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Au revoir!

Hoje eu comi pela ultima vez no bandejão ruim da Cité, arrumei malas, doei roupas, pratos, copos, panelas…Joguei um monte de coisa fora. Ontem também foi assim: ida para o correio para despachar 12 quilos de livros. Os outros 11 couberam nas malas. Fechar conta no banco, mandar carta para anular seguros… E eu que achei que conseguiria passear e me despedir propriamente da cidade nesses dois dias!

Não tive tempo de ver a coleção permanente do Museu Pompidou, e também não consegui comprar algumas coisinhas de ultima hora (Rê, não deu pra comprar o protetor solar que vc me pediu 😦 ) Por isso, acabei nem atualizando o blog, mas ainda tenho muitos posts pra fazer (como o da Festa da Comuna, que algumas amigas cobraram). Então, acho que esse blog ainda tem uma sobrevida quando eu voltar para o Brasil…

Outra idéia que eu tive, mas não realizei (por preguiça mesmo) era sair para dar uma volta e tirar fotos de Paris de madrugada. Uma menina aqui da Maison fez uma série de Paris de madrugada e ficou muito bonita. Ontem so aproveitei pra tirar essa foto da minha janela à noite, porque o céu estava assim, rosa choque:

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Daqui a pouco vem um provável comprador ver a minha televisão e, depois disso, eu acabo com a fase “resolvendo problemas burocráticos antes de partir”. Hoje à noite, ainda bem, eu devo sair com o Arthur e os amigos dele pra uma despedida em algum bar do Quartier Latin. Pretendo dar uma passadinha ali do lado, no Sena, pra dizer à bientôt (até logo). Afinal, ainda tenho o que fazer nessa cidade, né?

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Minha Rive Gauche

Na segunda-feira comecei um curso de francês intensivo na Aliança Francesa,  no Boulevard Raspail, pertinho do Jardim de Luxemburgo e das áreas que adoro no Quartier Latin. Dessa vez, a escola fica mais perto de casa. Daria até pra ir a pé, mas eu nunca consigo me programar pra sair mais cedo. Sempre que saio da aula, porém, aproveito pra dar uma voltinha pela região. Ontem tirei uma foto (torta!) com o celular (infelizmente, não estava carregando a maquina fotográfica) da vista que eu tenho no caminho que faço pra voltar pra casa. Atravesso o Jardim e sempre dou de cara com o Pantheon la atras, imagem que fiquei admirando a semana inteira, fazendo o mesmo trajeto. Antes de ontem eu até levei a câmera, mas pro meu azar, estava chovendo, o que deixa tudo mais sem graça. Ontem, pelo contrario, tava um dia gostoso de outono, um friozinho de leve, com sol.

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Quando ia para a outra escola de francês, a EFI, gostava de sair uma estação de metrô antes só para atravessar o rio Sena e a Ile de la Cité. Chegando na Rive Droit (margem direita), não tinha nada demais no meu trajeto pela região de Les Halles (lojas, lojas e mais lojas). Então, fiquei aqui pensando que se tivesse que escolher uma das margens eu ficaria com a Rive Gauche (margem esquerda) do Sena. Anexaria as ilhas fluviais e o Marais à minha margem escolhida, é claro. Ficaria assim a minha Paris Rive Gauche + anexos: começaria no 14º arrondissement, onde moro, bem na beirada sul, na Cité Universitaire, passaria por Montparnasse e seus cafés, creperias e cinemas, subiria até o Jardim de Luxemburgo, o Quartier Latin, com suas faculdades e livrarias, Saint-German ali do lado com seus cafés famosos. Anexaria as ilhas porque a Notre Dame, pra mim, com sua arquitetura e localização, é o ponto mais bonito da cidade. E a pequena Ile St-Louis é um charme e – muito importante – sedia a Bertillon, a melhor sorveteria de Paris, sem duvidas. O Marais é uma outra paixão, com seus casarões (chamados de hotéis) do século 17, o Hotel de Ville, a Place des Vosges e o publico variado que frequenta o bairro que concentra duas comunidades bem diferentes, os judeus e a comunidade gay parisiense. A foto abaixo eu tirei de dentro do museu Victor Hugo; era a vista que o escritor tinha de seu apartamento na linda Place des Vosges.

