Arquivo da categoria: fim de semana

Dia da França em São Paulo

Minha amiga Adriana me mandou essa sugestão de evento francês em São Paulo nesse domingo. Se eu estivesse ai, eu iria, principalmente pelas comidas francesas a preços populares!

Festival de Cultura Francesa


Participação especial do IFESP

com sorteio de 3 bolsas de estudos
Dia/horário: DOMINGO, 12/07, às 12h
Local: Parque da Água Branca – Metrô Barra Funda – São Paulo
Festival de Cultura Francesa:
A capital paulista realizará o Dia da França em São Paulo, em comemoração o Ano da França no Brasil. O evento, com participação especial do IFESP, terá atrações na área de gastronomia, esporte e teatro. Serão montadas 10 barracas na área Village Français, que serão conduzidas por chefs como Patrick Ferry, do Hotel Sofitel, e Laurent Suaudeau e Eric Jacquin, do restaurante La Brasserie. Os espaços gastronômicos Orbacco, SP Gourmet e Crêpe de Paris e a casa de vinhos Le Tire Bouchon servirão comidas francesas a preços populares.
A Companhia Transe Express, de teatro de rua, apresentará o show Cabaret Français, mesclando swing, soul e funk a contorcionismo, trapézio e faquirismo. O artista circense francês Julot, integrante do grupo francês Les Cousins, se equilibrará em uma plataforma presa a um mastro de nove metros de altura enquanto brinca com bambolês, no espetáculo Hula Hoopla.

3 Comentários

Arquivado em Brasil, festa, fim de semana, França, São Paulo

A Parada Gay de Paris

Na noite do dia 27 para a madrugada de 28 de junho de 1969 um grupo de frequentadores do bar Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village, em Nova York, decide revidar contra as ações violentas e homofóbicas da policia, que frequentemente fazia batidas nos bares gays. Um travesti conhecido como Sylvia Rivera joga a primeira garrafa  sobre um policial, ato que seria seguido por outras pessoas, causando uma pequena rebelião, fortemente reprimida, com o espancamento e a prisão de homens julgados “muito afeminados”. Durante as 3 noite seguintes ocorrem manifestações e enfrentamentos no bairro. No ano seguinte, grupos de gays e lésbicas voltam ao mesmo estabelecimento para lembrar os atos condenáveis que aconteceram no local. Esse ato, inicialmente espontâneo, foi a primeira manifestação de gay pride (orgulho gay) e deu inicio ao movimento gay em todo o mundo.

A partir de então, outros países começam a organizar, no mês de junho, paradas, desfiles e manifestações que lembram o episódio de Stonewall e colocam em evidência as lutas atuais do movimento. Lutas por direitos ainda básicos, contra a violência e a discriminação num mundo que só recentemente e a duras penas aprende a conviver com as diferentes orientações sexuais. A violência de Stonewall não foi um caso isolado nos EUA, que na época penalizava a homossexualidade em quase todos os Estados. Mesmo na França, país de grandes pensadores humanistas, das manifestações libertarias de 1968, a homossexualidade era considerada um delito até 1982. Depois da despenalização da homossexualidade, foram varias as vitórias do movimento, que ainda hoje tem que lutar contra o preconceito da sociedade, do conservadorismo e das religiões. Em 1999, o país deu um grande passo em direção à igualdade, com o reconhecimento legal das uniões de casais do mesmo sexo, através do PACS (Pacte Civil de Solidarieté). Similar à União Estável brasileira, o PACS da a casais homossexuais ou a casais heterossexuais que preferem não passar pelo tradicional casamento, os mesmos direitos civis dos casais formalmente casados.

Agora em 2009, quarenta anos depois dos episódios de Stonewall, 10 anos depois da aprovação do PACS, a Marche des Fiertés LGBT (Marcha do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgênero) aparece com o tema Fier-e-s de nos luttes, a quand l’egalité reele? (Orgulhoso(a)s de nossas lutas; e quando vira a igualdade real?). A França pode ser menos homofóbica que o Brasil, mas por aqui também acontecem espancamentos e assassinatos por discriminação sexual a ainda ouvimos declarações absurdas de políticos e autoridades.

