As livrarias do Quartier Latin

Sempre que passo pelo Boulevard St-Michel, no Quartier Latin, dou uma olhada nas livrarias de la, principalmente nos livros d’occasion (livros usados, muito baratos). Essa semana, por exemplo, vim toda feliz pra casa porque comprei a biografia da Camille Claudel por 20 centavos de euro na Boulinier. Minha livraria preferida é a Gilbert Jeune, quase onipresente, com 8 unidades, na Praça St-Michel.  O interessante da Gilbert Jeune é a cara de livraria antiga, tradicional, sem o ar de modernidade,  mas também sem a beleza e o conforto de uma Fnac, por exemplo.

gilbert jeune

No Brasil, eu sempre preferi o conforto da livraria Cultura e os livros novos aos sebos, porque infelizmente minha rinite nunca me deixou passar muito tempo num lugar pequeno forrado de livros velhos. Em Paris, a coisa mudou. Como eu já falei aqui, talvez por causa do ar mais limpo, não tenho mais as crises de rinite. Então estou conseguindo ler livros velhos, cheios de ácaros, sem problemas. Ai já viu, eu, uma apaixonada por literatura, livre da alergia e sem muito dinheiro no bolso, elegi o Boulevard St-Michel como meu paraíso.

E dentro do Boul Mich – apelido que os estudantes frequentadores deram para o boulevard – a Gilbert Jeune se destaca porque tem os livros d’occasion organizados, junto com os livros novos. Não se trata de uma livraria que vende livros novos e que também tem um espaço para o sebo. Ela mistura livros novos e velhos. Então, por exemplo, você esta interessado num livro do Victor Hugo, em formato de bolso e usado, pra ficar bem baratinho. Você vai até o andar de livros de bolso, procura a seção de literatura francesa e acha o que quer, organizadinho, separado por nome de autor. Você pode até comparar o preço e o estado de conservação da obra, porque eles vão ter a opção do livro novo e do usado,  juntos. Pela organização e conservação dos livros, a gente acaba pagando mais caro que nos sebos que vendem livro de baciada. Então, em vez de pagar 50 centavos por um classico, você pode pagar 2 euros, mas na nessa livraria você tem mais variedade e sempre acha o que quer.

Ja a Boulinier é pra quem gosta de garimpar. Ha outros sebos similares na região, mas essa livraria de usados é maior e tem preços realmente muito baixos. Ficam varias caixas na rua de livros a 20 e 50 centavos. Foi numa dessas caixas que encontrei esse ultimo livro que comprei. Mas dessa vez dei sorte; geralmente, tem que procurar o que você quer no meio de muita coisa ruim, uma mistura impressionante de autores que não tem nada a ver um com outro.

boulinier

Toda essa região do Quartier Latin, proxima ao Sena, é cheia de livrarias, atendendo tradicionalmente aos estudantes da Sorbonne e de outras instituições de ensino proximas. Os turistas, principalmente os de lingua inglesa, gostam de conhecer a historica Shakespeare and Company, um ambiente curioso com seus livros desorganizados, animais adotados (cachorros e gatos) que rondam por la e as reuniões de escritores de lingua inglesa, que acontecem no segundo andar, onde qualquer um pode subir e onde ficam os livros que – pasmem – não estão à venda. Isso mesmo, é so para olhar. Resumindo, a Shakespeare and Company é um lugar interessantissimmo para visitar. Pra compras, é melhor ir na rede Gilbert Jeune la perto ou numa Fnac da vida.

shakespeare-bookstore

Curioso isso! Quando comecei a escrever esse post, eu ia falar do livro Une Femme, a biografia da Camille Claudel que estou lendo atualmente. Mas ai comecei a falar dos sebos, ai lembrei das livrarias e fiquei pensando no Quartier Latin, no boulevard e especialmente na praça St-Michel. Até hoje eu tento, sem sucesso (porque nunca fui boa nessas classificações),  encontrar meu cantinho preferido em Paris. Eu acho que é la, na praça. Claro, não é o lugar mais bonito, nem é agradável para muita gente, porque as vezes fica lotado, mas é o lugar em que me sinto em casa. Pra completar, fica do ladinho do Sena. Isso! Acho que encontrei meu lugar preferido por aqui. Pra quem quiser conhecer, é só sair na estação St-Michel de metrô ou do RER e dar de cara com a linda fonte com a estatua de Saint Michel (conhecido no Brasil como o arcanjo São Miguel), garimpar um bom livro e aproveitar para ler às margens do rio.

paris 013

PS: esqueci de falar dos tradicionais bouquinistes, que ficam naquelas barraquinhas verdes nas margens do Sena. Tem muita coisa interessante entre os livros usados, mas é tudo mais caro. A biografia que comprei por 20 centavos, por exemplo, vi la por 7 euros.

