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O castelo das mulheres

Junto com Chambord, Chenonceau é um dos castelos mais bonitos do Vale do Loire. Impressionante não só pela arquitetura, por seus jardins e bosques, mas por sua localização, atravessando o rio Cher, de margem a margem, e deixando um reflexo lindo na água.

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Uma fortaleza medieval da casa nobre de Marques ocupava o local onde fica o castelo, de 1243 a 1512. Em 1513, as terras foram vendidas para o nobre Thomas Bohier que, por influência de sua mulher Catherine Bohier, decidiu derrubar a construção medieval e construir um castelo renascentista no lugar. A única parte da antiga fortaleza conservada foi uma torre, mantida para servir de moradia para o guardião do castelo.

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Thomas e Catherine morreram alguns anos depois do término da imensa obra. O filho do casal teve o castelo e as terras confiscadas pelo rei Francisco I, pela falta de pagamento de dívidas com a coroa. Dizem que, na verdade, a propriedade foi confiscada em 1533 porque o rei estava de olho naquela maravilha tão bem localizada no Vale do Loire.

O poderoso Francisco I passou alguns dias no castelo, acompanhado da família, sua mulher, sua amante oficial e seu filho Henrique II e de amigos, como Catherine de Médice e Diana de Poitiers. Essa ultima tornou-se a famosa amante de Henrique II, desde os 12 anos de idade do príncipe. Alguns anos mais tarde, com 15 anos, ele se casa com Catherine de Médice, que tinha a mesma idade do príncipe, mas continuaria ligado a Diana até a morte, apesar da diferença de 19 anos entre os dois.

O romance de Henrique II e Diana de Poitiers é cheio de lendas, historias e boatos. Dizem que a aproximação de Diana do príncipe ainda adolescente foi idéia do rei, que queria que ela colocasse juízo na cabeça de seu filho. Fato é que, desde que se tornou rei, centralizando o poder, Henrique II sempre deixou muito claro o lugar especial de sua amada. Nunca nenhuma amante tinha tido tamanho poder sobre a monarquia francesa. Henrique II vestia-se sempre de preto e branco, as cores preferidas de sua amada, e escolheu para si o emblema da lua crescente, símbolo da deusa Diana. Existem varias obras de arte que representam a nobre vestida como sua homônima, a deusa da caça, como a tela abaixo, presente em um dos cômodos de Chenonceau:

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Em outras obras, Diana de Poitiers aparece nua, para ressaltar sua lendária beleza, como nessa tela da escola de Fontainebleau:

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O rei não mostrava sua adoração por Diana apenas nesses gestos simbólicos. Ele deu a ela jóias, recursos reais e, mais importante, o castelo de Chenonceau. Sob o comando de Diana, o castelo floresceu. Ela mandou construir o corredor do castelo que atravessa o rio e um jardim esplêndido.

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Ampliou a parte construída da propriedade, que administrava muito bem. Apesar da passagem dos anos, parece que Diana conseguia, milagrosamente, conservar sua beleza. Dizem que seu segredo era acordar cedo todos os dias e mergulhar na água fria que banhava o castelo. Dentro do castelo, podemos ver em praticamente todos os cômodos um simbolo real concebido por Henrique II que consistia no entrelaçamento das letras H, de sua inicial, e C, de sua mulher Catherine. As duas letras entrelaçadas acabam formando um D, de Diana.

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Em 1559, Henrique II é ferido seriamente no olho durante um torneio, o que leva a sua morte. A rainha viúva – dizem que por ciume ou talvez tentando mostrar quem realmente manda – retoma Chenonceau e algumas jóias que foram dadas a Diana. A famosa amante é expulsa do castelo encantado e transferida para um palacete menor e menos importante da região. Catherine – essa mulher brava que aparece no retrato abaixo – não mudou as construções de Diana, mas construiria outro jardim no já impressionante domínio de Chenonceau, para rivalizar com o lindo jardim da amante. Hoje, a propriedade tem dois jardins em estilos diferentes: o de Diana e o de Catherine.

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O castelo ficou nas mãos da família real e foi passado como herança para famílias nobres, parentes da realeza, até 1733, quando o duque de Bourbon vendeu Chenonceau para um burguês, o banqueiro Claude Dupin. A esposa de Claude, uma amante das artes, da ciência e da literatura, resolveu transformar o palácio renascentista em ponto de encontro de artistas e intelectuais. No local, ela adaptou laboratórios, salões e teatros por onde passaram intelectuais como Voltaire, Montesquieu, Rousseau e o biólogo Buffon.