Altamente politizada, como quase todas as manifestações aqui na França, a Marcha de 2009 foi também um momento alegre, descontraído, uma verdadeira festa que abriu em grande estilo, com a presença da cantora americana e ídolo da comunidade gay, Liza Minnelli.

Parada Gay Paris 004

Parada Gay Paris 011

A Liza ficou só um pouquinho e logo desceu do primeiro carro, mas a gente continuou seguindo a marcha, que tava animada e ao mesmo tempo tranquila, sem muvuca, briga ou comportamentos agressivos. Tudo na maior paz, com homossexuais, heterossexuais, bi, trans, adultos, adolescentes, crianças, famílias, com discursos diferentes, mas levantando a bandeira comum da tolerância, da liberdade e, claro, da festa. Não fomos até o fim da Marcha, porque ontem era nosso primeiro dia de Fête du Cinema, mas conseguimos acompanhar boa parte do começo e ainda demos um pulinho na Bastilha na hora do desfecho. O clima era de carnaval, com musica alta e aquele solzão batendo na cara.

Parada Gay Paris 008

Entre os destaques, como sempre, as roupas das pessoas fantasiadas e o brilho das drags, que não conseguiam dar dois passos sem posar para fotos, de tanto sucesso que fizeram:

Parada Gay Paris 013

Parada Gay Paris 022

Parada Gay Paris 025

Parada Gay Paris 029

Parada Gay Paris 024

Essa família assistia à Marcha com uma placa que dizia: Nosso filho é gay e nós somos felizes!

Parada Gay Paris 016

Teve um carro só de pais de homossexuais e outro de casais homossexuais que têm filhos:

Parada Gay Paris 053

Parada Gay Paris 056E carros das comunidades árabe, judaica, asiática, africana…Teve até carro de gays católicos no mesmo ambiente em que muita gente critica ou tirra sarro de algumas atitudes da Igreja:

Parada Gay Paris 044

Parada Gay Paris 088

Todas as cores, culturas, credos e orientações sociais. Foi um dia colorido, como sempre tem que ser uma parada gay, com franceses em ritmo de carnaval, mais calorosos que o comum. Homens e mulheres andavam com a plaquinha Free hugs e saim distribuindo abraços gratuitos, para todos, para quem quisesse fazer parte da festa. Até o Arthur, que não quis tirar fotos com as drags, se empolgou quando passaram os grupos de meninas sem camisetas, só de soutien. (por que sera, né? rsrsrs) Ta vendo? Tem lugar pra todo mundo na Marcha.

Parada Gay Paris 062

5 Comentários

Arquivado em festa, fim de semana, Paris

Pra matar a saudade

Quem ta muito tempo vivendo aqui em Paris, aproveitando tudo o que a cidade tem, mas com aquela saudaaaade do Brasil não pode perder a Festa Junina daqui da Maison du Brésil, na Cité Universitaire (Boulevard Jourdan, 14º arrondissement). Vai ser no domingo, dia 28 de junho, das 15h às 22h. Comida tipica, quadrilha e animação brasileira. A gente so não garante o frio que costuma acompanhar a festa no Brasil.

Cartazjunino

Como a maioria das pessoas que lê esse blog esta no Brasil, pensei na situação inversa: e quem ta no Brasil com saudades de Paris faz o que? Olha, tem um monte de atividades culturais francesas nesse Ano da França no Brasil. A Keux, leitora do blog, deu otimas sugestões nos comments do post anterior. Tem a exposição do Serge Gainsbourg no Sesc Paulista até o dia 7 de setembro e um ciclo com escritores franceses no Sesc Vila Mariana, com destaque para a Catherine Millet (to lendo agora, em francês, La vie sexuelle de Catherine M.), no dia 7 de julho. Esses eu não perderia!

2 Comentários

Arquivado em festa, fim de semana, França, Paris

Vive la Fête de la Musique!

