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Nossa viagem pra terra da rainha

Os franceses chamam os ingleses de roast beef e os ingleses apelidaram os franceses de frogs. Os dois países viveram muitos anos de guerra em diferentes períodos, antes de se aliarem nas duas grandes guerras. Hoje, eles travam uma gueguerre (guerrinha, ou guerra de mentirinha). Então, por aqui dizem que os ingleses cozinham e comem mal e vivem num pais sem sol. Por la, finge-se desconfiar dos franceses, esse povo que come coisas esquisitas e não gosta de tomar banho. Na realidade, o que se vê é um grande intercâmbio entre os dois países, já que é cada vez mais fácil e barato atravessar o Canal da Mancha. Então, é comum vê-los passando férias no pais vizinho, alugando e comprando casas de campo e de praia e (o mais estranho) passeando de carro no outro pais. Isso eu acho particularmente perigoso, já que cada um dirige de um lado do veiculo.

Nas nossas férias aqui, decidimos ir para a terra da rainha; o Arthur queria muito conhecer a região. Eu conhecia um pouco da Inglaterra e servi de guia (um pouco perdida, é verdade) para o Arthur em Londres e nas cidades de Oxford e Bath. Chegando na capital inglesa, a impressão do Arthur não foi das melhores e, finalmente ele reconheceu: Eh, Paris é mais bonita mesmo!

Não teve como não comparar: em Londres as atrações pagas eram caríssimas, mas os museus eram de graça, em compensação… a comida não é tão cara e, pasmem, é boa sim! São cidades bem diferentes e, no fim, concluímos que Paris é mais agradável para morar, por causa das pessoas e do ambiente e Londres é mais interessante em alguns aspectos. Um deles: ha um Pub em cada esquina, sempre com ótimas cervejas e comida com “preços honestos”, como eles dizem. Percebendo isso, fizemos um tour dos Pubs: dois em Bath, dois em Oxford e outros tantos em Londres, entre eles os famosos Black Friar, Sherlock Holmes e Lamb and Flag.

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Aproveitamos o que a cidade tem de especial: assistimos a uma peça do Shakespeare no Globe e fomos a um musical bem britânico, o Billy Elliot. Eu levei o Arthur na Forbidden Planet, uma loja que é a perdição para os fãs de quadrinhos, RPG e afins. Passamos pelo Museu de Historia Natural, a National Gallery, a Tate Britain e a Tate Modern. E passeamos pelos belos parques da capital (esses, é preciso reconhecer, são mais belos que os da cidade-luz), em especial o St-James. Já conhecia o lugar, mas dessa vez, eu consegui ver a estrela do parque, o pelicano:

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Além dos outro animais que sempre estão por la:

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Ficamos oito dias em Londres. No ultimo dia tive que ficar no hotel porque peguei uma gripe brava e tive que ir ao médico e tomar antibióticos, pra variar. Acho que a mudança de clima não deve ter feito muito bem. Depois desse dia de descanso, partimos para Edimburgo, na Escócia, e eu percebi que fiz muito bem em começar a me tratar em Londres. Se na capital inglesa eu já estava achando que o vento incomodava, em Edimburgo tive que tirar minhas únicas três blusas de frio da mala mais um cachecol, modelito que tive que repetir nos três dias que ficamos la.

A Escócia é mesmo a terra do frio eterno, como disse a Cris, mas é realmente linda. Edimburgo estava lotada porque agosto é o mês dos festivais – de musica, literatura e outros, como o famoso Fringe, de teatro.

Assistimos a algumas apresentações de rua, mas, como não tínhamos muito tempo na cidade, preferimos ver as atrações turísticas, como o castelo:

Visitamos também o monumento ao escritor Walter Scott, uma obra bem bonita de onde se tem uma vista incrível da cidade:

Infelizmente, não conseguimos subir até o topo do Arthur’s Seat, porque precisava ser mais esportista pra subir aquela trilha de barro na chuva. Mas subimos uma parte do percurso do lugar que eu teimei em batizar/traduzir de “o banquinho do Arthur”, só pra passar os dias infernizando o Thur com piadinhas infames como “Oh Arthur, olha onde você foi colocar o seu banquinho, não precisava ser tão alto”…

Como não poderia faltar, fomos a Pubs escoceses, para não perder o habito, e comemos no Elephant House, considerado o melhor café de Edimburgo, onde a J.K. Rowling escreveu partes do Harry Potter. Alias, a cidade e a região se orgulham da escritora, que tem casa em Edimburgo e se baseou em varias atrações locais para escrever a série do jovem bruxo.

