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Album de fotos

Gente, não imprimimos nenhuma foto da viagem pra fazer albinho. Ta tudo la no Picassa. Mas agora, colocamos fotinhas novas e organizamos as pastas. Vai la: http://picasaweb.google.com.br/taisbarato/

Para os amigos: depois a gente vê as fotos juntos, com direito a comentários!

PS: o blog ainda ta vivo, eu é que ando meio ocupada e não deu pra atualizar.

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Nossa viagem pra terra da rainha

Os franceses chamam os ingleses de roast beef e os ingleses apelidaram os franceses de frogs. Os dois países viveram muitos anos de guerra em diferentes períodos, antes de se aliarem nas duas grandes guerras. Hoje, eles travam uma gueguerre (guerrinha, ou guerra de mentirinha). Então, por aqui dizem que os ingleses cozinham e comem mal e vivem num pais sem sol. Por la, finge-se desconfiar dos franceses, esse povo que come coisas esquisitas e não gosta de tomar banho. Na realidade, o que se vê é um grande intercâmbio entre os dois países, já que é cada vez mais fácil e barato atravessar o Canal da Mancha. Então, é comum vê-los passando férias no pais vizinho, alugando e comprando casas de campo e de praia e (o mais estranho) passeando de carro no outro pais. Isso eu acho particularmente perigoso, já que cada um dirige de um lado do veiculo.

Nas nossas férias aqui, decidimos ir para a terra da rainha; o Arthur queria muito conhecer a região. Eu conhecia um pouco da Inglaterra e servi de guia (um pouco perdida, é verdade) para o Arthur em Londres e nas cidades de Oxford e Bath. Chegando na capital inglesa, a impressão do Arthur não foi das melhores e, finalmente ele reconheceu: Eh, Paris é mais bonita mesmo!

Não teve como não comparar: em Londres as atrações pagas eram caríssimas, mas os museus eram de graça, em compensação… a comida não é tão cara e, pasmem, é boa sim! São cidades bem diferentes e, no fim, concluímos que Paris é mais agradável para morar, por causa das pessoas e do ambiente e Londres é mais interessante em alguns aspectos. Um deles: ha um Pub em cada esquina, sempre com ótimas cervejas e comida com “preços honestos”, como eles dizem. Percebendo isso, fizemos um tour dos Pubs: dois em Bath, dois em Oxford e outros tantos em Londres, entre eles os famosos Black Friar, Sherlock Holmes e Lamb and Flag.

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Aproveitamos o que a cidade tem de especial: assistimos a uma peça do Shakespeare no Globe e fomos a um musical bem britânico, o Billy Elliot. Eu levei o Arthur na Forbidden Planet, uma loja que é a perdição para os fãs de quadrinhos, RPG e afins. Passamos pelo Museu de Historia Natural, a National Gallery, a Tate Britain e a Tate Modern. E passeamos pelos belos parques da capital (esses, é preciso reconhecer, são mais belos que os da cidade-luz), em especial o St-James. Já conhecia o lugar, mas dessa vez, eu consegui ver a estrela do parque, o pelicano:

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Além dos outro animais que sempre estão por la:

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Ficamos oito dias em Londres. No ultimo dia tive que ficar no hotel porque peguei uma gripe brava e tive que ir ao médico e tomar antibióticos, pra variar. Acho que a mudança de clima não deve ter feito muito bem. Depois desse dia de descanso, partimos para Edimburgo, na Escócia, e eu percebi que fiz muito bem em começar a me tratar em Londres. Se na capital inglesa eu já estava achando que o vento incomodava, em Edimburgo tive que tirar minhas únicas três blusas de frio da mala mais um cachecol, modelito que tive que repetir nos três dias que ficamos la.

A Escócia é mesmo a terra do frio eterno, como disse a Cris, mas é realmente linda. Edimburgo estava lotada porque agosto é o mês dos festivais – de musica, literatura e outros, como o famoso Fringe, de teatro.

Assistimos a algumas apresentações de rua, mas, como não tínhamos muito tempo na cidade, preferimos ver as atrações turísticas, como o castelo:

Visitamos também o monumento ao escritor Walter Scott, uma obra bem bonita de onde se tem uma vista incrível da cidade:

Infelizmente, não conseguimos subir até o topo do Arthur’s Seat, porque precisava ser mais esportista pra subir aquela trilha de barro na chuva. Mas subimos uma parte do percurso do lugar que eu teimei em batizar/traduzir de “o banquinho do Arthur”, só pra passar os dias infernizando o Thur com piadinhas infames como “Oh Arthur, olha onde você foi colocar o seu banquinho, não precisava ser tão alto”…

Como não poderia faltar, fomos a Pubs escoceses, para não perder o habito, e comemos no Elephant House, considerado o melhor café de Edimburgo, onde a J.K. Rowling escreveu partes do Harry Potter. Alias, a cidade e a região se orgulham da escritora, que tem casa em Edimburgo e se baseou em varias atrações locais para escrever a série do jovem bruxo.

