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Au revoir!

Hoje eu comi pela ultima vez no bandejão ruim da Cité, arrumei malas, doei roupas, pratos, copos, panelas…Joguei um monte de coisa fora. Ontem também foi assim: ida para o correio para despachar 12 quilos de livros. Os outros 11 couberam nas malas. Fechar conta no banco, mandar carta para anular seguros… E eu que achei que conseguiria passear e me despedir propriamente da cidade nesses dois dias!

Não tive tempo de ver a coleção permanente do Museu Pompidou, e também não consegui comprar algumas coisinhas de ultima hora (Rê, não deu pra comprar o protetor solar que vc me pediu 😦 ) Por isso, acabei nem atualizando o blog, mas ainda tenho muitos posts pra fazer (como o da Festa da Comuna, que algumas amigas cobraram). Então, acho que esse blog ainda tem uma sobrevida quando eu voltar para o Brasil…

Outra idéia que eu tive, mas não realizei (por preguiça mesmo) era sair para dar uma volta e tirar fotos de Paris de madrugada. Uma menina aqui da Maison fez uma série de Paris de madrugada e ficou muito bonita. Ontem so aproveitei pra tirar essa foto da minha janela à noite, porque o céu estava assim, rosa choque:

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Daqui a pouco vem um provável comprador ver a minha televisão e, depois disso, eu acabo com a fase “resolvendo problemas burocráticos antes de partir”. Hoje à noite, ainda bem, eu devo sair com o Arthur e os amigos dele pra uma despedida em algum bar do Quartier Latin. Pretendo dar uma passadinha ali do lado, no Sena, pra dizer à bientôt (até logo). Afinal, ainda tenho o que fazer nessa cidade, né?

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Poema pra brasileiro ler

Sexta-feira passada foi meu ultimo dia de aula na Aliança Francesa; meu e da outra aluna, uma italiana (éramos apenas duas). Apesar de pequena, o professor gostava da classe. E, no nosso ultimo dia de aula levou champanhe e petiscos, para uma mini-festa. Ele disse que faz isso sempre que gosta da turma, tira o dinheiro do bolso dele mesmo. Achei uma graça!

Ele também reservou a ultima parte da aula para a fonética. Como ele adora literatura, pediu para que a gente lesse poemas de Paul Verlaine, com atenção para a pronunciação e, claro, a interpretação. Ele leu uma vez para mostrar como teríamos que ler aqueles poemas tristes, melancólicos. O professor achou que a pronuncia da outra menina estava italiana demais, mas que ela estava quase acertando a interpretação. Ele gostou da minha pronunciação, mas não ficou satisfeito com a interpretação:

– Menos feliz, menos feliz…essa sua felicidade brasileira não combina com o poema!

Não teve jeito, tentei a voz mais triste que consegui… quer dizer, aquilo que eu considerava um triste natural. Sabe o que é professor, mais do que isso, eu vou começar a achar falso e, portanto, engraçado!

– Ai, vocês brasileiros não tem jeito…rsrsrs

Além dos poemas de Verlaine, ele mostrou um texto do Victor Hugo que eu achei excelente. Esse combinou com minha alegria brasileira, ainda bem. Deixo aqui a tradução e o poema no original, em francês:

Jovens, tenham cuidado com as coisas que vocês dizem

Jovens, tenham cuidado com as coisas que vocês dizem.
Tudo pode sair de uma palavra que, en passant, você perdeu.
Tudo, o ódio e o luto! – E não venha me dizer

Que seus amigos são confiáveis e que você fala baixo…

Escute bem:

Cara a cara, em particular,

Portas fechadas, em sua casa, sem uma testemunha que respire,

Você diz ao ouvido do mais discreto

De seus amigos de coração, ou, se você preferir,

Você murmura sozinho, acreditando que você quase se cala,

Do fundo de um porão a trinta pés debaixo da terra,

Uma palavra que desagrada a um individuo qualquer;

Essa palavra que você acredita que ninguém ouviu,

Que você dizia tão baixo num lugar surdo e sombrio,

Corre com negligência, parte, salta, sai da sombra!

Olhe, ela já esta la fora! Ela conhece o seu caminho.

Ela anda, ela tem dois pés, um bastão na mão,

Tem sapatos firmes, um passaporte em ordem;

– Precisando, ela cria asas, como a águia!

– Ela escapa de você, ela foge, nada a deterá.

Ela segue pelo cais, atravessa a praça, e tudo o mais,

Passa pela água sem barco na estação das vinhas,

E, atravessando um labirinto de ruas, vai

Direto até o individuo de quem você falou.