21 de junho é dia de festa, dia da música aqui na França. Criada em 1982 pelo governo francês, a festa nacional já cresceu tanto que, além de envolver todo mundo por aqui chegou a outros países, principalmente os europeus. No começo da década de 80, o Ministério da Cultura manda fazer um estudo sobre o comportamento cultural dos franceses e descobre que pelo menos 5 milhões de franceses tocavam algum instrumento, pratica de 1 em cada 2 jovens. Apesar do número alto, que destacava a França dos outros países europeus, era ínfima a quantidade de shows e concertos de músicos franceses em território nacional. Então foi criado um dia inteiro dedicado à música, com o lema: Faites de la musique, Fête de la Musique, incitando todos os músicos amadores ou profissionais a se apresentarem nesse dia. Escolheu-se o 21 de junho, dia de solstício de verão, dia de festa segundo a antiga tradição pagã.

Nesse ano a Fête de la Musique caiu num domingo. Apresentações por toda Paris. Dos grandes, como o concorrido concerto do Louvre para 2 mil pessoas a pequenas apresentações que alguns músicos fazem em suas próprias casas, para 20 ou 30 pessoas.

A

Gente saindo com violão, violino, teclado para tocar nas ruas, musica popular, clássica, rock, pop, reggae, musica africana, étnica, infantil, para todos os gostos. Tudo de graça, em espaços abertos ou fechados, por toda a cidade. Dia de festejar, de beber (alguns exageram, é verdade), de confraternizar, de cantar, ouvir, tocar um instrumento, dia de sair às ruas, de lotar as calçadas e transportes coletivos.

Nos vimos a programação geral e decidimos ir ao show do castelo de Vincennes (o lugar é um espetáculo à parte), promovido pela Fnac, principalmente pela apresentação da Anaïs, uma das nossas cantoras preferidas aqui na França. O show prometia também a presença de Peter Doherty, o grupo Anis e outros.

fetedelamusique 036

fetedelamusique 037

fetedelamusique 039

Depois da atração infantil, começaram a se apresentar as bandas de rock, jazz e blues. O apresentador anuncia que uma das apresentações esperadas da noite, o Peter Doherty, não ia aparecer. Os shows continuaram e, cada vez mais, o publico ia chegando, para ver o momento mais esperado, o show da Anaïs, que aconteceu la pelas 19h30. A gente esperou sentado, com a nossa cervejinha, tentando aproveitar o sol, quando ele aparecia.

fetedelamusique 040

Um pouco antes de a Anaïs entrar no palco a gente se juntou à multidão para ver melhor o show. Platéia francesa é calma, nem se compara com os brasileiros. O que é bom por um lado, porque a gente chegou tranquilo a um bom ponto em meio ao publico. Mas, por outro lado, da uma aflição de ver aquele povo que não grita, não pula. Verdade que quando a Anaïs entrou, fazendo graça, animou um pouco mais o pessoal, mas é uma animação que não chega à metade da energia de uma platéia brasileira. Mas, pouco importa, os artistas aqui estão acostumados e o show, embora curto, foi ótimo.

fetedelamusique 042

A Anaïs, essa mocinha acima, é uma cantora e compositora engraçadissima, super talentosa, que lançou seu primeiro álbum em 2005, uma produção de baixo orçamento chamada The Cheap Show. Ela ficou muito famosa aqui na França com esse disco, com hits que quase todo francês conhece como Mon Coeur, Mon Amour, em que ela tira sarro dos casais apaixonados que se chamam por apelidinhos amorosos e se telefonam a cada 5 minutos. Achei esse show no YouTube, de quando ela começou a fazer sucesso.

Ela lançou o segundo disco – The Love Album – no ano passado, com canções mais divertidas como os hits Le premier amour e Peut-être une angine, e musicas mais sérias, como a inusitada e muito bonita Elle me plaît, uma delicada declaração de amor a outra mulher, o que surpreendeu um pouco seu publico. Deixo aqui outro vídeo do Youtube de uma de suas musicas mais conhecida e tocadas nas rádios atualmente – Le premier amour – e a letra, pra quem quiser cantar junto e treinar o francês.