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Eu tava até esquecendo que a Torre Eiffel fica também na Rive Gauche, mas a verdade é que ela não é essencial na minha seleção. Gosto da torre, mas pra ver como turista. Não esta entre as minhas regiões e monumentos preferidos. E claro que, da mesma maneira, gosto de um monte de coisa que ficou do lado direito. Como esquecer do Louvre, do Arco do Triunfo, de Montmartre?

O que quero dizer é que sou mais Rive Gauche pra morar, frequentar, viver. Pra sentar e ler um livro, ficar horas num café, essas coisas. Numa divisão feita bem por cima, na Rive Gauche fica a Paris mais antiga (foi para a esquerda, afinal, que os romanos começaram a expandir a cidade, chamada então de Luthecia). Remanescente desse periodo, temos as Arènes de Luthece, as ruinas de uma imensa arena romana que encontramos surpreendentemente na area do Quartier Latin, numa entrada estreita de uma das ruazianhas de comércio proximas a Rue Mouffetard, onde fica o mercado ao ar livre mais conhecido de Paris.

A margem esquerda tem essas ruínas romanas e um pouco do que sobrou dos monumentos da Paris medieval. Tem, em volta da Sorbonne e de outras instituições de ensino um clima mais intelectual, um pouco mais artístico. No lado direito destaca-se os monumentos construídos a partir da época napoleônica, mais recente. Por ali fica uma Paris mais grandiosa, monumental, do Louvre, do Petit e do Grand Palais, da Opera. E é la que sentimos a Paris chique, luxuosa, da Champs Elisée, dos grandes boulevares, com suas lojas de grife.

Ja me falaram que muito da margem esquerda – principalmente o 14º arrondissement – é o tipo de lugar onde os bobo (pronuncia-se bobôs – e significa burguês boêmio) gostam de morar. Segundo os parisienses, o “burguês boêmio” é aquela pessoa que tem dinheiro, mas quer ficar longe do luxo e da ostentação. Então, ele mora num lugar bonito e arborizado, perto de centros de cultura, prefere comer “bio” e beber vinhos de pequenos produtores (mais caros, por sinal) e odeia grifes mas vive atras de tecidos “bio” (também caríssimos). Eu sei, tem um pouco de contradição nesses ricos que torcem o nariz para a ostentação, mas que têm um nivel de consumo tão alto quanto o das madames da Champs Elisées, mas confesso que gosto bastante dos lugares que eles escolhem para morar. Enfim, se eu tivesse muito dinheiro (e precisa ser muito, muito, muito mesmo!), eu compraria um belo apartamento na Rive Gauche e viveria muito bem por aqui!

Foto: vista do Parque Montsouris, aqui em frente à Cité

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A cidadela da luz perfeita

St-Paul de Vence é uma cidade bem pequena – parece uma vila – no sul da França. Resolvemos conhecer o lugar porque ficamos sabendo que, depois do Monte St-Michel, era o segundo local mais visitado na França. Mas o que teria essa cidadela de tão especial pra atrair tanta gente?

Saímos de Nice numa mini-excursão – um grupo de sete pessoas e um guia – para um roteiro de degustação de vinhos, seguido de um passeio pela concorrida St-Paul de Vence. Partimos rumo ao interior e paramos primeiro numa vinícola familiar que ficava no caminho para degustar os vinhos da sul da França, principalmente os rosés, especialidade da região. Os vinhos de la são mais fortes, mais alcoólicos e passam por um processo muito diferente daquele que conhecemos no Vale do Loire. Se no Vale do Loire e, de fato, na maioria das vinícolas daqui, preserva-se o vinho a baixas temperaturas no processo de produção, esses vinhos da Provence e da Côte d’Azur passam um tempão ao ar livre, numa fermentação natural feita pelo sol, o que faz com que as safras sejam muito diferentes umas das outras.