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Durante a revolução, a ação de Madame Dupin foi essencial para salvar o castelo de revolucionários precipitados que queriam destruir tudo. Ela teve a simpatia dos líderes da revolução por ter abrigado filósofos de ideais revolucionários e conseguiu convencer os combatentes mais raivosos a manter o castelo, dizendo que ele era a única ponte entre os dois lados do rio. Ela teve que fazer alguns sacrifício pelo castelo. Assim, a propriedade abrigou revolucionários e suas armas e a capela foi transformada em deposito de madeira.

Seus esforços valeram a pena. O castelo foi poupado e, depois do curto período de lutas revolucionarias, o lugar voltou a ter a paz e a graça de antigamente. Foi nesse paraíso que Madame Dupin viveu até sua morte, aos 93 anos. A benfeitora do castelo esta la até hoje, seu tumulo fica no bosque do Chenonceau, hoje visitado por milhares de turistas.

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Chenonceau é conhecido como Château des Dames pela importância que as mulheres tiveram em sua construção e manutenção. Desde 1513, com o planejamento e primeiras construções de Katherine Briçonnet, passando pelo embelezamento da propriedade promovido pelas rivais Diane de Poitiers e Catherine de Médice, até a ação determinante de Madame Dupin, graças a quem o castelo passou incólume à sangrenta Revolução Francesa.

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Adivinha onde é!

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Essa cabra simpática ai em cima e esses burrinhos moram num lugar tranquilo, bucólico, com seus companheiros de espécie e os outros, porcos, patos, gansos, cachorros e gatos. Num ambiente cheio de arvores e flores de diferentes tipos. Fica pertinho de Paris e você já ouviu falar, com certeza. Deixa eu ajudar um pouco com fotos mais abertas:

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Uma vila minuscula do norte europeu? Nada disso. Essas fotos foram feitas nos célebres Jardins do Castelo de Versalhes. Para ser mais precisa, nos domínios da Maria Antonieta, lugar que não tem nada a ver com o famoso jardim real, geométrico, milimetricamente planejado e repleto de esculturas e fontes imponentes.

Fiquei surpresa e admirada com esse cantinho. Claro que o castelo e os jardins com as fontes são imperdíveis, maravilhosos. Mas não dá pra negar que a área  que a rainha modelou é muito mais confortável e humana, um lugar com cara de “lar, doce lar”, sabe? Não um templo para um deus vivo. O jardim fica perto de onde Maria Antonieta costumava passar seus dias, num palacete chamado Petit Trianon, que embora seja grande para os nossos padrões, não passa de uma cabana perto do Palácio de Versalhes.

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A famosa rainha que perdeu a cabeça na guilhotina não foi a primeira moradora de Versalhes a construir lugares mais aconchegantes no terreno de Castelo. O próprio rei sol, Luis XIV, mandou construir, no século 17, o Grand Trianon para servir de refugio da família real das formalidades da corte. Esse outro palácio foi usado pelos nobres que o sucederam como moradia, mas também como espaço de lazer com suas salas de jogos e bilhar e sua arquitetura um pouco menos pomposa. Um edifício grande, mas térreo, com os aposentos próximos dos jardins, da natureza.

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Mais tarde, Luis XV construiria, pertinho dali, o Petit Trianon, um pouco mais simples, que serviria de morada para a sua amante favorita, Madame de Pompadour. Quando Luis XVI foi coroado, resolveu dar o Petit Trianon para sua esposa, Maria Antonieta, que o recebeu de bom grado. Na região próxima ao palacete, ela pôde criar um jardim no estilo inglês, mais rustico, planejado de maneira a sentirmos que estamos num ambiente natural, com laguinhos que fazem curvas sinuosas e bosques que também parecem naturais, porque as plantas são colocadas de maneira menos geométrica. Dizem que a rainha fazia festas particulares e convidava seus amigos para passar longas temporadas em seus domínios, protegidos e escondidos do resto da corte. Ali, ela se sentia em casa, tinha uma capela particular, mandou fazer também a fazendinha, uma pequena aldeia com um laguinho e outras estruturas, como um teatro, onde a própria apresentava peças (como atriz principal, bien sur) para seus amigos e serviçais. Ela planejou também o Templo do Amor, essa construção linda atrás do roseiral, que tem a escultura do Cupido no centro.

