Arquivo da categoria: museu

Aviso aos amigos jornalistas

Essa dica é para os colegas de profissão, nobres jornaleiros que trabalham demais e recebem no fim do mês aquele holerite que parece uma piada. Se você é daqueles que deixa de almoçar pra filar o coffee break da coletiva de imprensa daquele banco ou daquela empresa endinheirada, ou fica feliz com qualquer jaba ou presentinho vagabundo das assessorias de imprensa é com você mesmo que estou falando. Atenção: quando vier a Paris, lembre-se de que jornalista não paga para entrar em quase nenhum museu ou exposição!

Verdade que é melhor ter a carteirinha internacional de jornalista. Eu, bobinha, achava que so valia essa carteirinha (que não tenho, porque não sou sindicalizada), e sempre pagava pra entrar. Até que, das ultimas vezes que fui para lugares pagos – Basilica de St-Denis e Esgotos de Paris – mencionei que era jornalista e me pediram credencial. Eu so tinha o cracha que uso para entrar no prédio em que trabalho – não é nem meu cracha da empresa, é so um crachazinho vagabundo pra entrar no prédio em que esta escrito Função: Jornalista Pauteiro, assim mesmo, em português, claro. E, pra minha surpresa, aceitaram e entrei de graça. Viu so que maravilha?

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Sala Camille Claudel

Camille Claudel foi um capítulo importante da biografia de Rodin. O capítulo 6, pra ser mais exata, se usarmos a numeração das 16 salas que compõem o museu dedicado ao artista. Se representássemos a vida e obra de Camille, no entanto, o famoso escultor ocuparia um pedaço muito maior.

O talento de Camille aparece cedo, independente e original. Mas é preciso admitir que existe uma Camille antes de Rodin e depois de Rodin, ou antes e depois de a jovem ter aceitado o convite do escultor para ser sua aprendiz e assistente. Sua relação com o mestre é múltipla e renderia vários capítulos ou salas num possível museu de Claudel: Camille como modelo vivo; como a aprendiz que se espelha no mestre; a assistente do gênio em suas obras primas; a amante, fonte de inspiração do artista; e, finalmente, o tema do amor conturbado e negado, fonte de inspiração da obra de Camille e talvez também de sua loucura.

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Camille nasceu em 8 de dezembro de 1864 numa família tradicional francesa. Descobriu seu talento muito cedo e dizem que também declarou antes de todos o futuro artístico de seus irmãos mais novos, entre eles o escritor Paul Claudel. Desde o começo da carreira teve apoio de seu pai. Sua mãe, pelo contrário, desaprovava completamente o ofício da filha. Corajosa e decidida numa época cheia de interdições às mulheres, Camille decide se mudar para Paris em 1881, antes de completar 17 anos. Ela mudaria-se para o atelier de Rodin quatro anos mais tarde. A parceria foi produtiva. A assistente participou da produção de obras-primas como Portas do Inferno e Os Burgueses de Calais. Manteve também um ardente, conhecido e escandaloso caso de amor com o mestre. Eram correntes os boatos de envolvimento de Rodin com suas modelos, muito mais jovens que ele. Mas a relação com Camille foi mais forte e duradoura, para preocupação da mulher do escultor. O momento da ruptura com o artista, que não deixa sua esposa, é doloroso para Camille. Retratando esse período, temos uma das obras mais dramáticas da escultora: A Idade Madura, exposta no Museu de Orsay.

Na sala 6 do Museu Rodin, vi a cópia da obra que já tinha chamado minha atenção no Orsay.

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Seguindo a explicação da curadoria do próprio museu: Nessa segunda versão da obra A Idade Madura, a ruptura é consumada. As mãos da juventude suplicante, imagem de Camille Claudel deixam escapar a do homem, conduzido pela velhice.

Nessa minha segunda visita ao Museu Rodin, prestei mais atenção à obra de Camille, por indicação da Ana, no comentario do meu primeiro post sobre o lugar. Ela citou o filme Camille Claudel, que conta a história dramática da francesa. Ainda não vi o filme, mas depois de conhecer a biografia de Camille, fiquei morrendo de vontade de assistir. A história da artista começa com a descoberta precoce de seu talento, passa pela relação de parceria, amor e ódio com Rodin e termina com a loucura e internação num manicômio, que duraria 3 décadas até sua morte, aos 78 anos. Deixo aqui essa cena do filme que retrata um momento de revolta de Camille, depois da separação.