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Depois da parada para degustação, seguimos para nosso destino principal. St-Paul de Vence é uma aldeia murada, como muitas outras da França, com suas casas medievais de pedra.

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Algumas construções medievais são autênticas, mas muita coisa foi restaurada e reconstruída. Fica situada numa colina e, embora distante, da pra ver o mar de la. As ruelas de pedra são hiper charmosas e o que impressiona, de fato, é a quantidade de galerias de arte.

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A cidadela tem hoje arte por todo canto. E tem uma historia que atrai os artistas. Picasso descobriu a vila no começo de sua carreira. Como outros artistas, ficou encantado com a luz do local. Os artistas dizem que ha na região um tom de amarelo que não se vê em lugar algum. Uma luz que inspirava e ainda hoje atrai os pintores.

Verdade que, além da luz e da beleza da região, ajudou bastante a propaganda que Picasso fez para seus amigos. Na época de inicio de carreira, o artista espanhol não tinha dinheiro e encontrou apoio do dono do albergue La Colombe d’Or. Dizem que ele falava para os amigos: “Aqui é ótimo, ele me deixa morar e comer de graça. Em troca eu dou a ele alguns desenhos que produzo”. Assim, acabaram passando também pelo Colombe d’Or artistas como Matisse, Miro, Braque, Modigliani e Signac. Hoje, La Colombe d’Or é um hotel e restaurante com preços salgados. Os clientes podem admirar os inúmeros quadros dos grandes artistas que trabalharam no local.

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A gente aproveitou pra comprar duas telas impressas, baratas, em St-Paul de Vence, com paisagens tipicas da Provence. Olhamos algumas galerias com obras únicas e originais de artistas contemporâneos. Gostamos de muita coisa, mas, é claro, o preço é sempre proibitivo para a gente e para a maioria dos turistas. Porém, sempre tem aquelas galerias que fazem impressões e gravuras para vender aos turistas como souvenir. Eu, particularmente, achei tudo mais interessante do que o que costumo ver aqui em Paris nos bouquinistes e na Place du Tertre.

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Sakountala (o abandono)

Sakountala, segundo uma lenda indiana, era a filha de um sábio. Um rei poderoso, numa de suas andanças fora de seu domínio, vê Sakountala e se apaixona. Para sorte dele, ela também se apaixona. Os dois ficam juntos e têm um filho. O rei volta para seu reino, para começar as preparações do casamento com Sakountala. Ela fica e um dia acaba amaldiçoada por um feiticeiro. A maldição: o rei não lembraria nunca mais dela, assim como um homem bêbado que não se lembra do que fez ou do que falou no dia anterior. Sakountala vai ao encontro do rei, coberta, e conta a historia, mas ele não a reconhece. Ela fica desolada com a humilhação e se recolhe. Alguns anos mais tarde, o rei reencontra a mulher, a reconhece e, de joelhos, pede perdão pelo abandono, pelo esquecimento. Ela aceita o perdão.

Camille Claudel deu o nome de Sakountala a uma de suas esculturas mais bonitas, a primeira escultura dramática de sua autoria. No livro Une femme, que estou lendo, encontrei uma passagem muito bonita, que acontece depois que Camille pega seu amante Rodin no flagra com uma de suas modelos. Camille reflete e diz a Rodin que ela não é como sua esposa, que não tem ciumes e entende que um escultor tenha outros casos. E que ela, como também é uma artista, acha que devia começar a ter outros casos. Rodin pede perdão e se apavora com a possibilidade de perdê-la para outro homem.  Nesse momento, a biografa descreve uma cena que teria gerado a obra Sakountala. Destaquei esse trecho que achei lindo no livro, que é bem romantizado, como boa parte dessa biografia. Eu gostei, mesmo assim. Como disse minha amiga Kél nesse texto, a biografia perde muito da arte quando se contenta com o relato fiel dos fatos. O trecho abaixo – que eu destaquei em francês, mas também fiz a tradução – é uma descrição de uma cena terna entre os dois amantes, totalmente baseada na obra de Camille:

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Camille le regardait, cet enfant qui s’agrippait. Elle reculait, et lui s’accrochait comme si elle allait le quitter, les yeux desespérés, implorants. Démuni, un homme démuni, à genoux, un visage ravagé (…)

Elle penche la tête vers lui, l’embrasse à la tempe, délicate, ineffablement tendre, elle lui donne tout, son coeur même…”Monsieur Rodin”(…)

Les bûches flambent. Elle s’aperçoit, elle l’aperçoit, reflétés, démultipliés par les miroirs, la grande flambée derrière eux. Il devient l’autel por le sacrifice, elle la proie, elle se penche sur lui, joue contre sa joue, encore debout, elle est tout entière en train de glisser, contre lui, agenoillé. Il la retient encore mais déjà la tête s’affaisse. Un des bras pend, sans force…Dans un dernier geste, elle presse sa main contre son coeur – une douleur sorde qui serre, la joie trop forte de le retrouver, la seconde avant le contact, elle s’abandonne alors, elle meurt…

Camille o olhava, essa criança que se agachava. Ela recuava e ele se agarrava a ela como se ela fosse lhe deixar, os olhos desesperados, suplicantes. Indefeso, um homem indefeso, de joelhos, um rosto ferido…

Ela inclina a cabeça em direção a ele, beija sua têmpora, delicada, inefavelmente terna, ela lhe da tudo, até seu coração…”Monsieur Rodin”.

A lenha crepita. Ela se enxerga e lhe enxerga, refletidos, multiplicados pelos espelhos, a grande chama atras deles. Ele se torna o altar para o sacrifício e ela, a presa. Ela se inclina sobre ele, com a face encostada na dele, e desliza em direção a ele, ainda em baixo, ajoelhado. Ele a retém ainda, mas sua cabeça ja se curva. Um braço pendente, sem força…Num ultimo gesto, ela pressiona a mão contra o coração – uma dor surda que bloqueia, a alegria forte demais de reencontra-lo, o segundo antes do contato, ela então se abandona, ela morre…

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A bela Nice

Voltamos nessa terça à noite de uma viagem de 4 dias em Nice, na Côte d’Azur, ou Riviera Francesa. O interessante da França é que o cenário muda muito de uma região para outra, reflexo de povos e costumes bem diferentes. Nice é uma maravilha, mas muito diferente das regiões que conhecemos até agora. Parece a Itália, foi o que sentimos ao chegar no hotel, no centro velho da cidade. São casarões em varias cores de tom pastel, varais, roupas e outros objetos nas janelas, além das ruas estreitas para pedestres.

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De fato, a cidade foi italiana até 1860. Nice, em italiano Nizza, tem os nomes das ruas grafados nos dois idiomas. Tem um passado longo. Foi fundada pelos gregos como Nikaea, que significa “vitoriosa”. Posteriormente, foi colonizada pelos romanos e manteve-se por muito tempo nas mãos de reinos italianos. Ouve-se muito o italiano pelas ruas, seja dos numerosos turistas que vêm do pais vizinho ou dos franceses da Córsega, onde até hoje fala-se também um dialeto italiano. Uma balsa leva os carros de Nice até a Córsega, nesse porto, que ficava próximo do nosso hotel:

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A cidade se espreme entre colinas e o MarMediterrâneo. Uma das colinas mais conhecidas é a colina do Castelo, que separa a cidade velha do porto. La em cima ha vestígios da presença grega no local e ruínas de um antigo castelo. De la temos uma linda vista da cidade e do mar:

Nice 029A praia é de pedra, então precisa pelo menos de uma toalhinha para tomar sol em cima. Quem ja esta acostumada com o lugar, leva uma boia para colocar a toalha em cima e não deitar sobre as pedras. Entrar no mar pode ser um pouco chato no começo porque as pedrinhas incomodam, mas a gente da dois passos e daqui a pouco ja esta no fundo, ai sim é uma delicia. a água não é muito fria e é azul, azul! Olha la o Arthur sofrendo para andar nas pedrinhas…hihihi

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Os restaurantes do cidade velha ficam sempre cheios, principalmente à noite. Como era de se esperar, são muitas as opções de restaurantes italianos.