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O rei frequentava o espaço nos fins de semana e a rainha, claro, tinha os seus aposentos no castelo, um quarto suntuoso, com essa portinha secreta à esquerda, por onde ela tentou fugir quando os revolucionários entraram no palácio.

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Nem o absolutista Luis XIV conseguia viver todos os dias no suntuoso Palácio. Versalhes definitivamente não é lugar para morar, pelo menos não é para os humanos. Foi feito para ser apreciado, pra esbanjar grandeza, pra impressionar. Continua cumprindo essa função.

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A beleza descansa no Loire

Descobri que o pais dos feriados não é o Brasil, minha gente, é a França. Pelo menos essa é a minha impressão até agora. So no mês de maio tivemos três, que emendaram com o fim de semana. Semana passada, aproveitando um desses feriados, viajamos para o Vale do Loire. Saímos na quinta de manhã e voltamos domingo, tarde da noite. Por isso meu sumiço, para quem perguntou, viu?

Com minha mania de exagerar, ia dizer que o Vale do Loire é lindo de morrer! Mas não é isso. Realmente é lindo, mas tão intensamente lindo que faz a gente se enganar e ser um tantinho impreciso. O vale e o rio, margeado por castelos e cidades medievais, são de uma beleza inimaginável, mas não acho que se trate daquela beleza exuberante, de tirar o fôlego. Também não é menos que isso. No fim da viagem eu ouvi uma turista francesa dizendo que no vale do Loire tudo é infinitamente belo e repousante. Eh isso, repousante é a palavra. De uma beleza intensa, mas repousante.

Porque, imagina, você vê um castelo que é uma verdadeira obra de arte, como o Chambord, o primeiro da nossa viagem. Naturalmente, sente aquele deslumbramento. Mas ai você repara que o castelo combina com o bosque imenso que o cerca e que esta em harmonia com o rio que passa perto dele. Tudo, absolutamente tudo é bonito e harmonioso.

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Ai ja viu, a sua visão fica acostumada com aquela beleza. O Chenonceau, um castelo menos chamativo que Chambord, é um exemplo dessa harmonia. O rio atravessa o castelo, ou, dependendo do ponto de vista, o castelo atravessa o rio, de margem a margem, bosque a bosque, com seus jardins planejados.

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Por falar em jardins, nada mais belo que o Villandry, o castelo com jardins tematicos e uma horta milimetricamente desenhada, com suas cores que combinam entre si e, de cima, formam um todo admiravel.

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No fim, nos conhecemos seis castelos (Chambord, Chenonceau, Blois, Saumur, Brézé, Villandry) e três cidades (Blois, Saumur, Tours) no Loire. Cheguei de viagem cheia de coisas pra contar…Sim, porque cada castelo tem uma historia, tem A Historia, porque neles viveram reis, rainhas e nobres franceses e outras historias miúdas,  mas talvez mais interessantes, de amor, vingança, complô, assassinato… Prometo que conto pra vocês nos próximos posts. Recomendo a todo mundo que vier pra França, principalmente nos dias ensolarados: Passem pelo menos uns dois dias no Vale do Loire. Eu, que acabei de voltar de viagem, ja estou com saudades.

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Colocamos todas as fotos dessa viagem no nosso album.

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Saint-Malo

Hoje uma das cidades turísticas da Bretanha, já foi terra de piratas. Ok, parece que os habitantes da região não gostam de ouvir que seus antepassados eram piratas. Dizem que eram corsários. A diferença? Piratas saqueiam navios e são considerados foras da lei. Corsários também pilham navios, mas com a permissão de alguma autoridade. E os homens de Saint-Malo tinham a autorização do rei francês para saquear qualquer navio estrangeiro inimigo.

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Tiveram permissão também, desde o século 12, para se desenvolver de forma independente da monarquia francesa. Assim, a cidade enriqueceu, com a pilhagem dos navios estrangeiros, o comercio e os grandes feitos dos navegadores. Essa estatua no fundo da foto, de frente para a muralha da cidadela, é de Jacques Cartier, habitante da região que descobriu o Canada em 1534 e ocupou o território em nome da França.

pascoa-st-malo-052Tivemos a sorte de ficar em Saint-Malo intra muros, a parte histórica. A cidade hoje já é maior e abrange áreas de antigas cidadelas em volta. Ficamos num apartamento dos pais do orientador do Arthur, que, alias, é o orientador mais gente boa que eu já conheci. Ele foi um verdadeiro guia turístico da região e foi muito hospitaleiro. Todos os dias, quando acordávamos, ele já tinha preparado um café da manhã com baguete, croissants, manteiga, geléias, pain au chocolat, cereais, yogurt, café e ainda fazia o suco, espremendo as laranjas na hora. Tudo arrumado com uma louça super bonita, guardanapos de pano e tudo o mais. Não é que ele seja rico não, ele fazia tudo sozinho mesmo, para agradar, foi muito muito muito gentil.

