Arquivo da tag: passeio

Nossa viagem pra terra da rainha

Os franceses chamam os ingleses de roast beef e os ingleses apelidaram os franceses de frogs. Os dois países viveram muitos anos de guerra em diferentes períodos, antes de se aliarem nas duas grandes guerras. Hoje, eles travam uma gueguerre (guerrinha, ou guerra de mentirinha). Então, por aqui dizem que os ingleses cozinham e comem mal e vivem num pais sem sol. Por la, finge-se desconfiar dos franceses, esse povo que come coisas esquisitas e não gosta de tomar banho. Na realidade, o que se vê é um grande intercâmbio entre os dois países, já que é cada vez mais fácil e barato atravessar o Canal da Mancha. Então, é comum vê-los passando férias no pais vizinho, alugando e comprando casas de campo e de praia e (o mais estranho) passeando de carro no outro pais. Isso eu acho particularmente perigoso, já que cada um dirige de um lado do veiculo.

Nas nossas férias aqui, decidimos ir para a terra da rainha; o Arthur queria muito conhecer a região. Eu conhecia um pouco da Inglaterra e servi de guia (um pouco perdida, é verdade) para o Arthur em Londres e nas cidades de Oxford e Bath. Chegando na capital inglesa, a impressão do Arthur não foi das melhores e, finalmente ele reconheceu: Eh, Paris é mais bonita mesmo!

Não teve como não comparar: em Londres as atrações pagas eram caríssimas, mas os museus eram de graça, em compensação… a comida não é tão cara e, pasmem, é boa sim! São cidades bem diferentes e, no fim, concluímos que Paris é mais agradável para morar, por causa das pessoas e do ambiente e Londres é mais interessante em alguns aspectos. Um deles: ha um Pub em cada esquina, sempre com ótimas cervejas e comida com “preços honestos”, como eles dizem. Percebendo isso, fizemos um tour dos Pubs: dois em Bath, dois em Oxford e outros tantos em Londres, entre eles os famosos Black Friar, Sherlock Holmes e Lamb and Flag.

DSCN0112

Aproveitamos o que a cidade tem de especial: assistimos a uma peça do Shakespeare no Globe e fomos a um musical bem britânico, o Billy Elliot. Eu levei o Arthur na Forbidden Planet, uma loja que é a perdição para os fãs de quadrinhos, RPG e afins. Passamos pelo Museu de Historia Natural, a National Gallery, a Tate Britain e a Tate Modern. E passeamos pelos belos parques da capital (esses, é preciso reconhecer, são mais belos que os da cidade-luz), em especial o St-James. Já conhecia o lugar, mas dessa vez, eu consegui ver a estrela do parque, o pelicano:

DSCN0174

Além dos outro animais que sempre estão por la:

DSCN0167

DSCN0148

DSCN0163

Ficamos oito dias em Londres. No ultimo dia tive que ficar no hotel porque peguei uma gripe brava e tive que ir ao médico e tomar antibióticos, pra variar. Acho que a mudança de clima não deve ter feito muito bem. Depois desse dia de descanso, partimos para Edimburgo, na Escócia, e eu percebi que fiz muito bem em começar a me tratar em Londres. Se na capital inglesa eu já estava achando que o vento incomodava, em Edimburgo tive que tirar minhas únicas três blusas de frio da mala mais um cachecol, modelito que tive que repetir nos três dias que ficamos la.

A Escócia é mesmo a terra do frio eterno, como disse a Cris, mas é realmente linda. Edimburgo estava lotada porque agosto é o mês dos festivais – de musica, literatura e outros, como o famoso Fringe, de teatro.