PS: Coloquei as fotos que tiramos no Museu Rodin no Picassa.

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O castelo das mulheres

Junto com Chambord, Chenonceau é um dos castelos mais bonitos do Vale do Loire. Impressionante não só pela arquitetura, por seus jardins e bosques, mas por sua localização, atravessando o rio Cher, de margem a margem, e deixando um reflexo lindo na água.

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Uma fortaleza medieval da casa nobre de Marques ocupava o local onde fica o castelo, de 1243 a 1512. Em 1513, as terras foram vendidas para o nobre Thomas Bohier que, por influência de sua mulher Catherine Bohier, decidiu derrubar a construção medieval e construir um castelo renascentista no lugar. A única parte da antiga fortaleza conservada foi uma torre, mantida para servir de moradia para o guardião do castelo.

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Thomas e Catherine morreram alguns anos depois do término da imensa obra. O filho do casal teve o castelo e as terras confiscadas pelo rei Francisco I, pela falta de pagamento de dívidas com a coroa. Dizem que, na verdade, a propriedade foi confiscada em 1533 porque o rei estava de olho naquela maravilha tão bem localizada no Vale do Loire.

O poderoso Francisco I passou alguns dias no castelo, acompanhado da família, sua mulher, sua amante oficial e seu filho Henrique II e de amigos, como Catherine de Médice e Diana de Poitiers. Essa ultima tornou-se a famosa amante de Henrique II, desde os 12 anos de idade do príncipe. Alguns anos mais tarde, com 15 anos, ele se casa com Catherine de Médice, que tinha a mesma idade do príncipe, mas continuaria ligado a Diana até a morte, apesar da diferença de 19 anos entre os dois.

O romance de Henrique II e Diana de Poitiers é cheio de lendas, historias e boatos. Dizem que a aproximação de Diana do príncipe ainda adolescente foi idéia do rei, que queria que ela colocasse juízo na cabeça de seu filho. Fato é que, desde que se tornou rei, centralizando o poder, Henrique II sempre deixou muito claro o lugar especial de sua amada. Nunca nenhuma amante tinha tido tamanho poder sobre a monarquia francesa. Henrique II vestia-se sempre de preto e branco, as cores preferidas de sua amada, e escolheu para si o emblema da lua crescente, símbolo da deusa Diana. Existem varias obras de arte que representam a nobre vestida como sua homônima, a deusa da caça, como a tela abaixo, presente em um dos cômodos de Chenonceau:

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Em outras obras, Diana de Poitiers aparece nua, para ressaltar sua lendária beleza, como nessa tela da escola de Fontainebleau:

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O rei não mostrava sua adoração por Diana apenas nesses gestos simbólicos. Ele deu a ela jóias, recursos reais e, mais importante, o castelo de Chenonceau. Sob o comando de Diana, o castelo floresceu. Ela mandou construir o corredor do castelo que atravessa o rio e um jardim esplêndido.

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Ampliou a parte construída da propriedade, que administrava muito bem. Apesar da passagem dos anos, parece que Diana conseguia, milagrosamente, conservar sua beleza. Dizem que seu segredo era acordar cedo todos os dias e mergulhar na água fria que banhava o castelo. Dentro do castelo, podemos ver em praticamente todos os cômodos um simbolo real concebido por Henrique II que consistia no entrelaçamento das letras H, de sua inicial, e C, de sua mulher Catherine. As duas letras entrelaçadas acabam formando um D, de Diana.

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Em 1559, Henrique II é ferido seriamente no olho durante um torneio, o que leva a sua morte. A rainha viúva – dizem que por ciume ou talvez tentando mostrar quem realmente manda – retoma Chenonceau e algumas jóias que foram dadas a Diana. A famosa amante é expulsa do castelo encantado e transferida para um palacete menor e menos importante da região. Catherine – essa mulher brava que aparece no retrato abaixo – não mudou as construções de Diana, mas construiria outro jardim no já impressionante domínio de Chenonceau, para rivalizar com o lindo jardim da amante. Hoje, a propriedade tem dois jardins em estilos diferentes: o de Diana e o de Catherine.