Tiramos um dia para conhecer as Highlands, com um guia de viagem muito bom, que nos contou a historia da região, mostrou lugares lindos e alternou sua fala na longa viagem de ônibus com canções tradicionais escocesas. Acho que as Highlands sozinhas rendem um post inteiro, de tão interessantes. Vamos ver se eu me inspiro.

Fomos até o conhecido lago Ness, onde passeamos de barco. Mas não vi nada, não. Nem um monstrinho. O Arthur fez essa foto ai, para a gente lembrar do Nessie, que não vimos, é claro.

A foto foi feita na parte de baixo do barco. O desenho do monstrinho fica na janela de vidro e fica la para os turistas tirarem fotos mesmo, pra mostrarem que viram o mostro…hehehe Além do Ness, a região é cheia de Locks, uns doces, outros salgados, porque se misturam com o mar. Todos têm uma água cristalina, que espelha perfeitamente a paisagem da região.

Como ficamos pouco tempo na Escócia, deu vontade de voltar outra vez. No verão, claro. Porque as outras estações não devem ser pra qualquer um. Haja blusa de frio!

PS 1: indicação pra quem for a Edimburgo – o Hotel Edinburgh First at University é otimo, tem um preço bom, serviço legal, localização boa e um café da manhã excelente. Fica nas acomodações dos estudantes da universidade, mas é muito mais confortavel que a maioria desse tipo de alojamento. Se voltar pra la, ja sei onde ficar hospedada.

PS 2: todas as nossas fotos da viagem estão aqui.

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Vou embora de Paris

Mas eu volto! Viajamos hoje para Londres. Ficamos la 8 dias e, depois, seguimos para Edimburgo. Não sei se vou conseguir atualizar o blog de la. Volto no dia 19 de agosto. São as merecidas férias do Arthur.

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A cidadela da luz perfeita

St-Paul de Vence é uma cidade bem pequena – parece uma vila – no sul da França. Resolvemos conhecer o lugar porque ficamos sabendo que, depois do Monte St-Michel, era o segundo local mais visitado na França. Mas o que teria essa cidadela de tão especial pra atrair tanta gente?

Saímos de Nice numa mini-excursão – um grupo de sete pessoas e um guia – para um roteiro de degustação de vinhos, seguido de um passeio pela concorrida St-Paul de Vence. Partimos rumo ao interior e paramos primeiro numa vinícola familiar que ficava no caminho para degustar os vinhos da sul da França, principalmente os rosés, especialidade da região. Os vinhos de la são mais fortes, mais alcoólicos e passam por um processo muito diferente daquele que conhecemos no Vale do Loire. Se no Vale do Loire e, de fato, na maioria das vinícolas daqui, preserva-se o vinho a baixas temperaturas no processo de produção, esses vinhos da Provence e da Côte d’Azur passam um tempão ao ar livre, numa fermentação natural feita pelo sol, o que faz com que as safras sejam muito diferentes umas das outras.

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Depois da parada para degustação, seguimos para nosso destino principal. St-Paul de Vence é uma aldeia murada, como muitas outras da França, com suas casas medievais de pedra.

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Algumas construções medievais são autênticas, mas muita coisa foi restaurada e reconstruída. Fica situada numa colina e, embora distante, da pra ver o mar de la. As ruelas de pedra são hiper charmosas e o que impressiona, de fato, é a quantidade de galerias de arte.

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A cidadela tem hoje arte por todo canto. E tem uma historia que atrai os artistas. Picasso descobriu a vila no começo de sua carreira. Como outros artistas, ficou encantado com a luz do local. Os artistas dizem que ha na região um tom de amarelo que não se vê em lugar algum. Uma luz que inspirava e ainda hoje atrai os pintores.