Tiramos um dia para conhecer as Highlands, com um guia de viagem muito bom, que nos contou a historia da região, mostrou lugares lindos e alternou sua fala na longa viagem de ônibus com canções tradicionais escocesas. Acho que as Highlands sozinhas rendem um post inteiro, de tão interessantes. Vamos ver se eu me inspiro.

Fomos até o conhecido lago Ness, onde passeamos de barco. Mas não vi nada, não. Nem um monstrinho. O Arthur fez essa foto ai, para a gente lembrar do Nessie, que não vimos, é claro.

A foto foi feita na parte de baixo do barco. O desenho do monstrinho fica na janela de vidro e fica la para os turistas tirarem fotos mesmo, pra mostrarem que viram o mostro…hehehe Além do Ness, a região é cheia de Locks, uns doces, outros salgados, porque se misturam com o mar. Todos têm uma água cristalina, que espelha perfeitamente a paisagem da região.

Como ficamos pouco tempo na Escócia, deu vontade de voltar outra vez. No verão, claro. Porque as outras estações não devem ser pra qualquer um. Haja blusa de frio!

PS 1: indicação pra quem for a Edimburgo – o Hotel Edinburgh First at University é otimo, tem um preço bom, serviço legal, localização boa e um café da manhã excelente. Fica nas acomodações dos estudantes da universidade, mas é muito mais confortavel que a maioria desse tipo de alojamento. Se voltar pra la, ja sei onde ficar hospedada.

PS 2: todas as nossas fotos da viagem estão aqui.

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A bela Nice

Voltamos nessa terça à noite de uma viagem de 4 dias em Nice, na Côte d’Azur, ou Riviera Francesa. O interessante da França é que o cenário muda muito de uma região para outra, reflexo de povos e costumes bem diferentes. Nice é uma maravilha, mas muito diferente das regiões que conhecemos até agora. Parece a Itália, foi o que sentimos ao chegar no hotel, no centro velho da cidade. São casarões em varias cores de tom pastel, varais, roupas e outros objetos nas janelas, além das ruas estreitas para pedestres.

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De fato, a cidade foi italiana até 1860. Nice, em italiano Nizza, tem os nomes das ruas grafados nos dois idiomas. Tem um passado longo. Foi fundada pelos gregos como Nikaea, que significa “vitoriosa”. Posteriormente, foi colonizada pelos romanos e manteve-se por muito tempo nas mãos de reinos italianos. Ouve-se muito o italiano pelas ruas, seja dos numerosos turistas que vêm do pais vizinho ou dos franceses da Córsega, onde até hoje fala-se também um dialeto italiano. Uma balsa leva os carros de Nice até a Córsega, nesse porto, que ficava próximo do nosso hotel:

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A cidade se espreme entre colinas e o MarMediterrâneo. Uma das colinas mais conhecidas é a colina do Castelo, que separa a cidade velha do porto. La em cima ha vestígios da presença grega no local e ruínas de um antigo castelo. De la temos uma linda vista da cidade e do mar:

Nice 029A praia é de pedra, então precisa pelo menos de uma toalhinha para tomar sol em cima. Quem ja esta acostumada com o lugar, leva uma boia para colocar a toalha em cima e não deitar sobre as pedras. Entrar no mar pode ser um pouco chato no começo porque as pedrinhas incomodam, mas a gente da dois passos e daqui a pouco ja esta no fundo, ai sim é uma delicia. a água não é muito fria e é azul, azul! Olha la o Arthur sofrendo para andar nas pedrinhas…hihihi

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Os restaurantes do cidade velha ficam sempre cheios, principalmente à noite. Como era de se esperar, são muitas as opções de restaurantes italianos.