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O castelo ficou nas mãos da família real e foi passado como herança para famílias nobres, parentes da realeza, até 1733, quando o duque de Bourbon vendeu Chenonceau para um burguês, o banqueiro Claude Dupin. A esposa de Claude, uma amante das artes, da ciência e da literatura, resolveu transformar o palácio renascentista em ponto de encontro de artistas e intelectuais. No local, ela adaptou laboratórios, salões e teatros por onde passaram intelectuais como Voltaire, Montesquieu, Rousseau e o biólogo Buffon.

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Durante a revolução, a ação de Madame Dupin foi essencial para salvar o castelo de revolucionários precipitados que queriam destruir tudo. Ela teve a simpatia dos líderes da revolução por ter abrigado filósofos de ideais revolucionários e conseguiu convencer os combatentes mais raivosos a manter o castelo, dizendo que ele era a única ponte entre os dois lados do rio. Ela teve que fazer alguns sacrifício pelo castelo. Assim, a propriedade abrigou revolucionários e suas armas e a capela foi transformada em deposito de madeira.

Seus esforços valeram a pena. O castelo foi poupado e, depois do curto período de lutas revolucionarias, o lugar voltou a ter a paz e a graça de antigamente. Foi nesse paraíso que Madame Dupin viveu até sua morte, aos 93 anos. A benfeitora do castelo esta la até hoje, seu tumulo fica no bosque do Chenonceau, hoje visitado por milhares de turistas.

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Chenonceau é conhecido como Château des Dames pela importância que as mulheres tiveram em sua construção e manutenção. Desde 1513, com o planejamento e primeiras construções de Katherine Briçonnet, passando pelo embelezamento da propriedade promovido pelas rivais Diane de Poitiers e Catherine de Médice, até a ação determinante de Madame Dupin, graças a quem o castelo passou incólume à sangrenta Revolução Francesa.

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Dia de folga pra ver Rodin

Hoje foi dia de excursão da escola…hehehe. Parece que voltei para o primário, né? Saímos os alunos e nossa professora querida para o Museu Rodin, uma das maravilhas de Paris pra onde eu pretendo voltar uma segunda vez, com o Arthur.

Não deu tempo para ver tudo, porque ficamos la só uma manhã e, no fim, fomos todos para um café. Foi ótimo, porque deu tempo para conhecer melhor as pessoas e para conversar um pouquinho. E, claro, dar uma olhadinha na obra do Rodin. Um momento fez o meu dia: a vendedora de ingressos me deixou entrar de graça no museu! Explico: aqui em Paris, menores de 26 anos entram de graça em muitos eventos culturais. Maiores de 26 têm que pagar. Como tenho carteira de estudante, às vezes consigo um desconto, mas alguns lugares só dão desconto para estudantes com menos de 26. Mais que isso, paga tarifa completa, o que me faz me sentir velha, é um saco.

Na bilheteria do Rodin, ficamos sabendo que menores de 26 não pagavam nada e que maiores com carteirinha pagavam tarifa reduzida. Uma parte da turma, que é mais nova, entrou de graça, a outra parte teve que pagar. Pensei: bom, pelo menos temos um descontinho. Chegando na minha hora de pagar, ia abrindo a carteira, mas a vendedora olhou para a minha cara e, automaticamente, imprimiu um bilhete gratuito, sem perguntar nada. Amei! Porque não tive que pagar e porque fiquei me achando “a novinha”…rsrsrs

O que o Museu Rodin tem de mais especial é o jardim. Grande, cheio de esculturas, roseiras e bosques. No destaque, a famosa escultura do pensador, que também esta presente do lado de dentro, em modelo reduzido.

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Na parte interna, outras obras conhecidas, como O beijo e A defesa:

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Outras obras que eu não conhecia, mas muito curiosas, como esse Balzac nu, com a pança de fora:

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No fim, passeamos um pouquinho pelo jardim, mas, como disse, não o suficiente para conhecer tudo. Fico devendo a Rodin e ao museu uma visita mais atenta e, a vocês, um post mais detalhado. Mas hoje foi mesmo um dia de confraternização, que acabou num café ao lado do museu, em meio a uma boa conversa e muitas risadas.

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Adivinha onde é!

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Essa cabra simpática ai em cima e esses burrinhos moram num lugar tranquilo, bucólico, com seus companheiros de espécie e os outros, porcos, patos, gansos, cachorros e gatos. Num ambiente cheio de arvores e flores de diferentes tipos. Fica pertinho de Paris e você já ouviu falar, com certeza. Deixa eu ajudar um pouco com fotos mais abertas:

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Uma vila minuscula do norte europeu? Nada disso. Essas fotos foram feitas nos célebres Jardins do Castelo de Versalhes. Para ser mais precisa, nos domínios da Maria Antonieta, lugar que não tem nada a ver com o famoso jardim real, geométrico, milimetricamente planejado e repleto de esculturas e fontes imponentes.