Le premier amour

On s’est rencontré un beau soir d’été
On a fait l’amour, un beau jour aussi
On n’ s’est plus quitté, on n’ sait plus pourquoi
Mais ça a duré des mois et des mois
Voire des années

J’aimais les cinés, les douches et les sorties
T’étais casanier et tu prenais des bains
Tu voulais toujours avoir le mot de la fin
Et moi, je ne disais jamais rien

Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours
Et ça marche pas !
C’est n’importe quoi !

Je n’ me souviens pas de quoi on parlait
Tu étais maladroit et tellement coincé
Comme ça n’allait pas, on ne parlait que d’ ça
Et tes mots d’amour me faisaient pleurer
Des jours entiers

J’écoutais en silence les blagues de tes amis
Et toi, de ton côté, tu supportais les miens
J’étais plutôt du soir, toi plutôt du matin
Comment veux-tu qu’ ça finisse bien ?

Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours
Et ça marche pas !
Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours

Pour toi, j’ai regardé des matchs de basket
Pour moi, tu regardais un peu moins le basket
Pour toi, j’ai cru que j’aimais ce que je n’aimais pas
Pour toi, je serais allée au bout du monde
Sans moi, tu es parti au bout du monde
Sans toi, j’ai cru que la fin du monde était là

Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours
Et ça marche pas !
Le premier amour
C’est n’importe quoi !
On s’aime pour toujours

C’est n’importe quoi !

4 Comentários

Arquivado em festa, fim de semana, França, franceses, Paris

O “interessante” hospital St-Louis

Domingo, depois de passar uma tarde na Torre Eiffel (foi a primeira vez que subimos la), decidimos fazer um passeio a pé indicado pelo nosso guia de viagem. Queria conhecer o Canal St-Martin, então fizemos exatamente o caminho indicado pelo guia.

Paramos na estação Stalingrad do metrô e vimos a primeira atração indicada, a Barrière de la Villette, um guichê de pedágio da Paris do século 18, muito bem conservado.

paris7 233

Logo em frente, tem uma praça, “bela” segundo o guia, com fontes e terraços da década de 1980. Diferente da foto do guia, a fonte estava seca, e o ambiente não era dos mais charmosos. A gente ja tinha visto que estávamos no 19º arrondissement, uma das áreas ditas perigosas de Paris, mas como era mais uma das noites ensolaradas parisienses, continuamos e decidimos voltar assim que começasse a escurecer.

paris7 234

Primeira imagem estranha do dia. Ta vendo na foto acima, as colunas nas laterais? Na direita, era um barzinho animado cheio de gente. Mas à esquerda era um cantinho escondido com sofás, colchões velhos e papelões, que à primeira vista parecia um alojamento provisório de mendigos. Reparando bem – e qualquer um da margem direita conseguia reparar – acontecia algo muito estranho la dentro. Eram uns cinco caras mal-encarados e uma ou outra mocinha que entrava e saia do pequeno “esconderijo”. A gente percebeu que la dentro tinham algumas bolsas, sacolas; os homens experimentavam calças, camisas. Uma hora um deles olhou o conteúdo de uma bolsa feminina e jogou a bolsa de lado. Pareciam coisas roubadas. Estranhei, é uma cena que eu nunca tinha visto na Paris que conhecia até agora.

Apesar do grupinho suspeito, isolado nesse cantinho, as pessoas passeavam e faziam pique-nique tranquilamente às margens do canal. Logo em frente tem uma rede de cinemas, que também estava cheia. As salas ficam dos dois lados do canal e, pra fazer charminho, tem um barco que leva os clientes de um lado para o outro.