Assistimos a algumas apresentações de rua, mas, como não tínhamos muito tempo na cidade, preferimos ver as atrações turísticas, como o castelo:

Visitamos também o monumento ao escritor Walter Scott, uma obra bem bonita de onde se tem uma vista incrível da cidade:

Infelizmente, não conseguimos subir até o topo do Arthur’s Seat, porque precisava ser mais esportista pra subir aquela trilha de barro na chuva. Mas subimos uma parte do percurso do lugar que eu teimei em batizar/traduzir de “o banquinho do Arthur”, só pra passar os dias infernizando o Thur com piadinhas infames como “Oh Arthur, olha onde você foi colocar o seu banquinho, não precisava ser tão alto”…

Como não poderia faltar, fomos a Pubs escoceses, para não perder o habito, e comemos no Elephant House, considerado o melhor café de Edimburgo, onde a J.K. Rowling escreveu partes do Harry Potter. Alias, a cidade e a região se orgulham da escritora, que tem casa em Edimburgo e se baseou em varias atrações locais para escrever a série do jovem bruxo.

Tiramos um dia para conhecer as Highlands, com um guia de viagem muito bom, que nos contou a historia da região, mostrou lugares lindos e alternou sua fala na longa viagem de ônibus com canções tradicionais escocesas. Acho que as Highlands sozinhas rendem um post inteiro, de tão interessantes. Vamos ver se eu me inspiro.

Fomos até o conhecido lago Ness, onde passeamos de barco. Mas não vi nada, não. Nem um monstrinho. O Arthur fez essa foto ai, para a gente lembrar do Nessie, que não vimos, é claro.

A foto foi feita na parte de baixo do barco. O desenho do monstrinho fica na janela de vidro e fica la para os turistas tirarem fotos mesmo, pra mostrarem que viram o mostro…hehehe Além do Ness, a região é cheia de Locks, uns doces, outros salgados, porque se misturam com o mar. Todos têm uma água cristalina, que espelha perfeitamente a paisagem da região.

Como ficamos pouco tempo na Escócia, deu vontade de voltar outra vez. No verão, claro. Porque as outras estações não devem ser pra qualquer um. Haja blusa de frio!

PS 1: indicação pra quem for a Edimburgo – o Hotel Edinburgh First at University é otimo, tem um preço bom, serviço legal, localização boa e um café da manhã excelente. Fica nas acomodações dos estudantes da universidade, mas é muito mais confortavel que a maioria desse tipo de alojamento. Se voltar pra la, ja sei onde ficar hospedada.

PS 2: todas as nossas fotos da viagem estão aqui.

Anúncios

6 Comentários

Arquivado em castelo, comida, passeio, Reino Unido, viagem

As livrarias do Quartier Latin

Sempre que passo pelo Boulevard St-Michel, no Quartier Latin, dou uma olhada nas livrarias de la, principalmente nos livros d’occasion (livros usados, muito baratos). Essa semana, por exemplo, vim toda feliz pra casa porque comprei a biografia da Camille Claudel por 20 centavos de euro na Boulinier. Minha livraria preferida é a Gilbert Jeune, quase onipresente, com 8 unidades, na Praça St-Michel.  O interessante da Gilbert Jeune é a cara de livraria antiga, tradicional, sem o ar de modernidade,  mas também sem a beleza e o conforto de uma Fnac, por exemplo.

gilbert jeune

No Brasil, eu sempre preferi o conforto da livraria Cultura e os livros novos aos sebos, porque infelizmente minha rinite nunca me deixou passar muito tempo num lugar pequeno forrado de livros velhos. Em Paris, a coisa mudou. Como eu já falei aqui, talvez por causa do ar mais limpo, não tenho mais as crises de rinite. Então estou conseguindo ler livros velhos, cheios de ácaros, sem problemas. Ai já viu, eu, uma apaixonada por literatura, livre da alergia e sem muito dinheiro no bolso, elegi o Boulevard St-Michel como meu paraíso.

E dentro do Boul Mich – apelido que os estudantes frequentadores deram para o boulevard – a Gilbert Jeune se destaca porque tem os livros d’occasion organizados, junto com os livros novos. Não se trata de uma livraria que vende livros novos e que também tem um espaço para o sebo. Ela mistura livros novos e velhos. Então, por exemplo, você esta interessado num livro do Victor Hugo, em formato de bolso e usado, pra ficar bem baratinho. Você vai até o andar de livros de bolso, procura a seção de literatura francesa e acha o que quer, organizadinho, separado por nome de autor. Você pode até comparar o preço e o estado de conservação da obra, porque eles vão ter a opção do livro novo e do usado,  juntos. Pela organização e conservação dos livros, a gente acaba pagando mais caro que nos sebos que vendem livro de baciada. Então, em vez de pagar 50 centavos por um classico, você pode pagar 2 euros, mas na nessa livraria você tem mais variedade e sempre acha o que quer.