Ela sabe o numero, o andar; ela tem a chave,

Ela sobe a escada, abre a porta, passa,

Entra, chega e, desdenhosa, olhando o homem na cara,

Diz: – Olha eu aqui! Eu saio da boca de um tal…

– E esta feito. Você tem um inimigo mortal.

Jeunes gens, prenez garde aux choses que vous dites

Jeunes gens, prenez garde aux choses que vous dites.
Tout peut sortir d’un mot qu’en passant vous perdîtes.
Tout, la haine et le deuil ! – Et ne m’objectez pas
Que vos amis sont sûrs et que vous parlez bas… –
Ecoutez bien ceci :

Tête-à-tête, en pantoufle,
Portes closes, chez vous, sans un témoin qui souffle,
Vous dites à l’oreille au plus mystérieux
De vos amis de coeur, ou, si vous l’aimez mieux,
Vous murmurez tout seul, croyant presque vous taire,
Dans le fond d’une cave à trente pieds sous terre,
Un mot désagréable à quelque individu ;
Ce mot que vous croyez que l’on n’a pas entendu,
Que vous disiez si bas dans un lieu sourd et sombre,
Court à peine lâché, part, bondit, sort de l’ombre !
Tenez, il est dehors ! Il connaît son chemin.
Il marche, il a deux pieds, un bâton à la main,
De bons souliers ferrés, un passeport en règle ;
– Au besoin, il prendrait des ailes, comme l’aigle ! –
Il vous échappe, il fuit, rien ne l’arrêtera.
Il suit le quai, franchit la place, et caetera,
Passe l’eau sans bateau dans la saison des crues,
Et va, tout à travers un dédale de rues,
Droit chez l’individu dont vous avez parlé.
Il sait le numéro, l’étage ; il a la clé,
Il monte l’escalier, ouvre la porte, passe,
Entre, arrive, et, railleur, regardant l’homme en face,
Dit : – Me voilà ! je sors de la bouche d’un tel. –

Et c’est fait. Vous avez un ennemi mortel.

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Os fantasmas das Highlands

Os britânicos têm um gosto pelo bizarro, pela violência, o terror e as historias de fantasma. Pelo menos foi essa a impressão que a gente teve da Terra da Rainha. Você vê esse gosto na moda, nos costumes, no comportamento e nos lugares turísticos. Então, temos la um castelo muito visitado porque seria mal-assombrado, um museu da tortura, os lugares por onde passaram o notório Jack, o estripador, em Londres. Criminosos lendários, historias de morte, de terror e de fantasmas vivem no imaginário popular.

Os escoceses não ficam atras dos londrinos. Fala-se muito do passado heroico, mas também dos massacres e da violência que marcou o pais. Fizemos uma viagem de um dia pelas Highlands, saindo de Edimburgo nas terras baixas, passando pelo Lago Ness, já nas famosas terras altas, e chegando em Inverness, mais ao norte. Passamos por terras de formação antiga que hoje lembram um inacreditável terreno lunar, com os locks de água cristalina, refletindo e repetindo a paisagem que naturalmente já se repete.

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As imagens ficaram ainda mais interessantes porque tivemos a sorte de sermos acompanhados por um guia de viagem super empolgado, que contava a historia de cada cantinho, cada ponte, ruína, lago ou montanha. Nas varias historias, algo em comum, aquilo que eu já tinha sentido em Londres, um interesse pelas historias violentas que marcaram a região. Uma delas, conhecida de praticamente todos os escoceses, ficou mais viva na minha memoria: o massacre de Glencoe, de 1692.

O Brian, nosso guia escocês contou que essa tragédia teria abalado a hospitalidade dos highlanders. O dia 13 de fevereiro de 1692 é relembrado pelos escoceses como um dia de covardia e injustiça, de abuso do poder real ou de uma briga antiga entre dois clãs escoceses. Nessa data, 38 homens do clã dos MacDonalds foram mortos em suas casas, surpreendentemente, por seus próprios hospedes. Duas semanas antes, a família tinha recebido homens do exército inglês, alguns deles conhecidos e até parentes distantes, pertencentes a outros clãs highlanders. Eles comeram, beberam e se divertiram junto com a família, que recebeu bem os “amigos”, sem desconfiar que tudo fazia parte de um complô para exterminar o clã. Depois do massacre, mais 40 mulheres e crianças morreram de frio e de fome, com suas casas queimadas pelo exército, abandonadas no frio e sem recursos num terreno inóspito, árido e distante dos outros clãs.