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Falando em restaurante, recomendo para todos o Bistrot d’Antoine, o melhor lugar em que a gente comeu aqui na França, realmente a melhor relação custo-beneficio, sem falar na simpatia.

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Ele fecha la pelas duas horas da tarde para almoço. Chegamos mais ou menos nessa hora para comer e um senhor muito gentil começou a conversar conosco sobre o lugar. Ele avisou que eles não deveriam aceitar mais clientes, mas foi la conversar com o dono, que conhecia bem, e disse que eramos seus amigos. O dono desconfiou quando viu que eramos estrangeiros e disse: “Vc tem amigos brasileiros agora é?” O velhinho retrucou, rindo: “Pode servir, são meus amigos de infância!” E a gente acabou comendo por la, eu um risoto de manteiga de truffa e o Arthur, um de presunto cru e rúcula. Fomos, realmente os últimos clientes aceitos no dia.

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Nice e as cidades próximas também são interessantes para quem gosta de arte. Tem o Museu Matisse, o Museu Chagall, a pequena cidade de Saint Paul de Vence, que conhecemos num dia de excursão (mas isso é assunto para outro post). Em todo o calçadão do lado da praia vemos reproduções de obras de arte que foram feitas naquela região. A gente pode comparar as paisagens pintadas pelo artista com a paisagem de hoje a nossa frente. Algumas não mudaram quase nada. Outras, mostram uma cidade muita mais calma, uma cena bucólica ao lado do mar. De qualquer maneira, ainda hoje você pode parar em qualquer lugar na orla e fazer uma foto, que a imagem fica ótima, com aquele mar azul, que vai mudando de cor ao longo do dia – do turquesa para um azul mais escuro – e os casarões na frente das colinas.

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Meus pais em Paris!

Semana passada, durante quatro dias, meus pais ficaram aqui em Paris comigo. Estão ainda passeando pela Zoropa, agora em Barcelona, que nessa época do ano deve estar ótima. Os dois chegaram da Alemanha, onde começaram a viagem em visita ao meu irmão, no dia 14 de julho, feriado nacional aqui na França. No primeiro dia, fomos jantar numa creperia em Montparnasse e depois resolvemos ir andando até a Torre Eiffel, para ver os fogos de artificio da noite. Quanto mais perto chegávamos da torre, mais tumultuado ficava o ambiente. Eles estavam cansados e decidiram voltar para o hotel, enquanto ainda havia taxi na região. Sábia decisão! Eu e o Arthur, que ficamos até o fim dos fogos, pagamos pelo programa de índio. Mais de duas horas para conseguir voltar para casa, boa parte do percurso a pé, porque as ruas e metrôs foram bloqueados, uma loucura!

O dia seguinte foi mais tranquilo, quer dizer, não exatamente tranquilo, mas o tumulto mais normal de Paris do mês de julho, apinhada de turistas. Começamos o passeio pela Notre Dame e fomos andando até o Marais, vendo o Sena, o Hotel de Ville. Almoçamos no Léon de Bruxelles um prato de mariscos e outros frutos do mar que eu tava com vontade de comer faz tempo.

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Depois fomos a pé até o Louvre, com parada pare descansar no jardim de Tuileries.

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De Tuileries até a Champs Elysées – lotada, é claro – até o ponto final, o Arco do Triunfo. De pés cansados no fim do dia, jantamos perto do hotel deles, que era pertinho aqui de casa. No dia seguinte, outro caminho turístico indispensável: Montmartre. La, fomos à igreja de Sacre Coeur, praça do Tertre e visitamo a única vinícola de Paris. A plantação é pequena, mas a colheita das uvas – que acontece em outubro – é festejada todo ano.