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Falando em restaurante, recomendo para todos o Bistrot d’Antoine, o melhor lugar em que a gente comeu aqui na França, realmente a melhor relação custo-beneficio, sem falar na simpatia.

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Ele fecha la pelas duas horas da tarde para almoço. Chegamos mais ou menos nessa hora para comer e um senhor muito gentil começou a conversar conosco sobre o lugar. Ele avisou que eles não deveriam aceitar mais clientes, mas foi la conversar com o dono, que conhecia bem, e disse que eramos seus amigos. O dono desconfiou quando viu que eramos estrangeiros e disse: “Vc tem amigos brasileiros agora é?” O velhinho retrucou, rindo: “Pode servir, são meus amigos de infância!” E a gente acabou comendo por la, eu um risoto de manteiga de truffa e o Arthur, um de presunto cru e rúcula. Fomos, realmente os últimos clientes aceitos no dia.

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Nice e as cidades próximas também são interessantes para quem gosta de arte. Tem o Museu Matisse, o Museu Chagall, a pequena cidade de Saint Paul de Vence, que conhecemos num dia de excursão (mas isso é assunto para outro post). Em todo o calçadão do lado da praia vemos reproduções de obras de arte que foram feitas naquela região. A gente pode comparar as paisagens pintadas pelo artista com a paisagem de hoje a nossa frente. Algumas não mudaram quase nada. Outras, mostram uma cidade muita mais calma, uma cena bucólica ao lado do mar. De qualquer maneira, ainda hoje você pode parar em qualquer lugar na orla e fazer uma foto, que a imagem fica ótima, com aquele mar azul, que vai mudando de cor ao longo do dia – do turquesa para um azul mais escuro – e os casarões na frente das colinas.

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O castelo das mulheres

Junto com Chambord, Chenonceau é um dos castelos mais bonitos do Vale do Loire. Impressionante não só pela arquitetura, por seus jardins e bosques, mas por sua localização, atravessando o rio Cher, de margem a margem, e deixando um reflexo lindo na água.

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Uma fortaleza medieval da casa nobre de Marques ocupava o local onde fica o castelo, de 1243 a 1512. Em 1513, as terras foram vendidas para o nobre Thomas Bohier que, por influência de sua mulher Catherine Bohier, decidiu derrubar a construção medieval e construir um castelo renascentista no lugar. A única parte da antiga fortaleza conservada foi uma torre, mantida para servir de moradia para o guardião do castelo.

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Thomas e Catherine morreram alguns anos depois do término da imensa obra. O filho do casal teve o castelo e as terras confiscadas pelo rei Francisco I, pela falta de pagamento de dívidas com a coroa. Dizem que, na verdade, a propriedade foi confiscada em 1533 porque o rei estava de olho naquela maravilha tão bem localizada no Vale do Loire.

O poderoso Francisco I passou alguns dias no castelo, acompanhado da família, sua mulher, sua amante oficial e seu filho Henrique II e de amigos, como Catherine de Médice e Diana de Poitiers. Essa ultima tornou-se a famosa amante de Henrique II, desde os 12 anos de idade do príncipe. Alguns anos mais tarde, com 15 anos, ele se casa com Catherine de Médice, que tinha a mesma idade do príncipe, mas continuaria ligado a Diana até a morte, apesar da diferença de 19 anos entre os dois.

O romance de Henrique II e Diana de Poitiers é cheio de lendas, historias e boatos. Dizem que a aproximação de Diana do príncipe ainda adolescente foi idéia do rei, que queria que ela colocasse juízo na cabeça de seu filho. Fato é que, desde que se tornou rei, centralizando o poder, Henrique II sempre deixou muito claro o lugar especial de sua amada. Nunca nenhuma amante tinha tido tamanho poder sobre a monarquia francesa. Henrique II vestia-se sempre de preto e branco, as cores preferidas de sua amada, e escolheu para si o emblema da lua crescente, símbolo da deusa Diana. Existem varias obras de arte que representam a nobre vestida como sua homônima, a deusa da caça, como a tela abaixo, presente em um dos cômodos de Chenonceau:

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Em outras obras, Diana de Poitiers aparece nua, para ressaltar sua lendária beleza, como nessa tela da escola de Fontainebleau:

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O rei não mostrava sua adoração por Diana apenas nesses gestos simbólicos. Ele deu a ela jóias, recursos reais e, mais importante, o castelo de Chenonceau. Sob o comando de Diana, o castelo floresceu. Ela mandou construir o corredor do castelo que atravessa o rio e um jardim esplêndido.