Verdade que, além da luz e da beleza da região, ajudou bastante a propaganda que Picasso fez para seus amigos. Na época de inicio de carreira, o artista espanhol não tinha dinheiro e encontrou apoio do dono do albergue La Colombe d’Or. Dizem que ele falava para os amigos: “Aqui é ótimo, ele me deixa morar e comer de graça. Em troca eu dou a ele alguns desenhos que produzo”. Assim, acabaram passando também pelo Colombe d’Or artistas como Matisse, Miro, Braque, Modigliani e Signac. Hoje, La Colombe d’Or é um hotel e restaurante com preços salgados. Os clientes podem admirar os inúmeros quadros dos grandes artistas que trabalharam no local.

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A gente aproveitou pra comprar duas telas impressas, baratas, em St-Paul de Vence, com paisagens tipicas da Provence. Olhamos algumas galerias com obras únicas e originais de artistas contemporâneos. Gostamos de muita coisa, mas, é claro, o preço é sempre proibitivo para a gente e para a maioria dos turistas. Porém, sempre tem aquelas galerias que fazem impressões e gravuras para vender aos turistas como souvenir. Eu, particularmente, achei tudo mais interessante do que o que costumo ver aqui em Paris nos bouquinistes e na Place du Tertre.

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A bela Nice

Voltamos nessa terça à noite de uma viagem de 4 dias em Nice, na Côte d’Azur, ou Riviera Francesa. O interessante da França é que o cenário muda muito de uma região para outra, reflexo de povos e costumes bem diferentes. Nice é uma maravilha, mas muito diferente das regiões que conhecemos até agora. Parece a Itália, foi o que sentimos ao chegar no hotel, no centro velho da cidade. São casarões em varias cores de tom pastel, varais, roupas e outros objetos nas janelas, além das ruas estreitas para pedestres.

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De fato, a cidade foi italiana até 1860. Nice, em italiano Nizza, tem os nomes das ruas grafados nos dois idiomas. Tem um passado longo. Foi fundada pelos gregos como Nikaea, que significa “vitoriosa”. Posteriormente, foi colonizada pelos romanos e manteve-se por muito tempo nas mãos de reinos italianos. Ouve-se muito o italiano pelas ruas, seja dos numerosos turistas que vêm do pais vizinho ou dos franceses da Córsega, onde até hoje fala-se também um dialeto italiano. Uma balsa leva os carros de Nice até a Córsega, nesse porto, que ficava próximo do nosso hotel:

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A cidade se espreme entre colinas e o MarMediterrâneo. Uma das colinas mais conhecidas é a colina do Castelo, que separa a cidade velha do porto. La em cima ha vestígios da presença grega no local e ruínas de um antigo castelo. De la temos uma linda vista da cidade e do mar:

Nice 029A praia é de pedra, então precisa pelo menos de uma toalhinha para tomar sol em cima. Quem ja esta acostumada com o lugar, leva uma boia para colocar a toalha em cima e não deitar sobre as pedras. Entrar no mar pode ser um pouco chato no começo porque as pedrinhas incomodam, mas a gente da dois passos e daqui a pouco ja esta no fundo, ai sim é uma delicia. a água não é muito fria e é azul, azul! Olha la o Arthur sofrendo para andar nas pedrinhas…hihihi

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Os restaurantes do cidade velha ficam sempre cheios, principalmente à noite. Como era de se esperar, são muitas as opções de restaurantes italianos.

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Falando em restaurante, recomendo para todos o Bistrot d’Antoine, o melhor lugar em que a gente comeu aqui na França, realmente a melhor relação custo-beneficio, sem falar na simpatia.

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Ele fecha la pelas duas horas da tarde para almoço. Chegamos mais ou menos nessa hora para comer e um senhor muito gentil começou a conversar conosco sobre o lugar. Ele avisou que eles não deveriam aceitar mais clientes, mas foi la conversar com o dono, que conhecia bem, e disse que eramos seus amigos. O dono desconfiou quando viu que eramos estrangeiros e disse: “Vc tem amigos brasileiros agora é?” O velhinho retrucou, rindo: “Pode servir, são meus amigos de infância!” E a gente acabou comendo por la, eu um risoto de manteiga de truffa e o Arthur, um de presunto cru e rúcula. Fomos, realmente os últimos clientes aceitos no dia.

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Nice e as cidades próximas também são interessantes para quem gosta de arte. Tem o Museu Matisse, o Museu Chagall, a pequena cidade de Saint Paul de Vence, que conhecemos num dia de excursão (mas isso é assunto para outro post). Em todo o calçadão do lado da praia vemos reproduções de obras de arte que foram feitas naquela região. A gente pode comparar as paisagens pintadas pelo artista com a paisagem de hoje a nossa frente. Algumas não mudaram quase nada. Outras, mostram uma cidade muita mais calma, uma cena bucólica ao lado do mar. De qualquer maneira, ainda hoje você pode parar em qualquer lugar na orla e fazer uma foto, que a imagem fica ótima, com aquele mar azul, que vai mudando de cor ao longo do dia – do turquesa para um azul mais escuro – e os casarões na frente das colinas.