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No ultimo dia, a gente foi até à Torre Eiffel e até o Trocadero, de onde temos uma vista mais bonita da torre.

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Para almoçar escolhi o café-restaurante do Museu Rodin, que tem umas saladinhas e uns quiches muito bons.

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Aconselho o passeio pra todo mundo. Quem estiver com pressa, nem precisa ver todo o museu. Para entrar nos jardins, que são lindos e cheios de esculturas do Rodin, paga-se apenas 1 euro por pessoa.

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Espero que eles tenham gostado. Porque, claro, como aqui é Paris e nos fizemos roteiros turísticos, não faltou o garçom chato, o serviço demorado e confuso do hotel, as filas de turistas. Mas acho que eles tiveram uma boa impressão da cidade!

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Sala Camille Claudel

Camille Claudel foi um capítulo importante da biografia de Rodin. O capítulo 6, pra ser mais exata, se usarmos a numeração das 16 salas que compõem o museu dedicado ao artista. Se representássemos a vida e obra de Camille, no entanto, o famoso escultor ocuparia um pedaço muito maior.

O talento de Camille aparece cedo, independente e original. Mas é preciso admitir que existe uma Camille antes de Rodin e depois de Rodin, ou antes e depois de a jovem ter aceitado o convite do escultor para ser sua aprendiz e assistente. Sua relação com o mestre é múltipla e renderia vários capítulos ou salas num possível museu de Claudel: Camille como modelo vivo; como a aprendiz que se espelha no mestre; a assistente do gênio em suas obras primas; a amante, fonte de inspiração do artista; e, finalmente, o tema do amor conturbado e negado, fonte de inspiração da obra de Camille e talvez também de sua loucura.

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Camille nasceu em 8 de dezembro de 1864 numa família tradicional francesa. Descobriu seu talento muito cedo e dizem que também declarou antes de todos o futuro artístico de seus irmãos mais novos, entre eles o escritor Paul Claudel. Desde o começo da carreira teve apoio de seu pai. Sua mãe, pelo contrário, desaprovava completamente o ofício da filha. Corajosa e decidida numa época cheia de interdições às mulheres, Camille decide se mudar para Paris em 1881, antes de completar 17 anos. Ela mudaria-se para o atelier de Rodin quatro anos mais tarde. A parceria foi produtiva. A assistente participou da produção de obras-primas como Portas do Inferno e Os Burgueses de Calais. Manteve também um ardente, conhecido e escandaloso caso de amor com o mestre. Eram correntes os boatos de envolvimento de Rodin com suas modelos, muito mais jovens que ele. Mas a relação com Camille foi mais forte e duradoura, para preocupação da mulher do escultor. O momento da ruptura com o artista, que não deixa sua esposa, é doloroso para Camille. Retratando esse período, temos uma das obras mais dramáticas da escultora: A Idade Madura, exposta no Museu de Orsay.

Na sala 6 do Museu Rodin, vi a cópia da obra que já tinha chamado minha atenção no Orsay.

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Seguindo a explicação da curadoria do próprio museu: Nessa segunda versão da obra A Idade Madura, a ruptura é consumada. As mãos da juventude suplicante, imagem de Camille Claudel deixam escapar a do homem, conduzido pela velhice.

Nessa minha segunda visita ao Museu Rodin, prestei mais atenção à obra de Camille, por indicação da Ana, no comentario do meu primeiro post sobre o lugar. Ela citou o filme Camille Claudel, que conta a história dramática da francesa. Ainda não vi o filme, mas depois de conhecer a biografia de Camille, fiquei morrendo de vontade de assistir. A história da artista começa com a descoberta precoce de seu talento, passa pela relação de parceria, amor e ódio com Rodin e termina com a loucura e internação num manicômio, que duraria 3 décadas até sua morte, aos 78 anos. Deixo aqui essa cena do filme que retrata um momento de revolta de Camille, depois da separação.

PS: Coloquei as fotos que tiramos no Museu Rodin no Picassa.

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