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Ampliou a parte construída da propriedade, que administrava muito bem. Apesar da passagem dos anos, parece que Diana conseguia, milagrosamente, conservar sua beleza. Dizem que seu segredo era acordar cedo todos os dias e mergulhar na água fria que banhava o castelo. Dentro do castelo, podemos ver em praticamente todos os cômodos um simbolo real concebido por Henrique II que consistia no entrelaçamento das letras H, de sua inicial, e C, de sua mulher Catherine. As duas letras entrelaçadas acabam formando um D, de Diana.

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Em 1559, Henrique II é ferido seriamente no olho durante um torneio, o que leva a sua morte. A rainha viúva – dizem que por ciume ou talvez tentando mostrar quem realmente manda – retoma Chenonceau e algumas jóias que foram dadas a Diana. A famosa amante é expulsa do castelo encantado e transferida para um palacete menor e menos importante da região. Catherine – essa mulher brava que aparece no retrato abaixo – não mudou as construções de Diana, mas construiria outro jardim no já impressionante domínio de Chenonceau, para rivalizar com o lindo jardim da amante. Hoje, a propriedade tem dois jardins em estilos diferentes: o de Diana e o de Catherine.

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O castelo ficou nas mãos da família real e foi passado como herança para famílias nobres, parentes da realeza, até 1733, quando o duque de Bourbon vendeu Chenonceau para um burguês, o banqueiro Claude Dupin. A esposa de Claude, uma amante das artes, da ciência e da literatura, resolveu transformar o palácio renascentista em ponto de encontro de artistas e intelectuais. No local, ela adaptou laboratórios, salões e teatros por onde passaram intelectuais como Voltaire, Montesquieu, Rousseau e o biólogo Buffon.

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Durante a revolução, a ação de Madame Dupin foi essencial para salvar o castelo de revolucionários precipitados que queriam destruir tudo. Ela teve a simpatia dos líderes da revolução por ter abrigado filósofos de ideais revolucionários e conseguiu convencer os combatentes mais raivosos a manter o castelo, dizendo que ele era a única ponte entre os dois lados do rio. Ela teve que fazer alguns sacrifício pelo castelo. Assim, a propriedade abrigou revolucionários e suas armas e a capela foi transformada em deposito de madeira.

Seus esforços valeram a pena. O castelo foi poupado e, depois do curto período de lutas revolucionarias, o lugar voltou a ter a paz e a graça de antigamente. Foi nesse paraíso que Madame Dupin viveu até sua morte, aos 93 anos. A benfeitora do castelo esta la até hoje, seu tumulo fica no bosque do Chenonceau, hoje visitado por milhares de turistas.

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Chenonceau é conhecido como Château des Dames pela importância que as mulheres tiveram em sua construção e manutenção. Desde 1513, com o planejamento e primeiras construções de Katherine Briçonnet, passando pelo embelezamento da propriedade promovido pelas rivais Diane de Poitiers e Catherine de Médice, até a ação determinante de Madame Dupin, graças a quem o castelo passou incólume à sangrenta Revolução Francesa.

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A beleza descansa no Loire

Descobri que o pais dos feriados não é o Brasil, minha gente, é a França. Pelo menos essa é a minha impressão até agora. So no mês de maio tivemos três, que emendaram com o fim de semana. Semana passada, aproveitando um desses feriados, viajamos para o Vale do Loire. Saímos na quinta de manhã e voltamos domingo, tarde da noite. Por isso meu sumiço, para quem perguntou, viu?