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O castelo das mulheres

Junto com Chambord, Chenonceau é um dos castelos mais bonitos do Vale do Loire. Impressionante não só pela arquitetura, por seus jardins e bosques, mas por sua localização, atravessando o rio Cher, de margem a margem, e deixando um reflexo lindo na água.

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Uma fortaleza medieval da casa nobre de Marques ocupava o local onde fica o castelo, de 1243 a 1512. Em 1513, as terras foram vendidas para o nobre Thomas Bohier que, por influência de sua mulher Catherine Bohier, decidiu derrubar a construção medieval e construir um castelo renascentista no lugar. A única parte da antiga fortaleza conservada foi uma torre, mantida para servir de moradia para o guardião do castelo.

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Thomas e Catherine morreram alguns anos depois do término da imensa obra. O filho do casal teve o castelo e as terras confiscadas pelo rei Francisco I, pela falta de pagamento de dívidas com a coroa. Dizem que, na verdade, a propriedade foi confiscada em 1533 porque o rei estava de olho naquela maravilha tão bem localizada no Vale do Loire.

O poderoso Francisco I passou alguns dias no castelo, acompanhado da família, sua mulher, sua amante oficial e seu filho Henrique II e de amigos, como Catherine de Médice e Diana de Poitiers. Essa ultima tornou-se a famosa amante de Henrique II, desde os 12 anos de idade do príncipe. Alguns anos mais tarde, com 15 anos, ele se casa com Catherine de Médice, que tinha a mesma idade do príncipe, mas continuaria ligado a Diana até a morte, apesar da diferença de 19 anos entre os dois.

O romance de Henrique II e Diana de Poitiers é cheio de lendas, historias e boatos. Dizem que a aproximação de Diana do príncipe ainda adolescente foi idéia do rei, que queria que ela colocasse juízo na cabeça de seu filho. Fato é que, desde que se tornou rei, centralizando o poder, Henrique II sempre deixou muito claro o lugar especial de sua amada. Nunca nenhuma amante tinha tido tamanho poder sobre a monarquia francesa. Henrique II vestia-se sempre de preto e branco, as cores preferidas de sua amada, e escolheu para si o emblema da lua crescente, símbolo da deusa Diana. Existem varias obras de arte que representam a nobre vestida como sua homônima, a deusa da caça, como a tela abaixo, presente em um dos cômodos de Chenonceau:

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Em outras obras, Diana de Poitiers aparece nua, para ressaltar sua lendária beleza, como nessa tela da escola de Fontainebleau:

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O rei não mostrava sua adoração por Diana apenas nesses gestos simbólicos. Ele deu a ela jóias, recursos reais e, mais importante, o castelo de Chenonceau. Sob o comando de Diana, o castelo floresceu. Ela mandou construir o corredor do castelo que atravessa o rio e um jardim esplêndido.

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Ampliou a parte construída da propriedade, que administrava muito bem. Apesar da passagem dos anos, parece que Diana conseguia, milagrosamente, conservar sua beleza. Dizem que seu segredo era acordar cedo todos os dias e mergulhar na água fria que banhava o castelo. Dentro do castelo, podemos ver em praticamente todos os cômodos um simbolo real concebido por Henrique II que consistia no entrelaçamento das letras H, de sua inicial, e C, de sua mulher Catherine. As duas letras entrelaçadas acabam formando um D, de Diana.

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Em 1559, Henrique II é ferido seriamente no olho durante um torneio, o que leva a sua morte. A rainha viúva – dizem que por ciume ou talvez tentando mostrar quem realmente manda – retoma Chenonceau e algumas jóias que foram dadas a Diana. A famosa amante é expulsa do castelo encantado e transferida para um palacete menor e menos importante da região. Catherine – essa mulher brava que aparece no retrato abaixo – não mudou as construções de Diana, mas construiria outro jardim no já impressionante domínio de Chenonceau, para rivalizar com o lindo jardim da amante. Hoje, a propriedade tem dois jardins em estilos diferentes: o de Diana e o de Catherine.