Ja a Boulinier é pra quem gosta de garimpar. Ha outros sebos similares na região, mas essa livraria de usados é maior e tem preços realmente muito baixos. Ficam varias caixas na rua de livros a 20 e 50 centavos. Foi numa dessas caixas que encontrei esse ultimo livro que comprei. Mas dessa vez dei sorte; geralmente, tem que procurar o que você quer no meio de muita coisa ruim, uma mistura impressionante de autores que não tem nada a ver um com outro.

boulinier

Toda essa região do Quartier Latin, proxima ao Sena, é cheia de livrarias, atendendo tradicionalmente aos estudantes da Sorbonne e de outras instituições de ensino proximas. Os turistas, principalmente os de lingua inglesa, gostam de conhecer a historica Shakespeare and Company, um ambiente curioso com seus livros desorganizados, animais adotados (cachorros e gatos) que rondam por la e as reuniões de escritores de lingua inglesa, que acontecem no segundo andar, onde qualquer um pode subir e onde ficam os livros que – pasmem – não estão à venda. Isso mesmo, é so para olhar. Resumindo, a Shakespeare and Company é um lugar interessantissimmo para visitar. Pra compras, é melhor ir na rede Gilbert Jeune la perto ou numa Fnac da vida.

shakespeare-bookstore

Curioso isso! Quando comecei a escrever esse post, eu ia falar do livro Une Femme, a biografia da Camille Claudel que estou lendo atualmente. Mas ai comecei a falar dos sebos, ai lembrei das livrarias e fiquei pensando no Quartier Latin, no boulevard e especialmente na praça St-Michel. Até hoje eu tento, sem sucesso (porque nunca fui boa nessas classificações),  encontrar meu cantinho preferido em Paris. Eu acho que é la, na praça. Claro, não é o lugar mais bonito, nem é agradável para muita gente, porque as vezes fica lotado, mas é o lugar em que me sinto em casa. Pra completar, fica do ladinho do Sena. Isso! Acho que encontrei meu lugar preferido por aqui. Pra quem quiser conhecer, é só sair na estação St-Michel de metrô ou do RER e dar de cara com a linda fonte com a estatua de Saint Michel (conhecido no Brasil como o arcanjo São Miguel), garimpar um bom livro e aproveitar para ler às margens do rio.

paris 013

PS: esqueci de falar dos tradicionais bouquinistes, que ficam naquelas barraquinhas verdes nas margens do Sena. Tem muita coisa interessante entre os livros usados, mas é tudo mais caro. A biografia que comprei por 20 centavos, por exemplo, vi la por 7 euros.

12 Comentários

Arquivado em livro, Paris, passeio

Meus pais em Paris!

Semana passada, durante quatro dias, meus pais ficaram aqui em Paris comigo. Estão ainda passeando pela Zoropa, agora em Barcelona, que nessa época do ano deve estar ótima. Os dois chegaram da Alemanha, onde começaram a viagem em visita ao meu irmão, no dia 14 de julho, feriado nacional aqui na França. No primeiro dia, fomos jantar numa creperia em Montparnasse e depois resolvemos ir andando até a Torre Eiffel, para ver os fogos de artificio da noite. Quanto mais perto chegávamos da torre, mais tumultuado ficava o ambiente. Eles estavam cansados e decidiram voltar para o hotel, enquanto ainda havia taxi na região. Sábia decisão! Eu e o Arthur, que ficamos até o fim dos fogos, pagamos pelo programa de índio. Mais de duas horas para conseguir voltar para casa, boa parte do percurso a pé, porque as ruas e metrôs foram bloqueados, uma loucura!