Com minha mania de exagerar, ia dizer que o Vale do Loire é lindo de morrer! Mas não é isso. Realmente é lindo, mas tão intensamente lindo que faz a gente se enganar e ser um tantinho impreciso. O vale e o rio, margeado por castelos e cidades medievais, são de uma beleza inimaginável, mas não acho que se trate daquela beleza exuberante, de tirar o fôlego. Também não é menos que isso. No fim da viagem eu ouvi uma turista francesa dizendo que no vale do Loire tudo é infinitamente belo e repousante. Eh isso, repousante é a palavra. De uma beleza intensa, mas repousante.

Porque, imagina, você vê um castelo que é uma verdadeira obra de arte, como o Chambord, o primeiro da nossa viagem. Naturalmente, sente aquele deslumbramento. Mas ai você repara que o castelo combina com o bosque imenso que o cerca e que esta em harmonia com o rio que passa perto dele. Tudo, absolutamente tudo é bonito e harmonioso.

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Ai ja viu, a sua visão fica acostumada com aquela beleza. O Chenonceau, um castelo menos chamativo que Chambord, é um exemplo dessa harmonia. O rio atravessa o castelo, ou, dependendo do ponto de vista, o castelo atravessa o rio, de margem a margem, bosque a bosque, com seus jardins planejados.

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Por falar em jardins, nada mais belo que o Villandry, o castelo com jardins tematicos e uma horta milimetricamente desenhada, com suas cores que combinam entre si e, de cima, formam um todo admiravel.

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No fim, nos conhecemos seis castelos (Chambord, Chenonceau, Blois, Saumur, Brézé, Villandry) e três cidades (Blois, Saumur, Tours) no Loire. Cheguei de viagem cheia de coisas pra contar…Sim, porque cada castelo tem uma historia, tem A Historia, porque neles viveram reis, rainhas e nobres franceses e outras historias miúdas,  mas talvez mais interessantes, de amor, vingança, complô, assassinato… Prometo que conto pra vocês nos próximos posts. Recomendo a todo mundo que vier pra França, principalmente nos dias ensolarados: Passem pelo menos uns dois dias no Vale do Loire. Eu, que acabei de voltar de viagem, ja estou com saudades.

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Colocamos todas as fotos dessa viagem no nosso album.

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Saint-Malo

Hoje uma das cidades turísticas da Bretanha, já foi terra de piratas. Ok, parece que os habitantes da região não gostam de ouvir que seus antepassados eram piratas. Dizem que eram corsários. A diferença? Piratas saqueiam navios e são considerados foras da lei. Corsários também pilham navios, mas com a permissão de alguma autoridade. E os homens de Saint-Malo tinham a autorização do rei francês para saquear qualquer navio estrangeiro inimigo.

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Tiveram permissão também, desde o século 12, para se desenvolver de forma independente da monarquia francesa. Assim, a cidade enriqueceu, com a pilhagem dos navios estrangeiros, o comercio e os grandes feitos dos navegadores. Essa estatua no fundo da foto, de frente para a muralha da cidadela, é de Jacques Cartier, habitante da região que descobriu o Canada em 1534 e ocupou o território em nome da França.

pascoa-st-malo-052Tivemos a sorte de ficar em Saint-Malo intra muros, a parte histórica. A cidade hoje já é maior e abrange áreas de antigas cidadelas em volta. Ficamos num apartamento dos pais do orientador do Arthur, que, alias, é o orientador mais gente boa que eu já conheci. Ele foi um verdadeiro guia turístico da região e foi muito hospitaleiro. Todos os dias, quando acordávamos, ele já tinha preparado um café da manhã com baguete, croissants, manteiga, geléias, pain au chocolat, cereais, yogurt, café e ainda fazia o suco, espremendo as laranjas na hora. Tudo arrumado com uma louça super bonita, guardanapos de pano e tudo o mais. Não é que ele seja rico não, ele fazia tudo sozinho mesmo, para agradar, foi muito muito muito gentil.

Eu e o Arthur ficamos num quarto que tinha essa vista ai:

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Da pra ver que é dentro da cidade e próximo da muralha. Habitantes comuns da área são as goélands, uma gaivota (mouette) maior e mais gorda que a normal, como vocês podem ver.