O mais cruel da chacina é que ela aconteceu por causa de um detalhe burocrático, pelo menos foi esse detalhe que serviu como desculpa para o ato abominável. Em 1688, houve uma disputa de sucessão pelo trono da Inglaterra entre William de Orange e James VII. Alguns escoceses, principalmente os das terras baixas, apoiaram William, mas os highlanders queriam James no poder. Houve vários motins jacobinos (nome dado aos highlanders que apoiavam James) e batalhas entre os dois grupos. James foi derrotado e partiu para o exílio na França. Quando subiu ao trono, William decidiu perdoar todos os highlanders que jurassem lealdade a seu reino. E estabeleceu um prazo para o juramento oficial: 1 de janeiro de 1692. Quem não fizesse o juramento sofreria represálias. Os highlanders receberam a autorização de James, exilado na França, para fazer o que o rei pedia. Alguns foram rápidos e conseguiram fazer o voto de lealdade ao rei no meio de dezembro. Outros deixaram para ultima hora. Foi o caso de Alastair Maclain, chefe do clã dos MacDonalds.

No dia 31 de dezembro de 1691, Maclain dirigiu-se a Fort William, região mais próxima onde um oficial poderia registrar seu juramento. La, foi informado pelo oficial que teria que ir para outro lugar, Inveranay, para registrar o juramento com o sheriff Colin Campbell. Como o oficial sabia que a viagem duraria pelo menos uns três dias no inverno, tranquilizou Maclain e deu a ele uma carta que comprovava que ele tinha chegado a tempo para o juramento. E, assim, o pobre Maclain teve que seguir para outro guichê, digo, outra propriedade, para o registro oficial.

Chegando em Inveranay, ainda teve que esperar mais 3 dias porque o funcionário publico, digo, o oficial do rei, Colin Campbell estava de férias. Depois do chá de cadeira, ele conseguiu oficializar o juramento com o relutante Campbell.  A partir desse momento não se sabe exatamente quem teve a maquiavélica ideia da punição com base num detalhe burocrático. Sabe-se que estiveram envolvidos na historia o Campbell, que não gostava da família MacDonald depois que membros do clã roubaram gado de sua família e um tal de John Dalrymple, um alto servidor real que odiava os highlanders e seus modos “bárbaros”. Não se sabe se o próprio rei William fez parte do complô. Fato é que ele assinou uma ordem para o assassinato dos MacDonalds, com base na desculpa de que o chefe do clã não teria feito o juramento a tempo.

Alguns soldados foram informados da chacina na véspera. Houve quem aceitasse as ordens, mas outros decidiram quebrar suas espadas e se negaram a seguir os superiores. Mesmo correndo risco de morte, alguns soldados tentaram avisar e salvar membros da família. O massacre foi posteriormente condenado pelo Parlamento Escocês, mas nada foi feito contra os reais responsáveis. No fim, a chacina contribuiu para exaltar ainda mais os ânimos dos highlanders contra o monarca, o que acendeu novas revoltas jacobinas nos anos seguintes. Até hoje, o episodio é conhecido como o dia mais infame da historia escocesa. O dia foi imortalizado por artistas, músicos e escritores, como Walter Scott e T.S. Eliot. No poema “Rannoch, by Glencoe”, Eliot diz:

Aqui o corvo passa fome, aqui o veado paciente
procria para a espingarda. Entre o terreno suave
e o céu suave, quase não há lugar
para pular ou planar. A substância se desfaz, no ar fino,
frio lunar ou calor lunar. A estrada venta
na apatia de uma guerra antiga,
languidez de ferro quebrado,
clamor de injustiça confusa, competente
no silêncio. A memória é forte
e vai além do osso. Orgulho cortado,
é longa a sombra do orgulho, no longo desfiladeiro
sem o concordância do osso.

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14 de julho!

Feriado nacional, festa mais importante aqui da França, pra celebrar a queda da Bastilha, marco da Revolução Francesa de 1789. O nascimento da Republica Francesa da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Dia de cantar a Marselhesa, ou assobiar, pra quem não conhece a letra. Deixo aqui a letra em francês, a tradução (tiradas daqui) e um link com um trecho do filme Piaf.

La Marseillaise

1
Allons enfants de la Patrie
Le jour de gloire est arrivé
Contre nous de la tyrannie
L’étendard sanglant est levé (bis)
Entendez vous dans les campagnes mugir ces féroces soldats
Ils viennent jusque dans vos bras, égorger vos fils, vos compagnes
Aux armes citoyens! Formez vos bataillons!
Marchons, marchons, qu’un sang impur abreuve nos sillons.