Fiquei surpresa e admirada com esse cantinho. Claro que o castelo e os jardins com as fontes são imperdíveis, maravilhosos. Mas não dá pra negar que a área  que a rainha modelou é muito mais confortável e humana, um lugar com cara de “lar, doce lar”, sabe? Não um templo para um deus vivo. O jardim fica perto de onde Maria Antonieta costumava passar seus dias, num palacete chamado Petit Trianon, que embora seja grande para os nossos padrões, não passa de uma cabana perto do Palácio de Versalhes.

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A famosa rainha que perdeu a cabeça na guilhotina não foi a primeira moradora de Versalhes a construir lugares mais aconchegantes no terreno de Castelo. O próprio rei sol, Luis XIV, mandou construir, no século 17, o Grand Trianon para servir de refugio da família real das formalidades da corte. Esse outro palácio foi usado pelos nobres que o sucederam como moradia, mas também como espaço de lazer com suas salas de jogos e bilhar e sua arquitetura um pouco menos pomposa. Um edifício grande, mas térreo, com os aposentos próximos dos jardins, da natureza.

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Mais tarde, Luis XV construiria, pertinho dali, o Petit Trianon, um pouco mais simples, que serviria de morada para a sua amante favorita, Madame de Pompadour. Quando Luis XVI foi coroado, resolveu dar o Petit Trianon para sua esposa, Maria Antonieta, que o recebeu de bom grado. Na região próxima ao palacete, ela pôde criar um jardim no estilo inglês, mais rustico, planejado de maneira a sentirmos que estamos num ambiente natural, com laguinhos que fazem curvas sinuosas e bosques que também parecem naturais, porque as plantas são colocadas de maneira menos geométrica. Dizem que a rainha fazia festas particulares e convidava seus amigos para passar longas temporadas em seus domínios, protegidos e escondidos do resto da corte. Ali, ela se sentia em casa, tinha uma capela particular, mandou fazer também a fazendinha, uma pequena aldeia com um laguinho e outras estruturas, como um teatro, onde a própria apresentava peças (como atriz principal, bien sur) para seus amigos e serviçais. Ela planejou também o Templo do Amor, essa construção linda atrás do roseiral, que tem a escultura do Cupido no centro.

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O rei frequentava o espaço nos fins de semana e a rainha, claro, tinha os seus aposentos no castelo, um quarto suntuoso, com essa portinha secreta à esquerda, por onde ela tentou fugir quando os revolucionários entraram no palácio.

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Nem o absolutista Luis XIV conseguia viver todos os dias no suntuoso Palácio. Versalhes definitivamente não é lugar para morar, pelo menos não é para os humanos. Foi feito para ser apreciado, pra esbanjar grandeza, pra impressionar. Continua cumprindo essa função.

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A beleza descansa no Loire

Descobri que o pais dos feriados não é o Brasil, minha gente, é a França. Pelo menos essa é a minha impressão até agora. So no mês de maio tivemos três, que emendaram com o fim de semana. Semana passada, aproveitando um desses feriados, viajamos para o Vale do Loire. Saímos na quinta de manhã e voltamos domingo, tarde da noite. Por isso meu sumiço, para quem perguntou, viu?

Com minha mania de exagerar, ia dizer que o Vale do Loire é lindo de morrer! Mas não é isso. Realmente é lindo, mas tão intensamente lindo que faz a gente se enganar e ser um tantinho impreciso. O vale e o rio, margeado por castelos e cidades medievais, são de uma beleza inimaginável, mas não acho que se trate daquela beleza exuberante, de tirar o fôlego. Também não é menos que isso. No fim da viagem eu ouvi uma turista francesa dizendo que no vale do Loire tudo é infinitamente belo e repousante. Eh isso, repousante é a palavra. De uma beleza intensa, mas repousante.

Porque, imagina, você vê um castelo que é uma verdadeira obra de arte, como o Chambord, o primeiro da nossa viagem. Naturalmente, sente aquele deslumbramento. Mas ai você repara que o castelo combina com o bosque imenso que o cerca e que esta em harmonia com o rio que passa perto dele. Tudo, absolutamente tudo é bonito e harmonioso.