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O bichinho é bonitinho, mas apronta. O Jean-Yves, orientador do Arthur, disse que costumava dar pedaços de pão para uma gaivota que sempre aparecia na janela dele. Quando ele não aparecia para dar a comida, ela ficava batendo com o bico na janela, para chama-lo. Um dia acordei e vi essa ai em baixo mexendo nas roupas do vizinho. Fiz um barulho com um saco plastico e ela saiu voando, sem levar nada.

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Voltando à historia da cidade…Saint-Malo foi pesadamente bombardeada durante a Segunda Guerra. Eram bombardeios ingleses, na maioria, pois a região havia sido ocupada pelos alemães. Mais de 80% da cidade medieval foi destruída. Chocante, porque quando a gente chega la, não é o que parece, não da pra acreditar que a maior parte da cidade foi reconstruída. Alguns prédios respeitaram a arquitetura antiga, outros nem tanto. Mas fato é que colocaram a cidade de pé com as pedras amontoadas e despedaçadas pelas bombas. Com a muralha foi igual, parte foi reconstruída e parte resistiu.

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Remparts.Eu já tinha ouvido essa palavra numa musica francesa e acabei aprendendo o significado nessa viagem. São as muralhas, ou muros. Palavra bastante usada na França, onde ainda ha varias cidadelas muradas. Estranho conceito para nos, brasileiros. Eu passeava por dentro da cidade, rodeando o muro e as vezes me perguntava por um instante: Mas não tem segurança? Todo mundo pode entrar? Claro, é uma cidade, na verdade, parte de uma cidade. Eu olhava para aquelas muralhas imensas e ultra resistentes e pensava automaticamente num condomínio fechado. Pra você ver o que são as diferenças culturais. Fazem a gente olhar para o mundo de um jeito estranho. Mais curiosa é a visão do Emil, o colega do Arthur, que aparece na foto abaixo. Ele tem origens turcas, mas cresceu na Suécia. O sueco vê “desorganização”, “caos” e “informalidade” na capital francesa. Porém, não tanto quanto ele via na sua terra natal. Ele, que vive em Paris ha dois anos, esta convencido de que a cidade luz é uma mistura ou, para ser mais clara, esta no meio do caminho entre Istambul e Estocolmo.

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Passear por Saint-Malo é agradável, não só para respirar a historia, mas para ir aos pequenos cafés, creperias e restaurantes que pipocam na região intra muros. Comi um prato de frutos do mar muito bom e crepes bretões, que não poderiam faltar. Faça frio ou calor, é legal passear pela praia e conhecer o forte em frente à cidade.

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So uma dica pra quem vai visitar o forte: olhar antes os horários das marés, porque, como acontece em Saint-Michel, a água sobe e chega aos muros da cidade, como da pra ver nessa foto que o Jean-Yves tirou, num desses momentos. Como vocês podem ver, tem quem se divirta com a situação.

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Mont Saint-Michel

Decidimos viajar nesse feriado de Pascoa. Nossos destinos eram Mont Saint-Michel, na Normandia, e Saint-Malo, na Bretanha. No começo fiquei um pouco apreensiva porque achei que podia passar mal em quase cinco horas de viagem de carro, mas foi tudo bem, e foi a melhor coisa que fizemos. Realmente, foram as paisagens mais bonitas que vimos até agora, de tirar o fôlego.

Como são muitas as fotos e cada lugar tem suas peculiaridades, nesse primeiro post falo do nosso primeiro destino. Os outros lugares, não menos interessantes, ficam para os proximos posts. Saimos de Paris na sexta-feira de manhã, eu, o Arthur, o orientador francês do Arthur e um colega deles. Alugamos um carro grande – para o conforto da gravida aqui – deixando a ensolarada Paris e passando pelas cidades frias e nubladas da Normandia. O Arthur foi dirigindo a viagem inteira.