2
Que veut cette horde d’esclaves
De traîtres, de Rois conjurés?
Pour qui ces ignobles entraves,
Ces fers dès longtemps préparés? (bis)
Français! Pour nous, ah! Quel outrage!
Quels transports il doit exciter!
C’est nous qu’on ose méditer
De rendre à I ‘antique esclavage!

3
Quoi! des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers (bis)
Grand Dieu! Par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient I
De viIs despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées!

4
Tremblez, tyrans! Et vous, perfides,
L’opprobe de tous les partis,
Tremblez! Vos projets parricides
Vont enfin recevoir leur prix (bis).
Tout est soldat pour vous combattre,
S’ils tombent, nos jeunes héros,
La terre en produit de nouveaux
Contre vous tout prêts à se battre

5
Français! En guerriers magnanimes
Portez ou retenez vos coups.
Epargnez ces tristes victimes
A regret s’armant contre nous (bis).
Mais le despote sanguinaire,
Mais les complices de Bouillé,
Tous ces tigres qui sans pitié
Déchirent le sein de leur mère

6
Nous entrerons dans la carrière,
Quand nos aînés n’y seront plus
Nous y trouverons leur poussière
Et les traces de leurs vertus. (bis)
Bien moins jaloux de leur survivre
Que de partager leur cercueil,
Nous aurons le sublime orgueil
De les venger ou de les suivre.

7
Amour sacré de la Patrie
Conduis, soutiens nos bras vengeurs!
Liberté, Liberté chérie!
Combats avec tes défenseurs (bis).
Sous nos drapeaux, que la victoire
Accoure à tes mâles accents,
Que tes ennemis expirant
Voient ton triomphe et notre gloire!

A Marselhesa

1
Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
O estandarte ensangüentado da tirania
Contra nós se levanta.
Ouvis nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós
Degolar nossos filhos, nossas mulheres.
Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Nossa terra do sangue impuro se saciará!

2
O que deseja essa horda de escravos
de traidores, de reis conjurados?
Para quem (são) esses ignóbeis entraves
Esses grilhões há muito tempo preparados? (bis)
Franceses! Para vocês, ah! Que ultraje!
Que élan deve ele suscitar!
Somos nós que se ousa criticar
Sobre voltar à antiga escravidão!

3
Que! Essas multidões estrangeiras
Fariam a lei em nossos lares!
Que! As falanges mercenárias
Arrasariam nossos fiéis guerreiros (bis)
Grande Deus! Por mãos acorrentadas
Nossas frontes sob o jugo se curvariam
E déspotas vis tornar-se-iam
Mestres de nossos destinos!

4
Estremeçam, tiranos! E vocês pérfidos,
Injúria de todos os partidos,
Tremei! Seus projetos parricidas
Vão enfim receber seu preço! (bis)
Somos todos soldados para combatê-los,
Se nossos jovens heróis caem,
A França outros produz
Contra vocês, totalmente prontos para combatê-los!

5
Franceses, em guerreiros magnânimos,
Levem/ carreguem ou suspendam seus tiros!
Poupem essas tristes vítimas,
que contra vocês se armam a contragosto. (bis)
Mas esses déspotas sanguinários
Mas esses cúmplices de Bouillé,
Todos esses tigres que, sem piedade,
Rasgam o seio de suas mães!…

6
Entraremos na batalha
Quando nossos antecessores não mais lá estarão.
Lá encontraremos suas marcas
E o traço de suas virtudes. (bis)
Bem menos ciumentos de suas sepulturas
Teremos o sublime orgulho
De vingá-los ou de segui-los.

7
Amor Sagrado pela Pátria
Conduza, sustente nossos braços vingativos.
Liberdade, querida liberdade
Combata com teus defensores!
Sob nossas bandeiras, que a vitória
Chegue logo às tuas vozes viris!
Que teus inimigos agonizantes
Vejam teu triunfo e nossa glória.

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A (quase) invencível torta de limão

A gente viu a dica do restaurante Le Loir dans la Théière no Conexão Paris e resolvemos testar, na semana passada. Fica no Marais, o bairro onde faço curso de francês. Então, numa tarde em que o Arthur não teve que trabalhar, saímos la do curso e fomos conferir o restaurante que já parecia bem simpático pelas fotos.