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Ai ja viu, a sua visão fica acostumada com aquela beleza. O Chenonceau, um castelo menos chamativo que Chambord, é um exemplo dessa harmonia. O rio atravessa o castelo, ou, dependendo do ponto de vista, o castelo atravessa o rio, de margem a margem, bosque a bosque, com seus jardins planejados.

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Por falar em jardins, nada mais belo que o Villandry, o castelo com jardins tematicos e uma horta milimetricamente desenhada, com suas cores que combinam entre si e, de cima, formam um todo admiravel.

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No fim, nos conhecemos seis castelos (Chambord, Chenonceau, Blois, Saumur, Brézé, Villandry) e três cidades (Blois, Saumur, Tours) no Loire. Cheguei de viagem cheia de coisas pra contar…Sim, porque cada castelo tem uma historia, tem A Historia, porque neles viveram reis, rainhas e nobres franceses e outras historias miúdas,  mas talvez mais interessantes, de amor, vingança, complô, assassinato… Prometo que conto pra vocês nos próximos posts. Recomendo a todo mundo que vier pra França, principalmente nos dias ensolarados: Passem pelo menos uns dois dias no Vale do Loire. Eu, que acabei de voltar de viagem, ja estou com saudades.

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Colocamos todas as fotos dessa viagem no nosso album.

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La Nuit des Musées

Olha, eu tenho muitas saudades do Brasil. Na verdade não é tanto do Brasil, é um pouco da comida, do sol, da lingua, confesso. Mas eu tenho saudade de verdade so das pessoas  –  a familia e os amigos. Se não fosse pelas pessoas, eu poderia trocar de pais facilmente. Daria sim para viver aqui nessa cidade. Calma, isso aqui também não é perfeito. Tem pobreza, mendigo, violência (bem menos, é verdade), sujeira e lugares feios. Tem sim, viu? Não adianta se iludir. Mas tem horas que eu fico muito empolgada com essa cidade, como no sabado passado.

O fim de semana ja foi cheio de atividades, como eu contei aqui, e no sabado à noite tivemos a quinta edição do evento Noite dos Museus. Acontece em toda a Europa, mas é preciso dizer que Paris é uma cidade particularmente especial quando o assunto é museu. Nessa noite, todos os museus ficaram abertos até a madrugada, com entrada gratuita e uma programação especial.

O unico problema de estar num evento desses em Paris é a quantidade de escolhas. São muitas, da vontade de ver tudo, mas, claro, é humanamente impossivel. Não tem jeito, você tem que ir num so museu e torcer para que tenha feito a escolha certa. Então vamos la, o que você escolheria?

Ver as esculturas de Rodin especialmente iluminadas para a noite? Visitar Orsay? Picasso? Musée Carnavalet com concerto de musica e dança? Orangerie com programação especial de musica? E assim vamos, com eventos e mais eventos, nessa cidade apinhada de museus. Como se os acervos permanentes ja não fossem suficientes.

Enfim, nos escolhemos ir pela segunda vez no bom e velho Louvre, porque nos estamos empenhados na missão de conhecer o Louvre de cabo a rabo antes de partir. Não sei se vai dar, mas a gente tenta. Pelo jeito, a escolha foi otima. Fiquei sabendo que muitos museus lotaram, com filas que dobravam o quarteirão. No Louvre, imenso, mesmo que tenha uma multidão, ela sempre se dispersa. E, de fato, quando chegamos, não pegamos fila alguma e conseguimos ver tudo com tranquilidade.

Dessa vez, escolhemos a coleção de arte francesa.

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Vimos umas  salas, mas tivemos que interromper a visita, porque as outras salas da coleção estavam fechadas.

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Passamos para o começo da pintura italiana: Botticelli, Da Vinci, Raphael…

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O engraçado é que a visita é tranquila até chegar perto da sala 6, onde fica a Monalisa. Ai a gente começa a ver aqueles grupos imensos se dirigindo ao lugar onde fica o famoso retrato de Leonardo.

Nos preferimos nem ver a Monalisa nessa dia e decidimos que no proximo domingo gratuito a gente acorda cedo, vê primeiro a Monalisa e, depois que o museu começar a lotar, segue para as outras obras, que também são otimas, embora não tão prestigiadas pelos visitantes.

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