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Eu fui do lado dormindo de vez em quando e, quando acordava, tentando tirar fotos do que achava interessante, mas não deu. Queria fotografar as placas de velocidade 130 km/h, mas elas eram mais rapidas que eu, também gostei das vaquinhas malhadas, das ovelhas e dos campos de flores amarelas, mas elas não esperavam até eu ligar e posicionar a maquina, então vocês vão ter que usar a imaginação porque a fotografa aqui não tem nada de profissional.

O que eu realmente achei curioso na paisagem foi a mistura dessas imagens rurais, bucolicas, com o mar. Ovelhas pastando e gaivotas marinhas sobrevoando o campo. As minhas referências de praias brasileiras são completamente diferentes. Litoral é uma coisa e interior rural, outra. Chegando perto do Mont Saint-Michel, a paisagem é ainda rural, casas de pedra, campos cultivados e muitas ovelhas. São as chamadas ovelhas de “pré-salé”, região de pasto onde a maré chega em alguns periodos. São as ovelhinhas que aparecem abaixo nessa foto linda que, claro, não é minha.

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E estranho imaginar que o monte que a gente vê ao fundo, em terra firme, vai ficar cercado pela agua do mar ao anoitecer. Mas é exatamente isso que acontece. Tanto que o estacionamento onde deixamos o carro avisava: esse estacionamento vai ficar submerso; retirar os carros até as 18h30.

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Descemos do carro e estava frio, ventando e chovendo um pouco. Mas com uma paisagem dessas, nada incomoda. Olha la as nossas caras felizes.

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Chegamos a entrada da ilha murada, que ja foi uma cidadela fortificada (protegida do inimigo e das marés altas) em volta da construção principal, um mosteiro.

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Contam que em 708 o bispo de Avranches mandou edificar no local, chamado de Mont-Tombe, um santuario para São Miguel Arcanjo. No século 10, monges beneditinos se instalaram na construção aos pés da qual foi sendo construida uma aldeia. A aldeia cresceu e chegou até o limite dos rochedos do monte no século 14. Então, construiu-se a muralha de defesa. Foram varias as tentativas de ataque e tomada de Saint-Michel, principalmente as investidas inglesas da Guerra dos Cem Anos. Mas todas fracassaram, graças a arquitetura do lugar e a sua posição estratégica, num terreno em constante mudança – pelo movimento das marés – e exatamente na foz do rio Couesnon, divisa entre a Normandia e a Bretanha.

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Entrando na cidadela, passeamos pelas ruas estreitas, com suas casas de pedra, todas hoje transformadas em estabelecimentos comerciais – lojas de souvenirs, padarias, creperias…Curioso é que algumas pessoas – os comerciantes e suas familias – também moram no local. Ai fiquei imaginando alguém explicando o proprio endereço para um amigo: é no Mont Saint-Michel, na terceira ruela a esquerda, em cima da loja de espadas. Mas olha, se você for de carro é melhor chegar cedo, ou de repente pode pegar um barco mesmo…hehehe

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Visitamos a abadia e descobrimos que ela é local de peregrinação desde o século 12. Grupos de nobres e pessoas do povo, devotos de São Miguel, chegavam quase todos os dias ao local, depois de longuissimas caminhadas (ou seja, o lugar tem vocação turistica desde a Idade Média!) e eram recebidos pelos monges em salas separadas; as pessoas mais simples no térreo e os mais ricos, no andar superior, esse ai da foto.

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O jardim interno superior da abadia é lindo, cercado por colunas feitas por quatro escultores medievais que fizeram detalhes diferentes – relevos florais e representação de animais fantasticos – em cada uma das colunas.

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Numa delas, eles deixaram uma espécie de assinatura artistica – o relevo do rosto de cada um.

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Antes das 18h30 retiramos o carro do estacionamento baixo e estacionamos mais longe, num local superior onde a maré não chegaria. Voltamos para o monte, paramos num café para comer um crepe e esperamos para ver a maré subir e começar a alagar o local. Olha la o estacionamento onde o carro estava no inicio.

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Nos não ficamos até a maré encher completamente, porque tinhamos que partir para Saint-Malo, onde ficamos hospedados. Foi preciso puxar o Arthur do lugar, que so olhava pra tras querendo voltar e ficar até a noite. Mas que da vontade de voltar, isso da.

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