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O castelo ficou nas mãos da família real e foi passado como herança para famílias nobres, parentes da realeza, até 1733, quando o duque de Bourbon vendeu Chenonceau para um burguês, o banqueiro Claude Dupin. A esposa de Claude, uma amante das artes, da ciência e da literatura, resolveu transformar o palácio renascentista em ponto de encontro de artistas e intelectuais. No local, ela adaptou laboratórios, salões e teatros por onde passaram intelectuais como Voltaire, Montesquieu, Rousseau e o biólogo Buffon.

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Durante a revolução, a ação de Madame Dupin foi essencial para salvar o castelo de revolucionários precipitados que queriam destruir tudo. Ela teve a simpatia dos líderes da revolução por ter abrigado filósofos de ideais revolucionários e conseguiu convencer os combatentes mais raivosos a manter o castelo, dizendo que ele era a única ponte entre os dois lados do rio. Ela teve que fazer alguns sacrifício pelo castelo. Assim, a propriedade abrigou revolucionários e suas armas e a capela foi transformada em deposito de madeira.

Seus esforços valeram a pena. O castelo foi poupado e, depois do curto período de lutas revolucionarias, o lugar voltou a ter a paz e a graça de antigamente. Foi nesse paraíso que Madame Dupin viveu até sua morte, aos 93 anos. A benfeitora do castelo esta la até hoje, seu tumulo fica no bosque do Chenonceau, hoje visitado por milhares de turistas.

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Chenonceau é conhecido como Château des Dames pela importância que as mulheres tiveram em sua construção e manutenção. Desde 1513, com o planejamento e primeiras construções de Katherine Briçonnet, passando pelo embelezamento da propriedade promovido pelas rivais Diane de Poitiers e Catherine de Médice, até a ação determinante de Madame Dupin, graças a quem o castelo passou incólume à sangrenta Revolução Francesa.

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A beleza descansa no Loire

Descobri que o pais dos feriados não é o Brasil, minha gente, é a França. Pelo menos essa é a minha impressão até agora. So no mês de maio tivemos três, que emendaram com o fim de semana. Semana passada, aproveitando um desses feriados, viajamos para o Vale do Loire. Saímos na quinta de manhã e voltamos domingo, tarde da noite. Por isso meu sumiço, para quem perguntou, viu?

Com minha mania de exagerar, ia dizer que o Vale do Loire é lindo de morrer! Mas não é isso. Realmente é lindo, mas tão intensamente lindo que faz a gente se enganar e ser um tantinho impreciso. O vale e o rio, margeado por castelos e cidades medievais, são de uma beleza inimaginável, mas não acho que se trate daquela beleza exuberante, de tirar o fôlego. Também não é menos que isso. No fim da viagem eu ouvi uma turista francesa dizendo que no vale do Loire tudo é infinitamente belo e repousante. Eh isso, repousante é a palavra. De uma beleza intensa, mas repousante.

Porque, imagina, você vê um castelo que é uma verdadeira obra de arte, como o Chambord, o primeiro da nossa viagem. Naturalmente, sente aquele deslumbramento. Mas ai você repara que o castelo combina com o bosque imenso que o cerca e que esta em harmonia com o rio que passa perto dele. Tudo, absolutamente tudo é bonito e harmonioso.

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Ai ja viu, a sua visão fica acostumada com aquela beleza. O Chenonceau, um castelo menos chamativo que Chambord, é um exemplo dessa harmonia. O rio atravessa o castelo, ou, dependendo do ponto de vista, o castelo atravessa o rio, de margem a margem, bosque a bosque, com seus jardins planejados.

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Por falar em jardins, nada mais belo que o Villandry, o castelo com jardins tematicos e uma horta milimetricamente desenhada, com suas cores que combinam entre si e, de cima, formam um todo admiravel.

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No fim, nos conhecemos seis castelos (Chambord, Chenonceau, Blois, Saumur, Brézé, Villandry) e três cidades (Blois, Saumur, Tours) no Loire. Cheguei de viagem cheia de coisas pra contar…Sim, porque cada castelo tem uma historia, tem A Historia, porque neles viveram reis, rainhas e nobres franceses e outras historias miúdas,  mas talvez mais interessantes, de amor, vingança, complô, assassinato… Prometo que conto pra vocês nos próximos posts. Recomendo a todo mundo que vier pra França, principalmente nos dias ensolarados: Passem pelo menos uns dois dias no Vale do Loire. Eu, que acabei de voltar de viagem, ja estou com saudades.

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Colocamos todas as fotos dessa viagem no nosso album.

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