O dia seguinte foi mais tranquilo, quer dizer, não exatamente tranquilo, mas o tumulto mais normal de Paris do mês de julho, apinhada de turistas. Começamos o passeio pela Notre Dame e fomos andando até o Marais, vendo o Sena, o Hotel de Ville. Almoçamos no Léon de Bruxelles um prato de mariscos e outros frutos do mar que eu tava com vontade de comer faz tempo.

fogos torre eiffel 022

Depois fomos a pé até o Louvre, com parada pare descansar no jardim de Tuileries.

fogos torre eiffel 025

De Tuileries até a Champs Elysées – lotada, é claro – até o ponto final, o Arco do Triunfo. De pés cansados no fim do dia, jantamos perto do hotel deles, que era pertinho aqui de casa. No dia seguinte, outro caminho turístico indispensável: Montmartre. La, fomos à igreja de Sacre Coeur, praça do Tertre e visitamo a única vinícola de Paris. A plantação é pequena, mas a colheita das uvas – que acontece em outubro – é festejada todo ano.

fogos torre eiffel 034

fogos torre eiffel 032

fogos torre eiffel 029

No ultimo dia, a gente foi até à Torre Eiffel e até o Trocadero, de onde temos uma vista mais bonita da torre.

torre e rodin 005

Para almoçar escolhi o café-restaurante do Museu Rodin, que tem umas saladinhas e uns quiches muito bons.

torre e rodin 007

Aconselho o passeio pra todo mundo. Quem estiver com pressa, nem precisa ver todo o museu. Para entrar nos jardins, que são lindos e cheios de esculturas do Rodin, paga-se apenas 1 euro por pessoa.

torre e rodin 009

torre e rodin 008

Espero que eles tenham gostado. Porque, claro, como aqui é Paris e nos fizemos roteiros turísticos, não faltou o garçom chato, o serviço demorado e confuso do hotel, as filas de turistas. Mas acho que eles tiveram uma boa impressão da cidade!

2 Comentários

Arquivado em comida, França, Paris, passeio

O castelo das mulheres

Junto com Chambord, Chenonceau é um dos castelos mais bonitos do Vale do Loire. Impressionante não só pela arquitetura, por seus jardins e bosques, mas por sua localização, atravessando o rio Cher, de margem a margem, e deixando um reflexo lindo na água.

chenonceau2

Uma fortaleza medieval da casa nobre de Marques ocupava o local onde fica o castelo, de 1243 a 1512. Em 1513, as terras foram vendidas para o nobre Thomas Bohier que, por influência de sua mulher Catherine Bohier, decidiu derrubar a construção medieval e construir um castelo renascentista no lugar. A única parte da antiga fortaleza conservada foi uma torre, mantida para servir de moradia para o guardião do castelo.

Vale do Loire 096

Thomas e Catherine morreram alguns anos depois do término da imensa obra. O filho do casal teve o castelo e as terras confiscadas pelo rei Francisco I, pela falta de pagamento de dívidas com a coroa. Dizem que, na verdade, a propriedade foi confiscada em 1533 porque o rei estava de olho naquela maravilha tão bem localizada no Vale do Loire.

O poderoso Francisco I passou alguns dias no castelo, acompanhado da família, sua mulher, sua amante oficial e seu filho Henrique II e de amigos, como Catherine de Médice e Diana de Poitiers. Essa ultima tornou-se a famosa amante de Henrique II, desde os 12 anos de idade do príncipe. Alguns anos mais tarde, com 15 anos, ele se casa com Catherine de Médice, que tinha a mesma idade do príncipe, mas continuaria ligado a Diana até a morte, apesar da diferença de 19 anos entre os dois.