paris7 235

Depois de errar um pouquinho a direção, voltamos para o caminho indicado pelo guia…”Volte para o Quai de Jemmapes, onde, no nº 134, situa-se um dos poucos prédios industriais de tijolo e ferro que ocupavam toda a margem do canal do século 19…

paris7 244

…Mais à frente, esta um prédio de apartamentos  em Art Déco, com azulejos e balcões de ferro batido. No térreo, encontra-se um tipico café proletario dos anos 1930…

paris7 245

…nesse ponto o canal faz uma curva graciosa…

paris7 246

…para seu terceiro dique…” Ops, nesse ponto tivemos que interromper o passeio. Para meu susto, eu tive, de repente, uma bela hemorragia, que, em poucos minutos, ja manchava minha calça e qualquer coisa em que eu encostasse, o sangue ja chegava a ensopar minhas meias e, mesmo que eu não tenha desmaiado nem passado mal, comecei a me sentir fraca, talvez pelo susto. A sorte é que, perguntando na rua, descobrimos que estávamos pertinho de um hospital, o St-Louis. Fomos correndo para la e, de la me mandaram de ambulância para o hospital onde eu fui tratada pela primeira vez. Felizmente, a ultrassonografia não apontou nenhum problema. A médica disse que isso pode acontecer um mês depois do aborto natural, que chega a ser “quase normal”. Bem que podiam ter me avisado antes, né? Eu não teria passado esse sufoco no meio da rua.

No fim, sangrei bastante até terça-feira. Hoje, os remédios para parar a hemorragia começaram a funcionar. Ja estou bem de novo, so preciso tomar ferro por um mês e fazer exame para ver se não estou com anemia (mas acho que não). Ela falou que eu não devo ter mais nada na próxima menstruação. De qualquer jeito, vou ficar mais atenta. Quem me conhece sabe como eu sou zicada e como acabo “frequentando” os hospitais.

Quando eu tava mais calma, deitada numa cama do hospital, esperando uma ambulância, o Arthur abre o guia, para ver qual era  a próxima atração, que a gente teria perdido. Para a nossa surpresa: “Vire à esquerda na rua Bichat, que vai até o interessante Hôpital St-Louis, do século 17. Entre pelo velho portão principal, com pórtico alto e arco de pedra,e chegue ao patio e jardim O hospital foi fundado em 1607 por Henrique IV, primeiro rei da dinastia dos Bourbons, para cuidar das vitimas da peste.” Dai, o Arthur não aguentou a piada pronta: “Oh Tatinha, você tinha que entrar no hospital né? Não era pra entrar, era so pra passar por perto, você não entendeu. Eu não passo com você perto daquele hospital do Hôtel Dieu de jeito nenhum, viu? Se nesse hospital do século 17 você ja fez isso, imagina se a gente passa na frente desse outro, do século 12”

Quando sai do St-Louis de ambulância, da janela de trás do carro, olhei a placa que confirmava: “1607 -2007: 400 anos de medicina”. E segui olhando Paris à noite da perspectiva do doente levado na ambulância. Interessante, detalhes de monumentos e edifícios que a gente vê em ângulos inusitados, de baixo pra cima, so o que esta no alto. Da outra vez que usei os préstimos (caros, por sinal) de uma ambulância parisiense era um dia ensolarado. Ai meu Deus, to me acostumando com as ambulâncias daqui. Mas acho que ja deu, né? Chega de hospital, espero.

10 Comentários

Arquivado em cotidiano, fim de semana, França, Paris, passeio

La Nuit des Musées

Olha, eu tenho muitas saudades do Brasil. Na verdade não é tanto do Brasil, é um pouco da comida, do sol, da lingua, confesso. Mas eu tenho saudade de verdade so das pessoas  –  a familia e os amigos. Se não fosse pelas pessoas, eu poderia trocar de pais facilmente. Daria sim para viver aqui nessa cidade. Calma, isso aqui também não é perfeito. Tem pobreza, mendigo, violência (bem menos, é verdade), sujeira e lugares feios. Tem sim, viu? Não adianta se iludir. Mas tem horas que eu fico muito empolgada com essa cidade, como no sabado passado.

O fim de semana ja foi cheio de atividades, como eu contei aqui, e no sabado à noite tivemos a quinta edição do evento Noite dos Museus. Acontece em toda a Europa, mas é preciso dizer que Paris é uma cidade particularmente especial quando o assunto é museu. Nessa noite, todos os museus ficaram abertos até a madrugada, com entrada gratuita e uma programação especial.