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12 Comentários

Arquivado em livro, Paris, passeio

12 Respostas para “As livrarias do Quartier Latin

  1. Ana Mesquita

    Taise

    Tá pirando na Camile né? Vida linda e trágica. As mulheres que assumem serem independentes sofrem em qualquer época. Já pensei seriamente em estampar uma baby look com uma obra dela…
    Então esse tal de quartier latin é a Corrientes de Paris?
    Acho que seria mais o contrário: A Corrientes é o Quartier Latin de Buenos Aires!
    Também me sentiria a vontade em meio a tantos livros.
    bjs

    • Ah, Ana, to amando a biografia dela. Eh um tanto romanceada, mas é linda! Indico a leitura e quando chegar ao Brasil vou pedir o filme emprestado:)
      Beijos

  2. Rosa

    Taís,

    Vc não me conhece, mas conheço vc por causa do seu pai, grande mestre, de quem sou fã. Frequento do boteco escola, embora nunca poste comentários. Sei de tudo o que acontece em educação, tecnologias e todas as boas leituras que se encontram lá e assim cheguei à Paris.
    Fico encantada com o seu blog, a riqueza de detalhes da sua escrita e as belas imagens, dão a sensação estar em Paris.
    Minha filha esteve aí ano passado, trouxe muitas fotos, muitos relatos, que não me empolgaram com a mesma intensidade. É diferente…
    Adorei ver o Prof. Jarbas e sua mãe passeando com vc. Se ele ainda estiver aí , lembranças das meninas de São Bernardo.
    Continuo acompanhando sua estada e as belezas de Paris com sua escrita deliciosa.

    Abraços desconhecidos, porém afetuosos,

    Rosa

  3. Renata

    Oi Taís,

    Tudo bem? Já vi que quando for aí, vou à falência, rsrsrs. Agora, imagine o que significam 20 centavos para quem recebe em euros…Não é à toa que por aí se respira cultura. Aqui os livros são tão caros. E os salários tão baixos. Imagina se alguém que ganha o salário mínimo vai se “dar ao luxo” de ler. E nem podemos culpá-los, né? Porque ou lê ou come…

    Ah, li todo o site da escola que me indicou e nem acreditei nos preços. Mandei e-mail (vai que o site não está atualizado, heheh) e eles me responderam: são aqueles valores mesmo: 401 euros, com a inscrição.
    Aí sabe o que eu fiz? Liguei no STB e pedi o preço de um curso nas mesmas condições, carga horária, etc..Quando me mandaram o orçamento, quase caí dura da cadeira: 2 mil euros!!!! Pode isso?!

    No e-mail para a EFI perguntei de material, livros, o que se deve usar, se devemos comprar… E não responderam. Acho que foi uma pergunta besta. 🙂

    • Oi Renata,
      Acho que esse curso indicado pela STB ta com um preço fora da realidade, mto mais caro, inclusive, que a Aliança Francesa. A EFI não informou material porque eles não tem material oficial. No maximo, a professora vai indicar a compra de uma gramatica, pra exercicios, mas nao é caro e vc compra aqui na França.
      Beijos

  4. Guilherme

    Não quero voltar. Comprar um bom livro por 0,2 Euros, atravessar a rua e sentar a beira dos Jds. de Luxemburgo, sacar um chocolate do bolso (que não custou muito mais do que isso), e ver que ele é francês (merveilleux!). Não quero voltar! Ligar pra família e ver que todos estão morrendo de saudades (como é bom que tenham só saudade, e não aquelas preocupações comezinhas do dia a dia!), pegar um bus e ver que todos em volta falam francês (!), e perceber que entendo um pouco, mais do que antes (!), parar num kiosquier e ver jornais de dezenas, centenas de países diferentes, em línguas diferentes. Não quero voltar! Caminhar pela rua, escolher nos postes de luz qual o melhor concerto de musica para o fim de semana, estudar em Paris, viver em Paris, amar em Paris. Não quero voltar!!… me ajudem, não quero voltar… Please, façam uma campanha no Brasil, levantem recursos, me mandem trabalho, venham me visitar, mas não quero voltar. Entendam: não sei voltar. Quartier Latin! vocês sabem o que isso? Parem de brincadeira, voltar pra São Paulo? Alguém aí, hei! estão me ouvindo? não quero mais voltar. Me ajudem, me convençam, digam que não vou me arrepender de ficar! Façam listas, abaixo-assinados, convençam o Arthur, Heeeiii! Help me, tem alguém aí!!! Je ne veux pas! Jê ne veux pas!

    • Genial, Gui! Podia ser um post meu! Eu tava pensando nisso esses dias. Tenho mta saudade das pessoas e da minha casa, então penso ok, vou voltar. Mas quando eu percebo que faltam dois meses, eu penso: nossa, não vai dar tempo de fazer tudo o que eu queria, de visitar tudo. Fazer o que? Se eu conseguisse viver so de livros e chocolates eu podia ficar bem mais tempo:)
      Mas a gente volta pra ca um dia, temos certeza!
      Beijos

  5. Renata

    Taís,

    Obrigadão!!! Putz, o que o Guilherme escreveu…Dá vontade de pegar o primeiro avião e ir aí… Chega logo, maio! rsrsrs

    bjs

  6. Pingback: Minha Rive Gauche « Taís em Paris

  7. Entschlossenheit, positives Denken, ist eine komplette Arbeit, heißt das Buch des Jahrhunderts, ein kluges Buch. Dieses Buch bringt Offenbarungen nie von Menschen verstanden, ist aber jetzt revelada.Leia dieses Buch.
    http://www.bookess.com/read/18430-bestimmung-in-germany/

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  8. Celia Diniz Souto Maior

    Paris sempre é um sonho bom!!! Duas vezes só ai, a primeira ¨06 dias e em outubro de 2014, 15 dias! Pra mim morei em Paris!!! Tamanha a minha Alegria! Visitei muitos pontos turísticos… E ” flanei muito pelas ruas de Paris” Mas.. não conhecia a História da Livraria ‘Shakespeare and Company’ e como estou lendo “Um livro por dia” escrito por Jeremy Mercer, interessei me a pesquisar sobre a livraria… E quero na próxima vez, quando for a Paris conhecer e saber mais de suas histórias, e claro… Comprar alguns livros! muito bom as dicas do site! Obrigada

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