O romance de Henrique II e Diana de Poitiers é cheio de lendas, historias e boatos. Dizem que a aproximação de Diana do príncipe ainda adolescente foi idéia do rei, que queria que ela colocasse juízo na cabeça de seu filho. Fato é que, desde que se tornou rei, centralizando o poder, Henrique II sempre deixou muito claro o lugar especial de sua amada. Nunca nenhuma amante tinha tido tamanho poder sobre a monarquia francesa. Henrique II vestia-se sempre de preto e branco, as cores preferidas de sua amada, e escolheu para si o emblema da lua crescente, símbolo da deusa Diana. Existem varias obras de arte que representam a nobre vestida como sua homônima, a deusa da caça, como a tela abaixo, presente em um dos cômodos de Chenonceau:

Vale do Loire 121

Em outras obras, Diana de Poitiers aparece nua, para ressaltar sua lendária beleza, como nessa tela da escola de Fontainebleau:

dianadepoitiers

O rei não mostrava sua adoração por Diana apenas nesses gestos simbólicos. Ele deu a ela jóias, recursos reais e, mais importante, o castelo de Chenonceau. Sob o comando de Diana, o castelo floresceu. Ela mandou construir o corredor do castelo que atravessa o rio e um jardim esplêndido.

Vale do Loire 130

Ampliou a parte construída da propriedade, que administrava muito bem. Apesar da passagem dos anos, parece que Diana conseguia, milagrosamente, conservar sua beleza. Dizem que seu segredo era acordar cedo todos os dias e mergulhar na água fria que banhava o castelo. Dentro do castelo, podemos ver em praticamente todos os cômodos um simbolo real concebido por Henrique II que consistia no entrelaçamento das letras H, de sua inicial, e C, de sua mulher Catherine. As duas letras entrelaçadas acabam formando um D, de Diana.

Vale do Loire 099

Em 1559, Henrique II é ferido seriamente no olho durante um torneio, o que leva a sua morte. A rainha viúva – dizem que por ciume ou talvez tentando mostrar quem realmente manda – retoma Chenonceau e algumas jóias que foram dadas a Diana. A famosa amante é expulsa do castelo encantado e transferida para um palacete menor e menos importante da região. Catherine – essa mulher brava que aparece no retrato abaixo – não mudou as construções de Diana, mas construiria outro jardim no já impressionante domínio de Chenonceau, para rivalizar com o lindo jardim da amante. Hoje, a propriedade tem dois jardins em estilos diferentes: o de Diana e o de Catherine.

Vale do Loire 100

O castelo ficou nas mãos da família real e foi passado como herança para famílias nobres, parentes da realeza, até 1733, quando o duque de Bourbon vendeu Chenonceau para um burguês, o banqueiro Claude Dupin. A esposa de Claude, uma amante das artes, da ciência e da literatura, resolveu transformar o palácio renascentista em ponto de encontro de artistas e intelectuais. No local, ela adaptou laboratórios, salões e teatros por onde passaram intelectuais como Voltaire, Montesquieu, Rousseau e o biólogo Buffon.

Vale do Loire 097

Durante a revolução, a ação de Madame Dupin foi essencial para salvar o castelo de revolucionários precipitados que queriam destruir tudo. Ela teve a simpatia dos líderes da revolução por ter abrigado filósofos de ideais revolucionários e conseguiu convencer os combatentes mais raivosos a manter o castelo, dizendo que ele era a única ponte entre os dois lados do rio. Ela teve que fazer alguns sacrifício pelo castelo. Assim, a propriedade abrigou revolucionários e suas armas e a capela foi transformada em deposito de madeira.

Seus esforços valeram a pena. O castelo foi poupado e, depois do curto período de lutas revolucionarias, o lugar voltou a ter a paz e a graça de antigamente. Foi nesse paraíso que Madame Dupin viveu até sua morte, aos 93 anos. A benfeitora do castelo esta la até hoje, seu tumulo fica no bosque do Chenonceau, hoje visitado por milhares de turistas.

Vale do Loire 113

Chenonceau é conhecido como Château des Dames pela importância que as mulheres tiveram em sua construção e manutenção. Desde 1513, com o planejamento e primeiras construções de Katherine Briçonnet, passando pelo embelezamento da propriedade promovido pelas rivais Diane de Poitiers e Catherine de Médice, até a ação determinante de Madame Dupin, graças a quem o castelo passou incólume à sangrenta Revolução Francesa.