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O ambiente é descontraído, o atendimento é bom e, aparentemente, feito pelos próprios donos, e as tortas são o destaque da casa. Principalmente as doces, que ficam expostas no balcão. O cardápio é simples, tem os sempre presentes quiches e tortas, mas a gente já comeu tanto quiche e torta salgada aqui em Paris, que ficamos meio enjoados. Então, eu pedi a massa do dia e o Thur, um omelete recheado.

Foi difícil escolher a sobremesa, todas as tortas são lindas, principalmente a de damasco. Mas meu olho maior que a barriga não saia de cima da torta de limão, que era muuuuuuito grande! O Arthur pediu a torta de chocolate, comme d’habitude.

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Olha la! Viu o tamanho do meu pedaço? Agora imagina que essa parte ai de cima da torta é puro marshmallow! Pois é, tava uma delicia, mas não consegui vencê-la. O Arthur, formiga bem criada, comeu a dele, de chocolate, e o que sobrou da minha.

Recomendo o restaurante a quem vier a Paris, principalmente por causa das tortas. O preço é bom, se não me engano cada torta ficou em 6,50 euros. Agora, pense em experimentar os outros sabores. Lembre-se: a torta de limão é para profissionais!


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O ar de Paris

Ontem umas meninas da aula de francês comentavam que o dia estava lindo, mas reclamavam do ar de Paris. Ao que parece, todas elas têm mais rinites, alergias e doenças respiratórias aqui. Diziam que nas cidades onde moravam, no Canada, na Alemanha, na Espanha e em outros países, não tinha “toda essa poluição”. Eu comentei que comigo aconteceu justamente o contrario. Desde que cheguei aqui não tive alergia e rinite e, em São Paulo, vivo espirrando.

São Paulo é mais poluída que Paris?, pergunta a canadense, ingênua.

Digamos que…assim…um pouquinho mais. O ar é menos respirável, os rios um tantinho mais sujos, o trânsito, levemente mais irritante…Sinceramente, pra mim, quem vive em Paris tem uma super qualidade de vida e não sabe o que são os problemas de uma cidade como São Paulo, gigantesca e desigual. Enfim, não quero ficar aqui falando mal de São Paulo, porque apesar de todos os seus dramas, continua sendo a minha cidade.

So queria dizer que aproveitei o sol do dia de ontem pra dar uma passeada por ai e respirar fundo (pra pulmões paulistanos o ar daqui t mais do que bom), e ver uns lugares que ficam mais bonitos nos dias ensolarados. Decidi andar na margem esquerda do Sena, de Notre Dame até a ponte Charles de Gaulle. Aproveitei pra tirar umas fotos, que coloco aqui pra vocês verem que não minto sobre esse dia estava especialmente bonito.

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Nossas urgências

Ainda não vai dar pra escrever um post feliz. Olha só o nosso fim de semana: sexta de manhã, Dia do Trabalho (dia de não trabalhar e de tomar as ruas no país da greve), eu acordo e levo um susto. Amanheci ensopada de sangue, foi realmente assustador, deu pra notar nos lençóis tingidos de vermelho vivo e nos olhos super arregalados do Arthur que, tadinho, tinha acabado de acordar. Até tentei levantar para ir ao banheiro, mas ai saíram vários coágulos (desculpem se a descrição ficou meio nojenta, mas foi tão impressionante que me dá vontade de contar os detalhes), e eu quase desmaiei e tive que voltar para a cama. O Arthur chamou uma ambulância e eu esperei pelo atendimento calmamente porque sabia que ia ser socorrida em breve e porque não sentia muita dor. No fim tudo correu bem comigo, mas aconteceram algumas bizarrices que me deixaram com muita raiva nessa semana.

Começou com a vinda da ambulância. Os dois funcionários que fizeram os primeiros socorros foram gentis, mediram pressão, temperatura, viram que eu estava sangrando muito e me colocaram numa cadeira de rodas, antes de me passar para a maca, que ficou esperando no térreo. Eu já estava na cadeira, pronta para ir, e eles me pedem minha Carte Vitale, o documento de quem tem seguridade social aqui na França. A gente não tem o documento, mas um seguro de saúde que cobre urgências. Então, eles disseram que teríamos que pagar pela ambulância e teríamos um recibo, para tentar o ressarcimento com nosso seguro. OK, normal, vamos acertar isso quando chegar ao hospital, então.

– Não, desculpe senhor, nosso atendimento é independente do hospital. Tem que pagar direto para a gente. São 130 euros e 11 centavos.