Eu e o Arthur ficamos num quarto que tinha essa vista ai:

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Da pra ver que é dentro da cidade e próximo da muralha. Habitantes comuns da área são as goélands, uma gaivota (mouette) maior e mais gorda que a normal, como vocês podem ver.

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O bichinho é bonitinho, mas apronta. O Jean-Yves, orientador do Arthur, disse que costumava dar pedaços de pão para uma gaivota que sempre aparecia na janela dele. Quando ele não aparecia para dar a comida, ela ficava batendo com o bico na janela, para chama-lo. Um dia acordei e vi essa ai em baixo mexendo nas roupas do vizinho. Fiz um barulho com um saco plastico e ela saiu voando, sem levar nada.

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Voltando à historia da cidade…Saint-Malo foi pesadamente bombardeada durante a Segunda Guerra. Eram bombardeios ingleses, na maioria, pois a região havia sido ocupada pelos alemães. Mais de 80% da cidade medieval foi destruída. Chocante, porque quando a gente chega la, não é o que parece, não da pra acreditar que a maior parte da cidade foi reconstruída. Alguns prédios respeitaram a arquitetura antiga, outros nem tanto. Mas fato é que colocaram a cidade de pé com as pedras amontoadas e despedaçadas pelas bombas. Com a muralha foi igual, parte foi reconstruída e parte resistiu.

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Remparts.Eu já tinha ouvido essa palavra numa musica francesa e acabei aprendendo o significado nessa viagem. São as muralhas, ou muros. Palavra bastante usada na França, onde ainda ha varias cidadelas muradas. Estranho conceito para nos, brasileiros. Eu passeava por dentro da cidade, rodeando o muro e as vezes me perguntava por um instante: Mas não tem segurança? Todo mundo pode entrar? Claro, é uma cidade, na verdade, parte de uma cidade. Eu olhava para aquelas muralhas imensas e ultra resistentes e pensava automaticamente num condomínio fechado. Pra você ver o que são as diferenças culturais. Fazem a gente olhar para o mundo de um jeito estranho. Mais curiosa é a visão do Emil, o colega do Arthur, que aparece na foto abaixo. Ele tem origens turcas, mas cresceu na Suécia. O sueco vê “desorganização”, “caos” e “informalidade” na capital francesa. Porém, não tanto quanto ele via na sua terra natal. Ele, que vive em Paris ha dois anos, esta convencido de que a cidade luz é uma mistura ou, para ser mais clara, esta no meio do caminho entre Istambul e Estocolmo.

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Passear por Saint-Malo é agradável, não só para respirar a historia, mas para ir aos pequenos cafés, creperias e restaurantes que pipocam na região intra muros. Comi um prato de frutos do mar muito bom e crepes bretões, que não poderiam faltar. Faça frio ou calor, é legal passear pela praia e conhecer o forte em frente à cidade.

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So uma dica pra quem vai visitar o forte: olhar antes os horários das marés, porque, como acontece em Saint-Michel, a água sobe e chega aos muros da cidade, como da pra ver nessa foto que o Jean-Yves tirou, num desses momentos. Como vocês podem ver, tem quem se divirta com a situação.

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Mont Saint-Michel

Decidimos viajar nesse feriado de Pascoa. Nossos destinos eram Mont Saint-Michel, na Normandia, e Saint-Malo, na Bretanha. No começo fiquei um pouco apreensiva porque achei que podia passar mal em quase cinco horas de viagem de carro, mas foi tudo bem, e foi a melhor coisa que fizemos. Realmente, foram as paisagens mais bonitas que vimos até agora, de tirar o fôlego.

Como são muitas as fotos e cada lugar tem suas peculiaridades, nesse primeiro post falo do nosso primeiro destino. Os outros lugares, não menos interessantes, ficam para os proximos posts. Saimos de Paris na sexta-feira de manhã, eu, o Arthur, o orientador francês do Arthur e um colega deles. Alugamos um carro grande – para o conforto da gravida aqui – deixando a ensolarada Paris e passando pelas cidades frias e nubladas da Normandia. O Arthur foi dirigindo a viagem inteira.