16 Comentários

Arquivado em castelo, feriado, França, jardim, museu, passeio, viagem

Dia de folga pra ver Rodin

Hoje foi dia de excursão da escola…hehehe. Parece que voltei para o primário, né? Saímos os alunos e nossa professora querida para o Museu Rodin, uma das maravilhas de Paris pra onde eu pretendo voltar uma segunda vez, com o Arthur.

Não deu tempo para ver tudo, porque ficamos la só uma manhã e, no fim, fomos todos para um café. Foi ótimo, porque deu tempo para conhecer melhor as pessoas e para conversar um pouquinho. E, claro, dar uma olhadinha na obra do Rodin. Um momento fez o meu dia: a vendedora de ingressos me deixou entrar de graça no museu! Explico: aqui em Paris, menores de 26 anos entram de graça em muitos eventos culturais. Maiores de 26 têm que pagar. Como tenho carteira de estudante, às vezes consigo um desconto, mas alguns lugares só dão desconto para estudantes com menos de 26. Mais que isso, paga tarifa completa, o que me faz me sentir velha, é um saco.

Na bilheteria do Rodin, ficamos sabendo que menores de 26 não pagavam nada e que maiores com carteirinha pagavam tarifa reduzida. Uma parte da turma, que é mais nova, entrou de graça, a outra parte teve que pagar. Pensei: bom, pelo menos temos um descontinho. Chegando na minha hora de pagar, ia abrindo a carteira, mas a vendedora olhou para a minha cara e, automaticamente, imprimiu um bilhete gratuito, sem perguntar nada. Amei! Porque não tive que pagar e porque fiquei me achando “a novinha”…rsrsrs

O que o Museu Rodin tem de mais especial é o jardim. Grande, cheio de esculturas, roseiras e bosques. No destaque, a famosa escultura do pensador, que também esta presente do lado de dentro, em modelo reduzido.

rodinefi 023

Na parte interna, outras obras conhecidas, como O beijo e A defesa:

rodinefi 019

rodinefi 021

Outras obras que eu não conhecia, mas muito curiosas, como esse Balzac nu, com a pança de fora:

rodinefi 010

No fim, passeamos um pouquinho pelo jardim, mas, como disse, não o suficiente para conhecer tudo. Fico devendo a Rodin e ao museu uma visita mais atenta e, a vocês, um post mais detalhado. Mas hoje foi mesmo um dia de confraternização, que acabou num café ao lado do museu, em meio a uma boa conversa e muitas risadas.

rodinefi 031

2 Comentários

Arquivado em museu, Paris, passeio

O ar de Paris

Ontem umas meninas da aula de francês comentavam que o dia estava lindo, mas reclamavam do ar de Paris. Ao que parece, todas elas têm mais rinites, alergias e doenças respiratórias aqui. Diziam que nas cidades onde moravam, no Canada, na Alemanha, na Espanha e em outros países, não tinha “toda essa poluição”. Eu comentei que comigo aconteceu justamente o contrario. Desde que cheguei aqui não tive alergia e rinite e, em São Paulo, vivo espirrando.

São Paulo é mais poluída que Paris?, pergunta a canadense, ingênua.

Digamos que…assim…um pouquinho mais. O ar é menos respirável, os rios um tantinho mais sujos, o trânsito, levemente mais irritante…Sinceramente, pra mim, quem vive em Paris tem uma super qualidade de vida e não sabe o que são os problemas de uma cidade como São Paulo, gigantesca e desigual. Enfim, não quero ficar aqui falando mal de São Paulo, porque apesar de todos os seus dramas, continua sendo a minha cidade.