– Tá, eu tenho carte bleue

– Não, não serve cartão, tem que ser dinheiro ou cheque. .. (o cara estava visivelmente incomodado com a situação de ter que cobrar antes de ir para o hospital, mas ele ligou para o chefe dele e parece que esse era o procedimento)… Olha…se o senhor não tiver o dinheiro em casa, a gente pode passar num banco antes de chegar ao hospital (ANTES de chegar ao hospital??? Eu tô entendendo direito ou a hemorragia afetou meus neurônios? Não, era isso mesmo)

O Arthur começou a contar o dinheiro da carteira dele e eu, me arrastando da cadeira para a cama, pedi para puxar a minha carteira e achei 130 euros e… cinco, dez e…voilà 11 centavos…agora podemos ir?

Partimos e, no caminho, um dos funcionários pediu desculpas, dizendo que o dinheiro não ia para o bolso deles não, era para o patrão e tal…enfim, até ele percebeu que o negócio de cobrar antes foi assim, vamos dizer, um tantinho desumano, né?

Mas tudo bem, chegamos ao hospital, fui muito bem tratada, esperaram para ver se eu ainda ia sangrar mais um pouco e acabei fazendo uma cirurgia de aspiração. Passei o dia inteiro no hospital, tomando soro e remédios, mas graças a Deus, não precisei de transfusão. E no fim, achei melhor assim porque não tive que tomar o Cytotec receitado um dia antes pela médica, foi um aborto natural. Mas as bizarrices continuaram. Nosso seguro, o tal de Assist-Card, disse que não ia pagar nada porque eles não cobrem gravidez, nem aborto, nem nenhuma complicação da gravidez.  Mas era uma emergência, se eu ficasse em casa eu poderia morrer, viu? Desculpe, senhora, mas está no contrato… blablabla… Escuta, da próxima vez você pode ligar para o meu marido, que tá la embaixo tentando falar com vocês…não é por nada não, é só que eu estou aqui deitada numa maca a caminho da cirurgia e essa conversa tá me estressando…

No fim, os atendentes do seguro ligaram varias vezes para explicar que eles não cobrem mesmo e blablabla…o Arthur avisou que ia tentar processa-los no Brasil…Mas o senhor assinou um contrato…Mas ele não está de acordo com as leis brasileiras, vou processa-los mesmo assim…Depois de algumas horas liga outro atendente para falar comigo, explicando que realmente o plano não cobre esse tipo de urgência, mas que eles abririam uma exceção e que poderiam pagar 300 euros (detalhe, a conta vai sair uns 2000 euros). A gente continuou batendo o pé, dizendo que não concordava com a atitude deles.

Depois dessa experiência desagradável, aprendemos algumas coisas sobre o sistema de saúde francês que são muito úteis para quem esta vindo para morara aqui por um tempo. A primeira delas: esses seguros internacionais que dizem cobrir urgências não funcionam. E não é só o nosso, uma menina que mora aqui na Maison du Brésil teve que ser levada para o hospital por causa de uma dor aguda, pedra nos rins, coisa que ela nunca tinha tido antes. O seguro dela disse também que não vai pagar nada, porque não cobre doenças pré-existentes, mesmo que o paciente não tenha conhecimento da doença. Fomos olhar no nosso contrato e é a mesma coisa; não cobrem doença pré-existente, qualquer coisa relacionada com Aids, gravidez, aborto… Resumindo, eles só disponibilizam um clinico geral pra receitar remedinhos para a gripe e cobrem acidentes. Qualquer emergência decorrente de qualquer doença não é coberta. E aqui na Maison, pelo menos, praticamente todo mundo faz esse tipo de plano antes de vir, até por indicação das instituições do governo brasileiro que dão as bolsas.

Hoje conversamos com a assistente social do hospital e ela disse que o ideal na França e ter a Carte Vitale e um seguro complementar francês quando você está no pais, trabalhando ou estudando, tudo certinho, legalizado. Senão, se depender desses seguros internacionais, você acaba descoberto. A gente teve que pagar 700 euros por esse seguro, jogamos dinheiro no lixo. E, pior, descobrimos que exatamente com esse dinheiro dava para fazer a Carte Vitale e um seguro complementar por um ano aqui na França, que cobriria outras coisas além de todo tipo de urgência. Enfim, um estresse, uma raiva dessas companhias de seguro que te dão zero de segurança. Agora vou tentar espalhar o alerta para o maior número de pessoas possivel, para que mais nenhum estudante ou pesquisador brasileiro caia nessa armadilha.

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