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Eu fui do lado dormindo de vez em quando e, quando acordava, tentando tirar fotos do que achava interessante, mas não deu. Queria fotografar as placas de velocidade 130 km/h, mas elas eram mais rapidas que eu, também gostei das vaquinhas malhadas, das ovelhas e dos campos de flores amarelas, mas elas não esperavam até eu ligar e posicionar a maquina, então vocês vão ter que usar a imaginação porque a fotografa aqui não tem nada de profissional.

O que eu realmente achei curioso na paisagem foi a mistura dessas imagens rurais, bucolicas, com o mar. Ovelhas pastando e gaivotas marinhas sobrevoando o campo. As minhas referências de praias brasileiras são completamente diferentes. Litoral é uma coisa e interior rural, outra. Chegando perto do Mont Saint-Michel, a paisagem é ainda rural, casas de pedra, campos cultivados e muitas ovelhas. São as chamadas ovelhas de “pré-salé”, região de pasto onde a maré chega em alguns periodos. São as ovelhinhas que aparecem abaixo nessa foto linda que, claro, não é minha.

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E estranho imaginar que o monte que a gente vê ao fundo, em terra firme, vai ficar cercado pela agua do mar ao anoitecer. Mas é exatamente isso que acontece. Tanto que o estacionamento onde deixamos o carro avisava: esse estacionamento vai ficar submerso; retirar os carros até as 18h30.

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Descemos do carro e estava frio, ventando e chovendo um pouco. Mas com uma paisagem dessas, nada incomoda. Olha la as nossas caras felizes.

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Chegamos a entrada da ilha murada, que ja foi uma cidadela fortificada (protegida do inimigo e das marés altas) em volta da construção principal, um mosteiro.

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Contam que em 708 o bispo de Avranches mandou edificar no local, chamado de Mont-Tombe, um santuario para São Miguel Arcanjo. No século 10, monges beneditinos se instalaram na construção aos pés da qual foi sendo construida uma aldeia. A aldeia cresceu e chegou até o limite dos rochedos do monte no século 14. Então, construiu-se a muralha de defesa. Foram varias as tentativas de ataque e tomada de Saint-Michel, principalmente as investidas inglesas da Guerra dos Cem Anos. Mas todas fracassaram, graças a arquitetura do lugar e a sua posição estratégica, num terreno em constante mudança – pelo movimento das marés – e exatamente na foz do rio Couesnon, divisa entre a Normandia e a Bretanha.

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Entrando na cidadela, passeamos pelas ruas estreitas, com suas casas de pedra, todas hoje transformadas em estabelecimentos comerciais – lojas de souvenirs, padarias, creperias…Curioso é que algumas pessoas – os comerciantes e suas familias – também moram no local. Ai fiquei imaginando alguém explicando o proprio endereço para um amigo: é no Mont Saint-Michel, na terceira ruela a esquerda, em cima da loja de espadas. Mas olha, se você for de carro é melhor chegar cedo, ou de repente pode pegar um barco mesmo…hehehe

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Visitamos a abadia e descobrimos que ela é local de peregrinação desde o século 12. Grupos de nobres e pessoas do povo, devotos de São Miguel, chegavam quase todos os dias ao local, depois de longuissimas caminhadas (ou seja, o lugar tem vocação turistica desde a Idade Média!) e eram recebidos pelos monges em salas separadas; as pessoas mais simples no térreo e os mais ricos, no andar superior, esse ai da foto.

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O jardim interno superior da abadia é lindo, cercado por colunas feitas por quatro escultores medievais que fizeram detalhes diferentes – relevos florais e representação de animais fantasticos – em cada uma das colunas.

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Numa delas, eles deixaram uma espécie de assinatura artistica – o relevo do rosto de cada um.

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Antes das 18h30 retiramos o carro do estacionamento baixo e estacionamos mais longe, num local superior onde a maré não chegaria. Voltamos para o monte, paramos num café para comer um crepe e esperamos para ver a maré subir e começar a alagar o local. Olha la o estacionamento onde o carro estava no inicio.

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Nos não ficamos até a maré encher completamente, porque tinhamos que partir para Saint-Malo, onde ficamos hospedados. Foi preciso puxar o Arthur do lugar, que so olhava pra tras querendo voltar e ficar até a noite. Mas que da vontade de voltar, isso da.

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