O unico problema de estar num evento desses em Paris é a quantidade de escolhas. São muitas, da vontade de ver tudo, mas, claro, é humanamente impossivel. Não tem jeito, você tem que ir num so museu e torcer para que tenha feito a escolha certa. Então vamos la, o que você escolheria?

Ver as esculturas de Rodin especialmente iluminadas para a noite? Visitar Orsay? Picasso? Musée Carnavalet com concerto de musica e dança? Orangerie com programação especial de musica? E assim vamos, com eventos e mais eventos, nessa cidade apinhada de museus. Como se os acervos permanentes ja não fossem suficientes.

Enfim, nos escolhemos ir pela segunda vez no bom e velho Louvre, porque nos estamos empenhados na missão de conhecer o Louvre de cabo a rabo antes de partir. Não sei se vai dar, mas a gente tenta. Pelo jeito, a escolha foi otima. Fiquei sabendo que muitos museus lotaram, com filas que dobravam o quarteirão. No Louvre, imenso, mesmo que tenha uma multidão, ela sempre se dispersa. E, de fato, quando chegamos, não pegamos fila alguma e conseguimos ver tudo com tranquilidade.

Dessa vez, escolhemos a coleção de arte francesa.

Paris7 013

Vimos umas  salas, mas tivemos que interromper a visita, porque as outras salas da coleção estavam fechadas.

Paris7 022

Passamos para o começo da pintura italiana: Botticelli, Da Vinci, Raphael…

Paris7 024

Paris7 029

Paris7 042

O engraçado é que a visita é tranquila até chegar perto da sala 6, onde fica a Monalisa. Ai a gente começa a ver aqueles grupos imensos se dirigindo ao lugar onde fica o famoso retrato de Leonardo.

Nos preferimos nem ver a Monalisa nessa dia e decidimos que no proximo domingo gratuito a gente acorda cedo, vê primeiro a Monalisa e, depois que o museu começar a lotar, segue para as outras obras, que também são otimas, embora não tão prestigiadas pelos visitantes.

5 Comentários

Arquivado em fim de semana, museu, Paris, passeio

Fête de la Cité

Esse fim de semana foi de festa aqui na Cité, como acontece todos os anos. Eu acho que só contei por cima o que é a Cité, onde a gente mora. Então vamos la: a Cité Universitaire Internationale de Paris é um lugar interessantíssimo localizado no 14° arrondissement, uma das regiões bonitas da cidade, não muito perto do centro, na rive gauche.

A Cité surgiu na década de 1920, como alojamento para estudantes da Université de Paris. Com o tempo, decidiu-se pela construção de casas representativas de vários países para acolher os estudantes estrangeiros. A idéia é (e continua sendo) a mistura de povos e culturas num ambiente estudantil, propicio para essas trocas. Hoje, ela tem cerca de 5600 residentes em suas 40 casas que recebem estudantes, pesquisadores e professores de todo o mundo.

Não tem nada a ver com a idéia que a gente tem de cidade universitária e não é só um conjunto de alojamentos. São prédios organizados de cada pais, cada um com uma arquitetura diferente e com uma programação cultural própria. Temos também a Maison Internationale, a casa central da Cité, onde ficam o restaurante central, a biblioteca, a piscina e mais muitas outras coisas (até hoje eu não conheci tudo la dentro).

maison internationale

Aqui, a Bélgica tem o tamanho dos Estados Unidos, a Argentina é vizinha do Canada e o Brasil fica do lado da Noruega, pertinho da India e da Suíça. A maioria dos residentes de cada casa nacional é do pais, mas existe um intercâmbio de moradores. Aqui na Maison du Brésil, por exemplo, 30% dos meus vizinhos são não brasileiros. Tem francês, sueco, paquistanês. ouve-se mais o português, claro, mais a língua oficial na Cité, quando as nacionalidades se misturam, é o francês.