So queria dizer que aproveitei o sol do dia de ontem pra dar uma passeada por ai e respirar fundo (pra pulmões paulistanos o ar daqui t mais do que bom), e ver uns lugares que ficam mais bonitos nos dias ensolarados. Decidi andar na margem esquerda do Sena, de Notre Dame até a ponte Charles de Gaulle. Aproveitei pra tirar umas fotos, que coloco aqui pra vocês verem que não minto sobre esse dia estava especialmente bonito.

pontesparis 012

pontesparis 015

pontesparis 026

pontesparis 027

pontesparis 029

5 Comentários

Arquivado em Paris, passeio, Uncategorized

Adivinha onde é!

paris7 172

paris7 174

Essa cabra simpática ai em cima e esses burrinhos moram num lugar tranquilo, bucólico, com seus companheiros de espécie e os outros, porcos, patos, gansos, cachorros e gatos. Num ambiente cheio de arvores e flores de diferentes tipos. Fica pertinho de Paris e você já ouviu falar, com certeza. Deixa eu ajudar um pouco com fotos mais abertas:

paris7 156

paris7 158

Uma vila minuscula do norte europeu? Nada disso. Essas fotos foram feitas nos célebres Jardins do Castelo de Versalhes. Para ser mais precisa, nos domínios da Maria Antonieta, lugar que não tem nada a ver com o famoso jardim real, geométrico, milimetricamente planejado e repleto de esculturas e fontes imponentes.

Fiquei surpresa e admirada com esse cantinho. Claro que o castelo e os jardins com as fontes são imperdíveis, maravilhosos. Mas não dá pra negar que a área  que a rainha modelou é muito mais confortável e humana, um lugar com cara de “lar, doce lar”, sabe? Não um templo para um deus vivo. O jardim fica perto de onde Maria Antonieta costumava passar seus dias, num palacete chamado Petit Trianon, que embora seja grande para os nossos padrões, não passa de uma cabana perto do Palácio de Versalhes.

paris7 153

A famosa rainha que perdeu a cabeça na guilhotina não foi a primeira moradora de Versalhes a construir lugares mais aconchegantes no terreno de Castelo. O próprio rei sol, Luis XIV, mandou construir, no século 17, o Grand Trianon para servir de refugio da família real das formalidades da corte. Esse outro palácio foi usado pelos nobres que o sucederam como moradia, mas também como espaço de lazer com suas salas de jogos e bilhar e sua arquitetura um pouco menos pomposa. Um edifício grande, mas térreo, com os aposentos próximos dos jardins, da natureza.

paris7 130

Mais tarde, Luis XV construiria, pertinho dali, o Petit Trianon, um pouco mais simples, que serviria de morada para a sua amante favorita, Madame de Pompadour. Quando Luis XVI foi coroado, resolveu dar o Petit Trianon para sua esposa, Maria Antonieta, que o recebeu de bom grado. Na região próxima ao palacete, ela pôde criar um jardim no estilo inglês, mais rustico, planejado de maneira a sentirmos que estamos num ambiente natural, com laguinhos que fazem curvas sinuosas e bosques que também parecem naturais, porque as plantas são colocadas de maneira menos geométrica. Dizem que a rainha fazia festas particulares e convidava seus amigos para passar longas temporadas em seus domínios, protegidos e escondidos do resto da corte. Ali, ela se sentia em casa, tinha uma capela particular, mandou fazer também a fazendinha, uma pequena aldeia com um laguinho e outras estruturas, como um teatro, onde a própria apresentava peças (como atriz principal, bien sur) para seus amigos e serviçais. Ela planejou também o Templo do Amor, essa construção linda atrás do roseiral, que tem a escultura do Cupido no centro.

paris7 150

O rei frequentava o espaço nos fins de semana e a rainha, claro, tinha os seus aposentos no castelo, um quarto suntuoso, com essa portinha secreta à esquerda, por onde ela tentou fugir quando os revolucionários entraram no palácio.

paris7 101

paris7 099

Nem o absolutista Luis XIV conseguia viver todos os dias no suntuoso Palácio. Versalhes definitivamente não é lugar para morar, pelo menos não é para os humanos. Foi feito para ser apreciado, pra esbanjar grandeza, pra impressionar. Continua cumprindo essa função.

paris7 189

paris7 188

paris7 192

6 Comentários

Arquivado em castelo, feriado, França, jardim, museu, passeio