do filme que retrata um momento de revolta de Camille, depois da separação.

PS: Coloquei as fotos que tiramos no Museu Rodin no Picassa.

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Dia da França em São Paulo

Minha amiga Adriana me mandou essa sugestão de evento francês em São Paulo nesse domingo. Se eu estivesse ai, eu iria, principalmente pelas comidas francesas a preços populares!

Festival de Cultura Francesa


Participação especial do IFESP

com sorteio de 3 bolsas de estudos
Dia/horário: DOMINGO, 12/07, às 12h
Local: Parque da Água Branca – Metrô Barra Funda – São Paulo
Festival de Cultura Francesa:
A capital paulista realizará o Dia da França em São Paulo, em comemoração o Ano da França no Brasil. O evento, com participação especial do IFESP, terá atrações na área de gastronomia, esporte e teatro. Serão montadas 10 barracas na área Village Français, que serão conduzidas por chefs como Patrick Ferry, do Hotel Sofitel, e Laurent Suaudeau e Eric Jacquin, do restaurante La Brasserie. Os espaços gastronômicos Orbacco, SP Gourmet e Crêpe de Paris e a casa de vinhos Le Tire Bouchon servirão comidas francesas a preços populares.
A Companhia Transe Express, de teatro de rua, apresentará o show Cabaret Français, mesclando swing, soul e funk a contorcionismo, trapézio e faquirismo. O artista circense francês Julot, integrante do grupo francês Les Cousins, se equilibrará em uma plataforma presa a um mastro de nove metros de altura enquanto brinca com bambolês, no espetáculo Hula Hoopla.

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Fofuras caninas

Esses dias eu estava conversando pelo msn com minha amiga Cris e falei pra ela que vi aqui na França o trailler de um filme – Bambou – em que a protagonista é uma cadelinha idêntica a sua Samy, que eu conheci no ano passado. Li algumas criticas do filme que não foram la muito positivas. Mas no trailler, parece um filme engraçadinho, sem grandes pretensões. Para os amantes dos bichinhos rirem um pouco e falarem ohhhh, que lindo!

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O filme conta a historia de um casal. O homem, um bancário, sonha em ter filhos. Sua mulher, uma pianista, finge bancar o sonho do marido, mas está mais interessada na carreira. Um dia ela leva uma cachorrinha cocker para casa, o que desagrada o marido, que diz “Primeiro o filho, depois a pelúcia” (pelo menos foi isso que eu entendi no trailler em francês). Depois vem aquelas cenas engraçadas da cachorrinha se adaptando ao ambiente, destruindo tudo e deixando o homem louco. Um dia, a mulher parte numa viagem com a orquestra e se desentende com o marido. Ele fica só, com a desastrada Bambou. E, pelo que pude entender do trailler (veja bem, o roteiro não é dos mais complexos), o homem aprende a amar a cocker, quase como uma filha. A Cris fez um post com um dos traillers, além de uma foto minha com a Samy (sósia da Bambou).

Como no Brasil, muitos franceses de hoje tratam seus bichinhos quase como filhos. Verdade que no Brasil eu ja vi cenas bem exageradas, de madames colocando joias nos cachorros, andando com os bichos em carrinhos, como os de bebê. Tudo isso em Higienopolis, bairro de SP repleto de cachorrinhos de raça e suas donas. Aqui em Paris, vi umas meninas que carregam seus mini-cães na bolsa ou nas mochilas. Fora isso, não vi nada muito bizarro. O que a gente percebe é que os franceses gostam especialmente de cachorros pequenos. Difícil ver um bicho de porte médio e mais raro ver os grandões. Por isso é que eu fiquei tão impressionada com esse cachorro que eu vi no sábado passado às margens do Sena. Era enorme e muito fofo, bem calminho, mas parecia um urso. Achei que era um São Bernardo, mas nunca vi nenhum cachorro dessa raça todo negão desse jeito. Alguém ai entende de cachorro e sabe a raça do meu amigo? Ou era um urso mesmo?

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