Como a Cité é essa Babel que deu certo – porque todo mundo se entende no francês ou, em ultimo caso no inglês – a festa é também multicultural. No fim de semana, tivemos vários eventos simultâneos em casas diferentes e shows variados na pelouse (gramado) em frente à Maison Internationale. O tempo foi cruel com a festa a céu aberto, ficou frio e chuvoso a maior parte do tempo, mas deu pra aproveitar muito.

Sabado de manhã, fomos aproveitar o café da manhã a 1 euro e 50centavos da Maison des Industries Agricoles et Alimentaires. Nos e mais outros bolsistas brasileiros, que foram tirar a barriga da miséria enquanto a bolsa da CNPq não vem, já que ela sempre atrasa 3 meses.

Paris7 002

A gente comeu tanto, que não sobrou lugar para as especialidades vendidas na casa da Argentina e na casa do Líbano, destinos que eu já tinha marcado na agenda. Mas pra mim, o ponto alto da festa foi a Bourse aux Livres, feita pela biblioteca central. Tinham me falado que a biblioteca ia dar 10 mil livros, mas eu não acreditei que a gente podia chegar la e pegar quantos quisesse. Eu fiquei na fila para esperar as portas abrirem, fui uma das primeiras e chegar e logo depois vi um monte de gente chegando com caixas, sacos e até carrinhos. Realmente você podia pegar quantos livros quisessem, entre exemplares diversos de literatura francesa e mundial. Eu e o Arthur não levamos caixas e selecionamos bem o que queríamos levar.

Paris7 003

Paris7 004

No fim, levamos 20 livros, os dois juntos. Victor Hugo, La Fontaine, Balzac, um pouco de historia da arte, dois da Amélie Nothomb (minha autora contemporânea preferida, li dois livros dela aqui na França e me apaixonei), entre outros. Vi la um livro da Amélie que eu tinha comprado dois dias antes.

Paris7 007

Paris7 008

Realmente não sabia que essa doação da biblioteca era tão boa. Tudo bem que aqui em Paris você consegue edições ótimas de literatura francesa a preços baixíssimos nas livrarias, porque aqui existe essa forte tradição de venda de livros usados. Ainda tenho que escrever um post sobre o assunto, Paris é realmente o paraíso de quem gosta de literatura. Semana passada eu encontrei numa livraria do Quartier Latin um livro capa dura super bonito de Os Miseráveis por 50 centavos de euro (mas não comprei porque o Arthur já tava perguntando como é que eu ia levar para o Brasil os livros que eu já comprei).

A festa continuou noite adentro, mas a gente saiu antes, porque não queríamos perder a Noite dos Museus, que acontece em varias cidades européias. Aqui em Paris, todos os museus abriram as portas gratuitamente para o publico à noite e de madrugada e muitos ofereceram ainda uma programação especial. Fomos ao Louvre, mas isso também é assunto para outro post.

Hoje, domingo à noite, a festa ja acabou. Na hora do almoço, fomos primeiro à Casa da Índia, porque o Arthur adora a comida indiana.

Paris7 062

Depois voltamos, porque era dia de festa na casa brasileira. Dia de comer feijoada, pão de queijo, docinhos de festa e tomar guarana. Dia de ver capoeira, roda de samba e ouvir musica boa e ruim, mas tudo do Brasil. Do melhor samba de raiz ao funk carioca mais irritante. Mas não importa, o legal foi a animação. Realmente, a alegria brasileira é especial. Fazemos sempre a festa mais animada, os estrangeiros sempre se impressionam.

Paris7 068

Paris7 064

Paris7 071

Não deu tempo de ir nas outras casas, mas não deu pra deixar de reparar nesse povo ai da imagem abaixo. Não sei de que pais eram, mas achei a dança, a musica e a maquiagem tão curiosas que tirei algumas fotos. Eles passaram bem do lado da casa brasileira na hora da capoeira, cujo batuque ja começava a se misturar à musica indiana, da casa vizinha. Uma salada que é a cara da Cité.

Paris7 074

5 Comentários

Arquivado em festa, fim de semana, Paris